A paciência tudo alcança

“Respira. Serás mãe por toda a vida. Ensine as coisas importantes. As de verdade. A pular poças de água, a observar os bichinhos, a dar beijos de borboleta e abraços bem fortes. Não se esqueça desses abraços e não os negue nunca. Pode ser que daqui a alguns anos, os abraços que você sinta falta, sejam aqueles que você não deu. Diga ao seu filho o quanto você o ama, sempre que pensar nisso. Deixe ele imaginar. Imagine com ele. As paredes podem ser pintadas de novo, as coisas quebram e são substituídas. Os gritos da mãe ficam. Muitas vezes você pode lavar os pratos mais tarde. Enquanto você limpa, ele cresce. Ele não precisa de tantos brinquedos. Trabalhe menos e ame mais. Menos presente e mais presença! E, acima de tudo, respira. Serás mãe por toda a vida. Ele será criança só uma vez.” (Autor desconhecido)

Li esta mensagem no facebook e gostaria de partilhar com vocês e de destacar o que mais me tocou.

Em primeiro lugar, a mensagem foi dirigida a mim, mãe de três filhos, dona de casa, professora, revisora, ou seja, trabalhadora dentro e fora de casa e que, por conta de tantas atividades, vejo que o tempo está voando, que meus filhos estão crescendo e que preciso prestar atenção ao tempo dedicado a cada um deles no meu cotidiano. De fato, a louça pode esperar, o trabalho de revisão de textos pode ser feito enquanto os maiores estão na escola e a pequenina dorme, e o mais importante: devo não perder de vista que posso, sempre, ser mais interativa e presente na vida deles. Posso abraçá-los toda manhã, na hora do bom dia. Posso beijá-los na hora do tchau de ir para a escola e na volta, quando chegam em casa – coisas que já faço normalmente mas que posso fazer melhor e mais conscientemente.

Não devemos perder as oportunidades incríveis nesta fase de infância de nossos filhos. Às vezes nos distraímos demais com coisas não importantes! Para o autor desconhecido, importante é fazer coisas junto de nossos filhos, brincando, apreciando os momentos, vivendo com atenção às belezas de nossa volta. Já repararam como as criancinhas são acometidas de surpresa e exaltação diante do belo, ainda que este belo seja uma simples formiguinha carregando uma folha? Simplicidade diante da vida nos faz mais parecidos com esses pequeninos, que olham o mundo de um jeito todo especial. Também é muito importante ensinar a abraçar, a demonstrar afetos, a valorizar o sentimento que sentimos uns pelos outros. E mais, para quem é cristão, ensinar a amar é um mandamento! Também o amor precisa de “exercício” – abraços, beijos que revelem o que a alma sente. Se não ensinamos nossos filhos a expressarem e a receberem amor, quem é que vai ensinar?!

“As paredes podem ser pintadas de novo, as coisas quebram e são substituídas. Os gritos da mãe ficam.” É claro que queremos uma casa arrumada, limpa, com enfeites etc. Mas isso não pode virar escravidão! O fato de haver criança em uma casa significa sujeira, bagunça e vasos quebrados de vez em quando… “A paciência tudo alcança” – dizia St. Teresa de Ávila – nos ensinando que, com paciência, tudo vai sendo construído e reconstruído. Como mães, precisamos de muita paciência! Lembro-me de um padre me aconselhando neste sentido. Na época, ele me perguntou quantos anos tinham meus filhos, para, em seguida, dizer: “você vai precisar de muita paciência…” Ah, os nossos gritos… como ressoam nos ouvidos indefesos dos pequenos. É preciso autocontrole que vem da virtude da paciência. E, com paciência, tudo caminha melhor. “Respira. Serás mãe por toda a vida.” De fato, respirar ajuda – e muito – a ter paciência. É engraçado que precisamos ser lembradas de que temos que respirar (parece absurdo já que respiramos involuntariamente para sobreviver…). É que “respirar” aqui tem um sentido: enquanto inspiramos devagar e, em seguida, conscientemente expiramos devagar, nosso coração se lembra do que é relevante nesta vida e de que não vale a pena estressar-se por coisas pequenas e passageiras.

Que riqueza tão grande são nossos filhos! Que oportunidade de crescimento e amadurecimento temos pelo fato de sermos mães – afinal é também por isso que os filhos estão aí, não? Aprendamos, pois, a curtir a infância, não deixando que o tempo passe rápido demais a ponto de não apreciarmos os encantos desta fase…

St. Teresa d’Ávila, rogai por nós!

Cristiane

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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Uma resposta para A paciência tudo alcança

  1. Marco disse:

    OI Cris

    Excelente post ! Na era das “mães tercerizadas”, este texto vem como um luva pra mostrar o que realmente importa.

    gde abraço !

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