Babás “milionárias”

Bom dia!

Ontem saiu no  “Estadão” uma reportagem interessante a respeito das babás brasileiras em Nova York. Elas são preferidas pelas americanas pelo “jeitinho” brasileiro e a capacidade de adaptação a outros serviços da casa enquanto cuidam das crianças. O salário varia de US$ 3.000,00 a 4.000,00, podendo chegar a mais. Seguramente maior do que muitos universitários recém-formados, digo nos EUA, é claro! Algumas chegam a receber além do salário prêmios fantásticos!

Chamou-me a atenção de uma babá que sustentou no Brasil dois filhos seus, com o salário que ganhava nos EUA, cuidando dos filhos dos outros. Sem dúvida uma carga de sacrifício brutal, emocionalmente falando, mas segundo ela, valeu a pena. Hoje os dois são formados no Brasil em universidades, e ela fala que mantém contato direto pelo skype.

Pergunto: será que o caminho é por aí?

Voltando ao Brasil. Será que muitas vezes não fazemos isso com os nossos filhos. Não que sejamos babás, mas muitas vezes dedicamos muito tempo a procura de ganhar mais para o sustento de nossos filhos e ficamos assistindo o desenvolvimento deles pelo skype. Será que vale a pena?

As nossas babás de NY reconhecem que é um sacrífício grande, uma opção de vida que não agrada, e reconheço que na luta muitas vezes fazemos opções, por falta de opção melhor. Contudo, penso que é um exemplo oportuno para avaliarmos em que estamos ocupando o nosso tempo para oferecer a mais aos nossos filhos. Se isto significa uma ausência exagerada do lar, afastamentos por viagens frequentes, horas de trabalho extras com frequência, por tempo indefinido, então…

Sabemos que estamos numa sociedade que cria necessidades a todo instante. Todos os dias estão apresentando coisas imprescindíveis que até ontem vivíamos sem tê-las. E os pequenos , até e principalmente adolescentes, compram este pacote com enorme facilidade, atraídos por propagandas com apelações que faz parecer o produto algo como tão necessário quanto o oxigênio que se respira.

É preciso que cada casal avalie se não estão sufocando no meio de tanto “oxigênio”. Dedicar mais tempo a presença com os filhos, ao invés de tentar oferecer mais coisas é o caminho melhor, e como sempre, o mais exigente aos pais. Porém, é necessário.

Tenho enorme apreço e respeito pela profissão de babá. Pessoas responsáveis por um tesouro que são os primeiros anos de uma criança, e as vezes por mais tempo. Contudo, gostaria dizer as que têm filhos, que cuidem também dos seus, o mais próximo possível.

Boa semana

Valdir

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Sobre vreginato

Casado e tem três filhos. Médico e Terapêuta de Família. Professor de Bioética, Históra da Medicina e Espiritualidade e Mediicna na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp, Coordenador da Pastoral da Família da Paróquia Nossa Senhora do Brasil
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3 respostas para Babás “milionárias”

  1. Luiz Coelho disse:

    Bom dia..

    Concordo que estamos em uma sociedade que cria a todo instante necessidades que antes não “precisávamos” ( por que não existiam ! ), mas acredito que o problema não está baseado no consumismo exacerbado.

    Nossos pais e avós não cursaram uma universidade ( hoje isso é, muitas vezes, pre-requisito para uma boa colocação no mercado de trabalho ); antes não precisava-se falar outro idioma, não precisava-se ter conhecimento em informática, MBA, pós, mestrado, ou cursos diversos; mas hoje, a seleção humana ( não a natural ) exige mais e mais de seus membros para conseguirem viver com dignidade.

    E ai eu pergunto….. Como os pais podem garantir, ou pelo menos dar o mínimo de recursos, para que seus filhos não fiquem aquém em uma sociedade cada dia mais competitiva ? Sem que haja investimento intelectual, que consequentemente demanda investimento financeiro ?

    Os pais que “negligenciam” algumas horas com os filhos, esperam estar dando para estes condições, cada vez mais complexas, de vivencia neste mundo moderno, porém nunca devem descuidar de seu aprendizado moral.

    Que pais seríamos se trouxéssemos ao mundo uma criança, e cuidássemos apenas de suas necessidades básicas ( como fazem os animais ) e espirituais; mas deixássemos aquém todo o seu potencial intelectual e as margens de uma sociedade implacável ?….

    “Aquele que dá ensinamentos a seu filho será louvado por causa dele, e nele mesmo se gloriará entre seus amigos.” (Eclesiástico 30,2)

    Abs.

    • vreginato disse:

      Luiz

      Você chutou o pau da barraca!

      “necessidades básicas” (como fazem os animais) ….

      Não, meu caro!!! Mas nós negligenciamos sim, quando trabalhamos para ter uma TV a plasma em cada quarto. Quando trabalhamos extra para dar a roupa da marca X. Quando nos ausentamos porque o que vão dizer se eu não levei meus filhos na Disney quando pequenos, (E eu não levei, porque não tinha dinheiro). Quando não vejo meus filhos porque ele “precisa” ter um celular novo a cada seis meses, Quando deixo de dar ensinamentos porque esbanjo vaidade dizendo que “preciso” me vestir “bem” pela profissão…. E muito mais que poderíamos acrescentar.

      Aliás no tempo do Eclesiástico não existia nada disso, e dar ensinamentos significava conhecer a Deus e a sua palavra, ser obediente por amor, e saber comportar-se como pessoa digna.

      Quanto aos animais, acredito mesmo que muitos deles cuidam da sua cria melhor do que alguns pais…infelizmente.
      Valdir

  2. Cristiane disse:

    Muito apropriada sua reflexão, Valdir. Realmente precisamos estar sempre atentos se o nosso trabalho não está nos afastando de nossos filhos… Eles precisam e querem nossa atenção!
    Que Deus nos dê temperança, também na quantidade de horas de trabalho, para que estejamos perto daqueles que amamos tanto.
    abraço,
    Cris

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