Aprendendo a ser gente

Uma de nossas responsabiliades como pais é ensinar a nossos filhos regras de boa convivência. Ensinar a ser gente! Parece engraçado dizer essas palavras, mas com elas quero significar que, quando nascemos, não sabemos o que é fazer parte de uma sociedade, o que é ser “gente”. Reagimos muito por instintos e, à medida que crescemos, vamos aprendendo a ser pessoas sociáveis. E, mais do que isso, aprendemos a amar e a valorizar os outros.

Essa não é uma tarefa fácil. Muito pelo contrário, trata-se de um desafio. E, como cristãos, ainda mais precisamos mostrar a nossos filhos que o outro é importante e precisa ser respeitado, amado e acolhido.

Lendo o texto de Rosely Sayão (psicóloga que escreve na Folha) desta semana, achei interessante uma das coisas que ela fala:

“Muitos pais, na maior das boas intenções, cometem alguns equívocos. Obrigam os filhos a emprestar seus pertences aos irmãos ou colegas, quando solicitados, e exigem que os filhos sempre digam as palavras mágicas “por favor”, “obrigado” e “com licença”. Os pais também obrigam os filhos a cumprimentarem com beijos os parentes adultos.

Por que são equívocos? Porque pedir desculpas, por exemplo, não é algo que se resolva com uma palavra dita, não é verdade? Falar essa palavra pode ser fácil para qualquer criança. Mas entender que uma atitude pode provocar sofrimento na outra pessoa é uma coisa bem diferente.” (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1158601-licoes-de-exclusao.shtml)

Uma atitude que eu tenha pode provocar sofrimento em outra pessoa e, por isso, preciso me controlar e pedir desculpas se percebo que me excedi e “pisei na bola”. Como adultos, sabemos disso e tentamos praticar. Como pais, é preciso transmitir  a nossos filhos este ensinamento. Vejam que Rosely Sayão critica quem “obriga” a pedir desculpas, “obriga” a falar por favor, obrigado… É claro que, durante a aprendizagem, muitas vezes a criança só vai pedir desculpas porque o pai ou a mãe mandou…  Mas é preciso explicar por que as desculpas são necessárias. Se magoei alguém, essa pessoa sofre com isso. Então, preciso voltar atrás e reatar os laços com quem está chateado comigo. E a psicóloga continua:

“E talvez aí resida nossa dificuldade para ensinar a convivência educada e civilizada para os mais novos. É que o outro vem depois de nós em uma sociedade individualista. Além disso, o outro é percebido mais como ameaça, de qualquer tipo, do que como uma boa companhia.”

Desde cedo, é preciso combater o individualismo! Nossa sociedade é muito individualista e, por conta disso, é uma tarefa complicada para nós mostrarmos a nossos filhos que eles não estão sozinhos neste mundo, que este mesmo mundo não gira ao redor deles, que existem outros que também querem brincar, outros que também querem comer (especialmente a sobremesa), outros que são nossos amigos e a convivência com eles vai trazer alegria para nossa vida. Ninguém é feliz sozinho. O outro me ajuda a ser quem eu sou, a ser mais feliz… O outro é meu amigo e minha vida tem mais sentido quando estou acompanhado(a).

Por fim, quero ressaltar que Jesus retomou a “regra de ouro” quando ensinava seus discípulos a respeitarem-se mutuamente:

Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas
(Mateus 7, 12).

Se não gosto que falem alto comigo, que briguem comigo, que não dividam as coisas comigo – então também não devo fazer isso aos outros. As crianças podem entender isso! É claro que vamos ter que repetir muitas vezes. Mas não é verdade que nós também precisamos ouvir repetidamente esta regra? Sabemos que não é fácil cumpri-la, certo?

Que a graça de Deus nos ajude!

Um abraço a todos!

Cristiane

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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Uma resposta para Aprendendo a ser gente

  1. Alessandra de Angelis disse:

    Cris,
    Excelente artigo!! É importante saberrmos passar os ensinamentos de forma correta aos nossos filhos e filhas. Vc. mostrou em seu texto que não basta “exigir” algo deles, sem explicar o motivo real das coisas.

    Alessandra de Angelis

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