Onde está a bolsa?

Nasceu nossa filha! Dia 31 de julho, dia da festa de Santo Inácio de Loyola. Nossa família está muito feliz com a vida de nossa pequenina: os irmãos mais velhos se dividem para segurá-la, o papai está super coruja e a mamãe, transbordando de alegria. De fato, é uma bênção de Deus a nova vida que começou!

Falando em Santo Inácio, um episódio ocorrido ontem me fez lembrar de um de seus ensinamentos sobre a humildade. Segundo o fundador da Companhia de Jesus, devemos almejar pela humildade para nos assemelharmos cada vez mais com Nosso Senhor Jesus. Santo Inácio fala em 3 graus de humildade: 1) Humilhar-me para obedecer à lei de Deus; 2) Ter indiferença com relação à minha vontade de tal forma que não me inclino mais à riqueza do que à pobreza, às honras do que à desonra, a uma vida longa do que a uma vida breve, porque tudo isso é de igual glória para Deus e de igual vantagem para salvaçao de minha alma. E o terceiro grau de humilde – que é o que mais me interessa para esta reflexão – transcrevo abaixo:

“Inclui os dois primeiros e consiste no seguinte: sendo igual o louvor e a glória da divina Majestade, para imitar e parecer-me mais atualmente com Cristo nosso Senhor, eu quero e escolho mais pobreza com Cristo pobre que riqueza; injúrias com Cristo cheio delas que honras; e desejo mais ser estimado por ignorante e louco por Cristo, que primeiro foi tratado assim, do que por sábio e prudente neste mundo” (Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, n. 167, Ed. Loyola, 1985).

Sendo assim, quando sofremos humilhações, devemos nos alegrar, já que nos assemelhamos e nos aproximamos mais de Jesus. Nem sempre é fácil, ou melhor, é bem difícil enfrentar uma situação de humilhação e ficar contente com ela… O que acontece, na maioria das vezes, é tentarmos nos explicar, procurando justificativas para o que tenha ocorrido, sempre tentando “salvar” nossa imagem diante dos outros. A humilhação, de fato, é um caminho estreito para a santidade… Querer ser humilde, aceitar humilhações com naturalidade, para todo ser humano, é um difícil exercício. Não é à toa que Santo Inácio chama de Exercícios Espirituais aos seus ensinamentos: nosso espírito também precisa exercitar-se na prática das virtudes.

Mas vamos ao episódio que me fez lembrar de toda essa reflexão. Ontem tivemos a primeira consulta com o pediatra depois do parto. Somos novos na cidade e, por conta disso, o pediatra também é “novo” para nós. Acabamos de nos conhecer e isso significa que ainda estamos formando as imagens uns dos outros. Depois de algumas perguntas, o doutor me pediu que tirasse a roupinha da criança para que ele pudesse examiná-la. Naquele momento, nossa filha fez cocô. Tudo bem até aí: recém-nascidos fazem cocô sempre que têm vontade. Pedi, então, ao meu esposo, que me ajudasse trazendo a bolsa da neném com suas coisas (fraldas limpas, roupinhas, água e algodão para limpá-la…). “Bolsa? Cadê a bolsa?” ele me perguntou. E então nos demos conta de que havíamos esquecido a bolsa, arrumadinha com tudo o que precisaríamos para a saída da criança, no quarto dela em nossa casa… Situação embaraçosa e – de certa maneira – humilhante. Como ser uma mãe “exemplar” se esqueço a bolsa de minha filha em casa? Que pais somos nós: desorganizados, distraídos? E vejam que ela é nossa terceira criança! Deveríamos estar “craques” na arte de cuidar de bebês, certo? Errado! A lição que podemos tirar é a de que sempre é possível aprender, sempre é possível melhorar, nunca sabemos o bastante, nem somos perfeitos a ponto de não cometer deslizes. Vejam que o que está em jogo é nossa imagem. Embora não seja nada de tão grave, o que aconteceu afeta bem no fundo aquela vontade que cada um de nós tem de ser perfeito. Uma pequena humilhação que acabou sendo resolvida pelo próprio médico que nos emprestou uma fralda descartável e algum algodão umedecido em água para limparmos a pequenina. E, com humildade, aceitamos a ajuda alheia de alguém que estamos começando a conhecer…

Termino pedindo a Santo Inácio que nos inspire cada vez mais no caminho da santidade. Que possamos sempre nos exercitar espiritualmente para alcançarmos a vida que Deus escolheu para nós.

Boa semana a todos!

Cristiane

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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3 respostas para Onde está a bolsa?

  1. Marco disse:

    Olá Cris

    Primeiramente PARABENS pela pequena… Que ela continue o caminho de santidade que vemos em sua família !
    Incrivel seu post. Foi na mosca… Como pessoa e pai tenho essa luta constante. Como é dificil assumirmos nossas limitações não é ? Me inseri no seu exemplo e entendi exatamente o que vc quiz dizer.
    Obrigado pelas palavras de hoje… mto edificantes !!

    ate !

  2. Alessandra de Angelis disse:

    Parabéns pela filha querida e tb. pelo belíssimo texto, com tantos ensinamentos!!!!

    Alessandra de Angelis

  3. vreginato disse:

    Cris

    Parabéns pela filha! Lendo o seu post, precisei lembrar do título do meu livro: “Aprendendo a ser pai em dez lições”. Quando me perguntam por que “aprendendo”, eu respondo:
    É porque nós nunca saberemos tudo. O bom é sempre estar aprendendo. E aprendemos muito em situações comfilhos pequenos, como você bem escreveu. É uma benção!

    Abraço a família

    Valdir

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