De quem é a culpa?

Mãe é uma criatura especial. Partilha dos filhos suas alegrias e também sofre com suas tristezas e dificuldades. Amor de mãe é comparável ao amor de Deus: é quase impossível uma mãe esquecer-se de seu filho… É verdade que o amor de Deus supera o amor de mãe. Isaías profetizava: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? [perguntando assim, parece que espera uma resposta negativa…] E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca” (Isaías 49, 15). Deus nos ama tanto que toma um amor quase incondicional como é o de mãe para nos fazer entender que é assim que Ele nos ama. E mesmo que a mãe esqueça – Ele não esquece, isto é, mesmo que falhe o amor daquela que gera a vida, Deus jamais se esquece.

Mãe de bebê, mãe de filho pequeno, mãe de menino grande, mãe de jovem ou mãe de adulto… Sempre está pensando no bem-estar de seu filho. Parece que faz parte da natureza de ser mãe viver preocupada com aquele(s) que gerou. E penso que é por causa dessa natureza que, muitas vezes, nós mães até carregamos um complexo de culpa quando algo errado acontece com nosso filho. É sobre isso que quero falar hoje.

Lembro bem da época em que meu primeiro filho ficava doentinho. “O que será que fiz de errado? Não cuidei bem dele? Foi o vento da janela? Foi a água do banho que entrou no ouvido? Por que essa tosse, esse resfriado, essa febre?” – eram as perguntas que eu me fazia… E um dia o pediatra dele – um médico muito competente, além de carinhoso com as crianças – me falou assim: “Não fique tentando resolver tudo, Cristiane!” e aquelas palavras de sabedoria foram como que palavras vindas do céu, tanto que jamais me esqueci delas. Mais tarde, outra médica que cuidou dos meus meninos, me acalmou diante de alguma doencinha: “São intercorrências normais da infância”. Isto é, faz parte da etapa infância ficar doente às vezes (dor de garganta, dor de ouvido, febre, gripe, tosse etc).

Como mãe, não deveria me culpar toda vez que meus filhos ficam doentes. Há coisas que não estão sob minha responsabilidade. O sistema imunológico deles vai se fortalecendo à medida que eles crescem e – me corrija o Dr. Valdir – faz parte desse “fortalecimento” vencer as pequenas doenças da infância. Hoje meus meninos estão com 9 e 7 anos e já não ficam doentes com tanta frequência mais, mas confesso que para mim ainda é difícil aceitar que um deles fique doente – parece que não protegi, não cuidei, não alimentei direito, não isso, não aquilo… Por isso estou me preparando psicologicamente para enfrentar a pequena infância de minha recém-nascida filha que também passará pelas doencinhas da infância.

Não quero dizer com isso que as mães não devem cuidar de seus filhos, já que eles vão ficar doentes mesmo… Não, não é isso. Mas tenho percebido em mim e nas conversas com amigas mães de crianças pequenas que é bem comum ficarmos nos culpando pelo que acontece de errado com nossas crianças… Isso não é bom. É preciso trabalhar esse sentimento de “super mãe”, porque apenas traz desgaste para nossa vida, como um fardo pesado demais para carregar. É claro que devemos cuidar e proteger nossos pequeninos – e toda mãe sabe do que estou falando. O que não devemos fazer é carregar responsabilidades extras por aquilo que não está sob nosso alcance resolver. É até um gesto de humildade admitir que não posso proteger meus filhos diante de certas doenças, ainda mais as corriqueiras que eles pegam pelo fato de estarem no mundo em contato com outras crianças… E estendo essa reflexão àquelas mães que tiveram que enfrentar doenças graves, como câncer ou doenças cardíacas ou tantas outras cujo tratamento foi prolongado com muitas idas a hospitais etc. A você, mãe que sofreu bastante ou que ainda sofre por conta da doença de seu filho, saiba que não é culpa sua. Veja as palavras de Jesus:

Os seus discípulos indagaram dele: Mestre, quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas é necessário que nele se manifestem as obras de Deus” (João 9, 2-3).

E as obras de Deus na vida da mãe que enfrenta a doença dos filhos, seja ela simples ou grave, se revelam na manifestação de amor e cuidado que podemos dar a eles durante o período em que estão doentes. Parece que recebemos força do alto para ajudá-los, não é verdade? E como é tocante ver a peciência e dedicação daquelas mães cujos filhos enfrentam uma doença grave! Isso é glória de Deus.

Portanto, de quem é a culpa? De ninguém. Faz parte da vida, da nossa natureza humana limitada e frágil. Não somos super heróis, nem super mães.

Caminhemos, pois, na graça de Deus! Ele nos ajudará a enfrentar as situações difíceis e nos inspirará a ver a glória dEle em todas as coisas.

Abraços,

Cristiane

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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