Adoção

Hoje li uma notícia que me entristeceu um pouco. Abaixo reproduzo o primeiro parágrafo. Quem se interessar em ler toda a reportagem, mando também o link. Trata-se de um texto sobre a questão da adoção no Brasil, publicado no jornal Gazeta do Povo de Curitiba.

“Na teoria, faltariam crianças para serem adotadas em todo o país. O Brasil tem cinco vezes mais casais que desejam ser pais adotivos do que crianças aptas a serem encaminhadas a essas famílias. Mas na prática a história é outra. Grande parte dos pretendentes prefere crianças brancas e 54% desejam crianças de até 2 anos de idade. Na contramão dessa vontade, 66% dos meninos e das meninas que esperam ser adotados são negros ou pardos e só 2,5% têm até 2 anos.” (Pais exigentes dificultam adoção Gazeta do Povo, Curitiba. Disponível em:

http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1362099)

É realmente triste saber que muitas crianças que necessitam de adoção não são adotadas porque não correspondem ao perfil exigido pelos pais pretendentes. Imaginem o que se passa com a autoestima desses pequenos? “Não tenho pai, não tenho mãe… ou fui recolhida de minha família por conta de violência que sofri até o presente… ou meus pais não têm condições financeiras de me criarem… e agora ninguém me quer.” Como deve ser a ansiedade vivida por eles, sempre na expectativa de que um dia aparecerá um casal disposto a adotá-los?!

A contraparte desta história não é menos triste. Casais que já se decidiram pela adoção e que correspondem ao perfil indicado para pais adotivos acabam esbarrando no critério de descrição da criança. Não querem qualquer criança, especialmente não querem as crianças maiores, porque, segundo a reportagem, elas trazem a lembrança da vida com os pais biológicos, entre outros fatores. Também não querem crianças negras. Querem bebês brancos menores de 2 anos…

Não gostaria de julgar ninguém. O processo de abertura à adoção é uma decisão muito profunda que ocorre na vida de um casal. Muitas vezes, problemas de infertilidade ligados ao sonho de paternidade e maternidade estimulam esses casais a buscarem por crianças órfãs. E, para esses casais, superar a frustração da infertilidade não deve ser fácil. Além disso, a vontade de poder acompanhar todo o crescimento do bebê faz com que eles prefiram crianças mais novas. Também deve ser temeroso não saber lidar com aquelas crianças cuja história de vida já foi marcada por pobreza, volência, abusos… E eu poderia multiplicar as histórias aqui.

Por último, quero terminar com uma prece. O mundo precisa de muita oração para que o Amor de Deus seja derramado em nossos corações e possamos nos deixar transformar. Só o Amor incondicional de Deus vai nos ajudar a abraçar tantas crianças que estão esperando por uma adoção. Só o Amor de Deus nos fará superar todas as barreiras de discriminação e preconceito. Só o Amor de Deus poderá curar todas essas vidas marcadas, seja pela frustração da infertilidade seja pela expectativa quebrada dia após dia de encontrar uma família acolhedora.

“Senhor, ajuda-nos a enxergar o teu rosto no rosto de tantas crianças esperando por adoção. Derrama teu amor incondicional no coração de todos aqueles que estão buscando o caminho da adoção, para que se abram e superem seus próprios medos e preconceitos. Cura cada coração. O mundo está sedento do teu Amor, Senhor!”

Cristiane

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Veja quais são os passos e pré-requisitos para quem deseja adotar:

– Qualquer adulto maior de 18 anos pode se tornar pai adotivo, desde que seja pelo menos 16 anos mais velho do que o adotando e procure a Vara de Infância e Juventude do seu município.

– O curso de preparação psicossocial e jurídica para adoção é obrigatório. A partir do laudo da equipe técnica da Vara e do parecer emitido pelo Ministério Público, o juiz decide se a pessoa pode participar do Cadastro Nacional.

– A partir daí deve-se aguardar até aparecer uma criança com perfil compatível com o fixado pelo pretendente durante a entrevista técnica.

Fonte: CNJ

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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2 respostas para Adoção

  1. Ana Sousa disse:

    Cristiane, em parte o que você relata acontece, porém existe criança que não vai para a adoção pois o responsável não disponibiliza a mesma,apenas deixa no abrigo e some. Agora existe uma lei que informa ao responsável que caso ele não busque seu filho em 2 anos, automaticamente ficará disponível para a adoção. Realmente os casais preferem crianças até 2 anos sim. Até pelo fato que querem curtir todas as fases da criança. Falo com muita propriedade pois tenho um casal de filhos, ambos adotados. Quando me inscrevi no processo de adoção , não fui beneficiada por esta lei que mencionei, me deparei com muitas crianças no abrigo e somente uma disponível( fiquei esperando 4 anos ). Comecei a assistir toda reportagem relativa ao tema, para entender o porquê da demora. Concordo com você mas quero ressaltar que não é só isso que faz com que várias crianças fiquem sem uma casa de família. Inclusive a lei entrou em vigor quando esperava minha menina, e algumas cidades nas quais estava inscrita , a assistente social me ligava para saber se ainda tinha interesse na adoção e me informava que por causa do “cadastro único”( várias cidades fazem parte), eu iria para o final da fila, pois estava inscrita antes da lei. Me senti muito mal pois fui prejudicada pela má interpretação da lei por certos magistrados. Ainda bem que cada juiz entende de um modo peculiar, me chamaram e fiquei sabendo que o magistrado considerou a minha vez na fila, o que foi justo. Após 4 anos chegou minha menina( que por sinal não tem o meu perfil e nem o do meu marido, pois ela é uma linda garotinha da raça negra, com os cabelos encaracolados). O meu filho mais velho foi junto buscar a irmã, foi muito bacana pois ele pode entender como aconteceu com ele também. Parabéns pela belíssima reportagem,
    Ana Sousa.

    • Cristiane disse:

      Ana Sousa,
      Obrigada por seu belo depoimento. De fato, você contribuiu com o tema, trazendo uma questão que eu não mencionei. Como se não bastassem todas as dificuldades das crianças e dos pais, ainda há os entraves da burocracia, infelizmente!
      Mas seu testemunho é muito propício! Que bom que você agora tem seus dois filhos… Deus a abençoe pela abertura a essas crianças.
      Cristiane

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