Quinta-feira Santa

A Eucaristia não é um “rito de comunhão, de socialização”. Declarou o Papa, para alertar contra o “perigo de redimensionar o mistério eucarístico”, durante a catequese da audiência geral, dedicada à figura de Ruperto de Deutz, “escritor fecundo, ativo em várias e importantes discussões teológicas da época”. Ruperto, por exemplo, “interveio com determinação na controvérsia eucarística”, que em 1077 havia conduzido à condenação de Berengario de Tours, culpado por ter dado “uma interpretação redutiva da presença de Cristo no sacramento da Eucaristia, definindo-a apenas simbólica”. Embora “na linguagem da Igreja não havia surgido ainda o termo transubstanciação”, precisou Bento XVI, Ruperto “se tornou um determinado defensor do realismo eucarístico”. Uma advertência, esta, válida também no “nosso tempo” – acrescentou o Papa improvisando, de própria memória – em que “muito facilmente nos esquecemos que na Eucaristia está presente Cristo ressuscitado com o seu corpo, para nos retirar de nós mesmos, incorporar-nos em seu corpo imortal e guiar-nos, assim, à vida nova”. “É realmente um grande dom a presença real de Cristo no sacramento da Eucaristia: é um mistério a ser adorado e amado!”, exclamou o Papa, citando o Catecismo da Igreja Católica, no qual se afirma que “sob as espécies eucarísticas do pão e do vinho” está presente “Cristo todo inteiro: Deus e homem”.

(Audiência geral do Papa Bento XVI: a Eucaristia não é um “rito de comunhão, de socialização”. http://fratresinunum.com/2009/12/09)

 

Hoje, na Quinta-feira Santa, celebramos a instituição da Eucaristia. Jesus reúne seus apóstolos e se entrega a eles, oferecendo-lhes seu corpo e seu sangue nas formas do pão e do vinho. Já era o mistério da paixão, da entrega da vida, que ele fazia de modo não cruento, ou seja, utilizando-se de duas matérias paupáveis e comestíveis para a nossa humanidade carente.

Sempre reflito quão delicado Deus é ao pensar em nossa realidade humana carnal. Somos carne e necessitamos do concreto, do paupável. Nossa dimensão espiritual leva em conta que somos também corpo e que devemos rezar com tudo o que temos, devemos acreditar também com o corpo, devemos alimentar também o corpo.

O trecho transcrito acima é de 2009, de uma audiência geral do Papa Bento XVI, e nos ajuda a entender ainda mais a verdade sobre a Eucaristia. O papa alerta para o fato de não a considerarmos uma “socialização”. Isto empobrece e desvirtua o verdadeiro caráter da Eucaristia. Segundo o papa, “muito facilmente nos esquecemos que na Eucaristia está presente Cristo ressuscitado com o seu corpo, para nos retirar de nós mesmos, incorporar-nos em seu corpo imortal e guiar-nos, assim, à vida nova”. É Jesus, portanto, vivo ali! Presente em seu corpo, sangue, alma e divindade. Todos comungamos e nos aproximamos mais uns dos outros, mas não é este o centro da Eucaristia, não é a comunhão ou socialização.  Trata-se de um “perigo de redimensionar o mistério eucarístico” ao a interpretarmos apenas como fator de união entre os fiéis. É claro que isto é uma consequência. Somos um em Cristo. Mas hoje, de modo especial, precisamos resgatar o valor da presença santa de nosso Deus no pão e no vinho. Presença que nos tira de nós mesmos, segundo Bento XVI, e nos incorpora ao corpo imortal de Cristo rumo à vida nova. Deus vai entrando em nosso corpo também, transformando-o, santificando-o. É uma grande graça termos o próprio Deus encarnado em nossa vida.

“É realmente um grande dom a presença real de Cristo no sacramento da Eucaristia: é um mistério a ser adorado e amado!”, exclamou o Papa, citando o Catecismo da Igreja Católica, no qual se afirma que “sob as espécies eucarísticas do pão e do vinho” está presente “Cristo todo inteiro: Deus e homem”.

Como pais e primeiros catequistas de nossos filhos, lembremos hoje de revelar a eles esta verdade. É Jesus! É nosso Deus aqui presente! Nunca tive receio de falar isso aos meus filhos, ainda que fossem muito pequeninos, porque não é para ser entendido apenas… É mistério de fé! Quem me garante que eles, mesmo tão crianças, não sejam capazes de acreditar? De absorver esse mistério de fé? É provável até que o façam com mais devoção e pureza do que nós adultos, já tão acostumados a racionalizar tudo…

Boa Quinta-feira Santa! Feliz encontro com Jesus em sua Eucaristia!

Cristiane

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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Uma resposta para Quinta-feira Santa

  1. vreginato disse:

    Cris

    Muito bem lembrado este mistério da Fé, que “facilmente nós esquecemos”, ou pior “nos acostumamos” como algo corriqueiro e temos o risco da indiferença.

    FELIZ PÁSCOA

    Valdir

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