“Todo mundo quer propina”

Bom dia!

Saiu na revista ÉPOCA da última semana o artigo de Walcyr Carrasco com o tema: “Todo mundo quer propina” (p 96). Ao término ele afirma:

“Há tanta corrupção que a gente nem tem mais consciência que é. Já vi dar gorgeta ao açougueiro do supermercado para garantir um filé melhor. Tem quem dê gorgeta ao maître para passar na frente na fila do restaurante. Colunistas sociais espalhados pelo país elogiam quem dá presentes. Alguns médicos da rede pública pedem um extra para operar um necessitado. Tem até uma senha: PF. E por aí vai.”

Fiquei pensando como os nossos filhos crescem com a visão do trabalho diante desta realidade descrita – infelizmente – com o conceito  do valor do trabalho adulterado.

Há alguns anos uma escritora publicou uma obra que dizia ser bom as crianças receberem alguma compesação por todo serviço que fizessem em casa, para aprenderem o valor do trabalho. Descontariam 10% para uma obra social, e assim aprenderiam a “caridade”. O livro foi um sucesso nos EUA. Lembrei dele ao ler o artigo da propina. Parece que estaríamos reforçando que todo trabalho só pode ser feito em casa se houver um PF.

A imagem de transmitir aos filhos que o trabalho deve ser realizado sempre como o melhor que tivermos condições de cumpri-lo (e em casa não é remunerado na maioria das vezes) relaciona-se ao amor ao próximo e ao amor a Deus, é um desafio da educação.  Aí está o nosso critério, e não porque existe um “PF”.

A propina está associada a corrupção, ao desonesto, a dar vantagem porque me beneficarei; e assim faço do meu trabalho uma atividade de egoísmo, ao invés de pensar no espírito de serviço.

Infelizmente não é tão difícil o tempo transformar conceitos em significados radicalmene diferentes do que se propunham na origem. O trabalho bem feito sempre esteve relacionado a qualificação do bom profissional em procurar servir o seu melhor. E agora o “bom serviço” está relacionado a falta de ética no trabalho, por não dizer nada pior, pois depende da propina.

A propina que sempre foi considerada um banditismo, uma atitude desleal, de aproveitamento dos mais fracos pelos mais fortes; agora é vista como uma garantia de que o serviço “sairá bem feito”, com garantias.

Isto está disseminado na sociedade como algo “natural”, dos “novos tempos”, e vamos nos acostumando. O problema maior está em que nós ainda temos uma cosnciência do passado, onde trabalhar era esforçar-se pelo melhor e propina era de bandido; no entanto, para nossos filhos, estes conceitos já se perderam no tempo e para eles ficarão, apenas, as “versões atualizadas”.

Acredito que não se pode perder a esperança e passar o conceito de valores corretos aos nossos filhos. Afinal, como dizia Leonardo da Vinci: ” o tempo é o senhor da verdade”. Um dia as coisas retornam ao seu verdadeiro significado, e espero que nossos filhos contribuam para isto por terem sido educados nos verdadeiros valores.

Até a semana!

Valdir

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Sobre vreginato

Casado e tem três filhos. Médico e Terapêuta de Família. Professor de Bioética, Históra da Medicina e Espiritualidade e Mediicna na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp, Coordenador da Pastoral da Família da Paróquia Nossa Senhora do Brasil
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Uma resposta para “Todo mundo quer propina”

  1. Cristiane disse:

    Muito apropriada a sua reflexão, Valdir… Realmente espero que tenhamos a sabedoria de mostrar aos nossos filhos o que é certo!
    Cris

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