Sobrevive-se à privação de sono

Assisti a um video na internet em que várias mães aparecem segurando um cartaz com uma frase direcionada a uma mulher que, pela primeira vez, estivesse grávida, isto é, que estivesse prestes a se tornar mãe… A instrução dada às mães era simples: “o que você diria para alguém que vai ser mãe em breve?”. As respostas eram muito variadas, todas muito positivas e expressando alegria e gratidão pela experiência maravilhosa de ser mãe. Algumas davam dicas de como proceder ou alertavam quanto às dificuldades que poderiam aparecer. Hoje quero destacar uma delas: “Sobrevive-se à privação de sono”.

Quem é mãe sabe que nossas noites nunca mais foram as mesmas. Quando a criança é ainda bebê, a noite é normalmente interrompida por mamadas. Parece que o que mais desejamos é uma noite completa de sono! Depois, por motivos de enfermidades na infância, lá se vão outras noites acompanhadas de termômetros e medicação para febre, inalações – porque a crise de tosse ocorre geralmente nas madrugadas –, sem falar nas preocupações variadas que tiram o sono etc etc.

Apesar disso tudo, “sobrevive-se à privação de sono”. Passamos um período de nossas vidas mais cansadas do que normalmente – não vou negar – mas sobrevivemos! E quem foi que disse que felicidade era sinônimo de descanso? Ainda que cansadas, bem sabemos o motivo, encontramos energia para prosseguir e adquirimos uma maturidade que só vem àquelas que experimentaram ou passaram por algo difícil. Afinal, a vida é construída com esforços, com doação. Quem não tem com quem se preocupar ou não tem ninguém para cuidar nunca vai saber o que é sentir-se responsável por alguém.

Resolvi fazer este depoimento porque ultimamente tem aparecido várias mulheres que optaram por não ter filhos e cuja justificativa está na direção oposta a que estou falando. Muitas delas querem ter “noites inteiras de sono”; querem independência para viajar e trabalhar; não querem compromisso com prole – é muita responsabilidade, dizem. Muitas admitem que não têm vocação para a maternidade. Até gostam de crianças, mas não se sentem chamadas a serem mães… De fato, maternidade não é para todo mundo. Mas é preciso dizer que existe vida depois dos filhos! E esta vida é maravilhosa, porque traz a alegria que somente a espontaneidade das crianças proporciona nos dias do hoje.

Termino destacando o exemplo da ministra do Trabalho da Alemnha, Úrsula Von der Leyen, uma mulher que vem revolucionando a Alemanha e a Europa por seu exemplo – é mãe de 7 filhos – e por sua coragem na implementação de políticas públicas favoráveis aos pais que decidem ter filhos (creches gratuitas, licenças etc), para uma Europa que envelheceu sua população e que sofre com a mudança de comportamente feminino de algumas décadas atrás. Assim como hoje no Brasil há uma tendência na diminuição do número de filhos por família e até um crescimento do número de casais sem filhos, isso ocorreu há algumas décadas na Europa, o que acabou por gerar atualmente uma crise demográfica generalizada por lá. Antes, ela foi ministra da Mulher, Família e Juventude. São frases dela:

“não sou uma superwoman, onde estou é o resultado de um longo caminho de altos-e-baixos e decisões com meu marido, e também de alguns erros”.

“A família recobra sua importância, não só como fator de equilíbrio, mas como ferramenta para transmitir diretamente uns valores, uma interioridade e uma transcendência. Ademais, comprovamos que sem crianças uma país não pode seguir existindo, por razões econômicas e também emocionais.”

“… estamos em uma situação muito crítica, sobretudo psicologicamente. Tem que se voltar a falar do pão que as crianças trazem debaixo do braço: chama-se alegria, força criadora, segurança futura… que as crianças não significam pobreza, mas perspectiva”.

“A família, a responsabilidade pelo outro, valores cristãos que devem ser traduzidos para outros tempos. A família não pode sobreviver olhando para o que foi, sua economia e a de todos já é global e a mulher é hoje muito importante. Mas seguem sendo importantes que haja crianças nas ruas, a solidariedade geracional, a boa educação, a subsidiariedade, e deve-se perguntar como mantê-las no mundo moderno”.

Leia a reportagem completa sobre Úrsula Von der Leyen em

http://beinbetter.wordpress.com/2013/06/11/mae-de-7-filhos-e-defensora-dos-valores-cristaos-a-ministra-que-revoluciona-a-europa/

abraços,

Cristiane

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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4 respostas para Sobrevive-se à privação de sono

  1. Gostei muito Cris. tema importante, emocionante e ao mesmo tempo humanamente simples, como as crianças. e posso dizer que sempre curti, e curto, como pai, participar das noites de vigilia ao lado de minha mulher!

  2. Alessandra de Angelis disse:

    Cris,

    Parabéns pelo belíssimo texto de amor, coragem, dedicação e entusiasmo às mulheres que já são mamães e para às futuras.

    Alessandra de Angelis

  3. Maria Dulce Hungria Nalesso disse:

    Cristiane, cheguei a este site por acaso, e senti esperança e alegria ao ler este texto tão atual e pertinente . A grande maioria das mulheres vive dividida entre o forte desejo de ter filhos e o medo de sofrer, e o mais triste e intrigante é perceber que hoje, ao contrário de 30 ou 40 anos atrás, suas mães ou sogras também estão confusas a esse respeito?!
    Maria Dulce Nalesso (Educadora)

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