Cultura do encontro

Ainda saboreando as palavras do Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, gostaria hoje de destacar um trecho da homilia na Santa Missa com os Bispos, Sacerdotes, Religiosos e Seminaristas na Catedral S. Sebastião. As palavras foram dirigidas aos ministros de nossa Igreja, mas podem ser ouvidas e seguidas por nós, leigas e leigos, porque são de uma sabedoria e autoridade que vem do alto e cala nosso coração. Não há como não reagir positivamente a essas palavras. Vejamos:

“(…) 3. Primeiro, ser chamados por Jesus; segundo, ser chamados a evangelizar; e, terceiro, ser chamados a promover a cultura do encontro. Em muitos ambientes, e de maneira geral neste humanismo economicista que impôs-se no mundo, ganhou espaço a cultura da exclusão, a “cultura do descartável”. Não há lugar para o idoso, nem para o filho indesejado; não há tempo para se deter com o pobre na estrada. Às vezes parece que, para alguns, as relações humanas sejam regidas por dois “dogmas” modernos: eficiência e pragmatismo. Queridos bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e também vocês, seminaristas, que se preparam para o ministério, tenham a coragem de ir contra a corrente desta cultura. Tenham a coragem! Lembrem uma coisa – a mim faz-me muito bem e medito nela frequentemente – que vem no Primeiro Livro dos Macabeus: lembram-se quando muitos – não os irmãos Macabeus – quiseram acomodar-se à cultura do tempo: “Não…! Deixemo-los lá! Não…! Comamos de tudo, como toda a gente… Está bem a Lei, mas que não seja tão…” E acabaram por deixar a fé para entrar na corrente dessa cultura. Vocês tenham a coragem de ir contra a corrente dessa cultura eficientista, dessa cultura do descarte. O encontro e o acolhimento de todos, a solidariedade – uma palavra que se está escondendo nesta cultura, como se fosse um palavrão –, a solidariedade e a fraternidade são elementos que tornam a nossa civilização verdadeiramente humana.

Temos de ser servidores da comunhão e da cultura do encontro. Quero vocês quase obsessivos neste aspecto! E fazê-lo sem ser presunçosos, impondo as “nossas verdades”, mas guiados pela certeza humilde e feliz de quem foi encontrado, alcançado e transformado pela Verdade que é Cristo, e não pode deixar de anunciá-la (cf. Lc 24, 13-35).

Queridos irmãos e irmãs, somos chamados por Deus, cada um de nós, por nome e apelido; chamados para anunciar o Evangelho e promover com alegria a cultura do encontro. A Virgem Maria é nosso modelo. Na sua vida, Ela deu «exemplo daquele afeto maternal de que devem estar animados todos quantos cooperam na missão apostólica que a Igreja tem de regenerar os homens» (Conc. Ecum. Vat. II, Cost. dogm. Lumen gentium, 65). Peçamos-lhe que nos ensine a encontrarmo-nos cada dia com Jesus. E quando andarmos distraídos, porque temos muitas coisas para fazer, e o Sacrário ficar abandonado, que Ela nos tome pela mão. Peçamos-lhe isso! Olha, Mãe, quando estou desorientado, conduz-me pela mão. Que Ela nos incite para sair ao encontro de tantos irmãos e irmãs que estão na periferia, que tem sede de Deus e não há quem lho anuncie. Que não nos ponha fora de casa, mas nos incite a sair de casa. E assim seremos discípulos do Senhor. Que Ela conceda a todos essa graça.”

Destaquei em negrito o que mais me marcou. São palavras fortes dirigidas aos bispos e sacerdotes, mas que também desinstalam cada um de nós. É preciso ir contra a corrente da cultura do descartável. A solidariedade deve guiar nossa fé, nossa conduta, mais do que nossas convicções e/ou verdades. As pessoas estão necessitadas de encontros verdadeiros, de amigos acolhedores que percebam suas necessidades e tenham misericórdia. Isso vale para o pobre, o idoso, o marginalizado, mas também vale para o membro próximo de nossas famílias. Às vezes, é nosso filho que está carente de atenção, de acolhimento diante das dificuldades cotidianas e nós, mães e pais, estamos muito ocupados, distraídos, porque temos muitas coisas para fazer…

É tocante a maneira humilde como o Papa Francisco aborda o acolhimento. Chega a frisar que devemos ser obsessivos pela cultura do encontro, sem ser presunçosos e sem querer impor nossas verdades. Nosso testemunho de quem se encontrou com a Verdade e foi transformado por ela é que deve nos guiar à abertura para o outro. Cada um merece nosso amor, nossa atenção, nossa dedicação, especialmente aqueles que nos foram confiados tão proximamente: nossos filhos.

Finalmente, o Papa recorre à Maria – exemplo e intercessora nossa nesta jornada. “E quando andarmos distraídos, porque temos muitas coisas para fazer, e o Sacrário ficar abandonado, que Ela nos tome pela mão. Peçamos-lhe isso! Olha, Mãe, quando estou desorientado, conduz-me pela mão”.

Que ela nos ajude a ser melhores mães e melhores pais, mais atenciosos e afetuosos!

Cristiane

Homília completa:

http://www.vatican.va/holy_father/francesco/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130727_gmg-omelia-rio-clero_po.html

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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