Fim da licença-maternidade

Quem é mãe sabe: um dia a licença maternidade acaba e a gente volta ao trabalho… Ai que saudade da criaturinha que fica em casa… Algumas mães têm o privilégio de ficarem um tempo maior sem trabalhar fora de casa para se dedicarem exclusivamente aos filhos enquanto eles são pequenos; outras diminuem a carga horária para poderem conciliar a maternidade e sua profissão; porém a maioria das mulheres precisa voltar ao trabalho depois que a licença-maternidade acaba.

Depois de ter ficado em casa por alguns meses, devido ao nascimento de minha filha no ano passado, voltei ao colégio onde trabalho como professora de redação. Não são muitas aulas – em três manhãs dou conta de todas as aulas do Ensino Médio. Enquanto estou na escola, tenho a ajuda de pessoas maravihosas que Deus providenciou em minha vida – meu esposo, minha mãe e meu pai, e minha faxineira, que, além de me ajudar com o serviço da casa, é uma ótima babá para minha bebê. Todos estão familiarizados com meus filhos, especialmente com a caçulinha que necessita de muitos cuidados ainda. Com 6 meses, ela já toma sucos e come papinhas de frutas e de legumes, mas é completamente dependente de um adulto. Já os maiores (10 e 7 anos) precisam apenas de coordenadas para que se lembrem de suas obrigações: primeiro devem fazer o dever escolar para depois brincarem no restante da manhã até a hora de se prepararem para ir à escola no período da tarde. E, com isso, eles estão crescendo em responsabilidades, pois sabem que eu não estou em casa e devem fazer o melhor de si para que tudo ocorra da melhor forma possível.

De minha parte, ir trabalhar sabendo que meus filhos estão seguros e bem cuidados faz com que meu desempenho no trabalho seja mais efetivo. Ficar algumas horas longe deles pode parecer difícil no começo, mas, com equilíbrio e tranquilidade, tudo vai se ajeitando.

Embora eu tenha o privilégio de desempenhar parte do meu trabalho em casa, quando preparo as aulas e quando faço serviço de revisão de textos como freelancer, não nego que sair de casa, depois de ter tido a oportunidade de ficar próxima de meus pequenos por um bom tempo, é um desafio emocional. Nesse sentido, ter o apoio das pessoas mais próximas tem sido fundamental para a harmomia do “volta às aulas”. Quantas não são as mães que sofrem um verdadeiro drama nesta fase da vida? Com quem deixar um bebê que até há pouco tempo dependia exclusivamente de seu aleitamento materno? Como dizer tchau para alguém que ainda não entende que você vai ao trabalho por algumas horas e voltará em seguida? Aos maiores – como já disse – o fato de eu estar fora algumas horas têm sido motivo de amadurecimento para eles. É claro que eles também “sentem saudades” de terem a mãe por perto o tempo todo, mas, por outro lado, já estão aprendendo que na vida é preciso certo desapego para crescer.

Por tudo isso, afirmo que é preciso determinação a respeito do que a mãe quer em sua vida. Meu trabalho, muito mais do que fonte de renda e sustento – é isto também! – , é motivo de realização profissional e pessoal para mim. De outra forma, não valeria a pena… Fico melhor, sou uma pessoa melhor, porque trabalho – o trabalho me santifica e dá sentido, ainda que não sendo o principal, à minha vida. Melhora minha autoestima, posso ajudar outros – no caso meus alunos – e, nas relações profissionais com outras pessoas, amadureço como pessoa. Um traballho desempenhado com objetivo enaltece. E bem sabemos que, como cristãos, devemos fazer o melhor que podemos em nosso trabalho, para o bem comum e também para a maior glória de Deus.

Por isso, deixo um recado às mães que precisam trabalhar: não desanimem! Haverá sempre “anjos” de Deus a nos amparar. Também no caso daquelas que optam por creches, escolinhas e/ou berçários. Nossos filhos, tão preciosos para nós, o são ainda mais aos olhos de Deus. E “a quem tem Deus, nada falta” (Sta Teresa).

Abraço a todos

Professora Cristiane

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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7 respostas para Fim da licença-maternidade

  1. Lutfe Yunes disse:

    Cristiane.

    Obrigado pelas palavras. Como pai também tenho estes sentimentos. A parte do trabalho também está extremamente bem escrita. Lutfe

  2. Fátima Brasil disse:

    Apesar da minha realidade agora ser outra, amei ler este texto pois viajei no tempo quando saia e deixava meus filhotes para trabalhar, quanta preocupação mas passou hoje são eles que passam por isso, e eu estou sempre pronta para ajudá-los é a vida se renovando.Boa sorte Cris que seus anjos continuem te ajudando.Bjs.Fátima

  3. Andreza disse:

    Cristiane, muito legal seu texto, passei por isso recentemente. Que bom que o seu trabalho permite um horário flexível e estar em casa por mais tempo. Sou engenheira, trabalhava em período integral numa empresa e optamos pela minha saída para criar nosso primeiro filho (e os próximos, se Deus quiser). Realmente o trabalho é importante mas penso que um mínimo de convívio entre mãe e filho é fundamental, em especial no primeiro ano de vida. Isso não seria possível onde eu trabalhava. Pretendo iniciar um doutorado, especializar-me, mas ficar dois ou três anos afastada do mercado de trabalho não deve ser a morte profissional, apenas um atraso. Quem sabe eu consiga tornar-me professora também? Vou buscar este caminho.

    • Cristiane disse:

      Andreza,
      Quando o meu mais velho nasceu, passei a trabalhar em Casa, como revisora de livros. É verdade que a relação Mãe-Filho deve ser cultivada na medida do possível. Tive muita sorte até hoje, podendo conciliar minha profissão com a maternidade.
      Bj
      Cris

  4. Maria Lucia Guarita disse:

    Muito legal seu texto Cris! Não tenho filhos ainda, mas tenho amigas, irmã e cunhada passando pela mesma situação. Realmente não é fácil!! Meu horário é mais tranquilo, sendo que o delas muitas vezes não é, assim acredito que o melhor a fazer da minha parte no momento é tentar ser um desses “anjinhos” enviados por Deus as minhas colegas e família!
    Adoro seus textos! Bjos
    Malu (sua vizinha de Blog!:)

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