Três filhos

Há duas semanas a Revista Veja publicou uma reportagem sobre o número de mulheres que opta pelo terceiro filho. Fiquei feliz ao ver que não estou sozinha neste barco…

Alguns pontos merecem destaque:

1)  “Optar pelo terceiro filho, hoje, é trafegar na contramão de uma tendência nacional – e justamente por isso a volta das famílias grandes, mesmo que apenas entre uma parcela pequena e abastada da população, chama tanto a atenção dos demógrafos e estudiosos do comportamento. A taxa de fecundidade do país está em queda vertiginosa desde a década de 60, quando se intensificou a migração do campo para a cidade, houve melhoras nas condições sanitárias e as mulheres deixaram o lar para invadir o mercado de trabalho. A média de filhos por mulher passou de 6,3 na ocasião para 1,9 atualmente, menos que o necessário para a reposição populacional. O filho único, visto há três décadas como anomalia, tornou-se figura comum nos anos 90 – e está presente em 20% dos lares. “O total de brasileiras que decidiram aumentar a família ainda não aparece nas estatísticas, mas é um grupo em evidente crescimento“, afirma o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.”

Ir  na contra-mão da tendência é sinal de coragem! Normalmente, preferimos seguir o fluxo das águas, já que nadar contra a corrente exige muito mais esforço. O que explicaria esta coragem? Segundo a reportagem:

Ter filhos – e quem os tem bem sabe – é uma das experiências mais gratificantes na vida de uma pessoa.No entanto, gerar uma criança e criá-la com esmero implica sacrifícios, preocupações, noites maldormidas e gastos, muitos gastos. Escola, inglês, plano de saúde e lá se vai quase 1 milhão de reais na criação de um filho, do nascimento aos 23 anos, segundo levantamento do pesquisador Adriano Maluf Amui, do Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent).

São várias as explicações para o inchaço das famílias, mas a principal, dizem os especialistas, é uma mudança recente, e radical, no comportamento feminino. “As mulheres que sonham em se tornar mãe não estão mais dispostas a abrir mão da maternidade para provar que podem competir em pé de igualdade com os homens”, afirma a demógrafa Maria Coleta Oliveira, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Esse fenômeno não é exclusividade brasileira e já foi observado em muitos países, especialmente nos mais desenvolvidos. A antropóloga Carla Barros, da Universidade Federal Fluminense, concorda: “Nos anos 80 e 90, que se seguiram à emancipação feminina, havia uma pressão para que a mulher estudasse e fosse bem-sucedida na profissão, principalmente nas classes mais altas. Ser só dona de casa desqualificava a mulher. As que queriam filhos optavam por ter um, no máximo dois, para não prejudicar o trabalho. Hoje, a mulher conquistou o direito de escolher o que fazer“. Dados do IBGE corroboram a tese. Na última década, cresceu 26% o número de brasileiras mais escolarizadas, com renda acima de 8 000 reais, que largaram o emprego para ser mães e nada mais, com muito orgulho.”

Sei que ainda é pequeno e até estatisticamente irrelevante o número de famílias no Brasil com grande prole, mas as razões apontadas pela reportagem – em especial as que grifei em negrito – alimentam em meu coração um esperança: a volta da opção por ter quantos filhos desejar, livre das pressões do trabalho ou da necessidade de provar competência, é sem dúvida um avanço em termos de dignidade da mulher pós-moderna!

um abraço,

Cristiane

Link para a reportagem:

http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/querido-vamos-ter-mais-um

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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Uma resposta para Três filhos

  1. Mari disse:

    Cris,
    Mais uma vez mto obrigada pela excelente reportagem !!!
    O número de filhos reflete a generosidade dos pais !!!
    Bjs

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