São José: pai e trabalhador

Bom dia!

Estamos iniciando a semana com uma grande festa: São José!

Evidentemente não poderia faltar numa coluna sobre trabalho e família a data de São José. Embora a pessoa deste grande santo já seja familiar dos nossos leitores, o dia de hoje se apresenta com um motivo especial, pois é o seu dia.

Não se sabe ao certo a profissão de São José, mas tudo indica que deveria ser relativo ao trabalho de um  artesão. Alguém habilidoso nas mãos, até um artista, que trabalhava para atender a demanda daqueles que o procuravam vivendo ao redor. Naquela época era comum a dedicação a agricultura e ao pastoreiro, de modo que os artesãos não deveriam ser em grande número. Necessitavam de instrumentos para o trabalho, assim como uma determinada técnica mais elaborada. O trabalho deveria ser bastante diversificado, visto que não existiam  muitos “especilistas” em setores determinados. Não importa, o que é mais importante é pensar que mediante o seu trabalho sustentav a família, mantinha um relacionamento social, e foi mestre de Jesus, seu filho, que também trabalhou como o pai.

São José não tinha facilidades no trabalho, como querem assinalar alguns evangelhos apócrifos, pelo fato de contar com a colaboração de Jesus. O seu esforço era humano. O seu cansaço era humano. As suas dificuldades, as enfrentadas igualmente por todos os trabalhadores.

Diante da figura de São José, temos o exemplo da dedicação na direção da “perfeição” humana, dentro das possibilidades do esforço pessoal. Trabalho diário, disciplinado, dedicado, coma as pausas necessárias para o descando e a convivência familiar, mas sem se deixar levar pela preguiça em atrasar o que fora solicitado.

Dificuldades de deslocamentos sem a segurança humana do que aconteceria, quando vai para o Egito, obedecendo pela fé as palavras do anjo. Reiniciar numa terra distante, sem facilidades, sem os seus instrumentos que ficaram para trás na oficina. Passados os anos, quando já deveria estar com certa clientela, retorna a terra de origem, e novamente deve recomeçar. Obediente, silencioso, mas não apático.

Em São José podemos encontrar todas as possibilidades de um chefe de família. Nas poucas, e ricas passagens do evangelho, onde nada se escuta de sua boca, podemos tirar lições para qualquer dificuldade de um pai de família. Sem alardes, sem reclamações, passa oculto, mas não omisso. Está presente sempre, sem querer ser o protagonista. Entende o seu lugar na obra de Deus.

Trabalha a ponto de Jesus ser conhecido como o “filho do carpinteiro”. Referência de alguém que deveria ser reconhecido na cidade, por seu trabalho, por sua vida social, por sua história. Não é ignorado pela comunidade.

Gosto de pensar em José, não só no seu trabalho profissional, mas também na sua dedicação aos trabalhos domésticos em auxílio a Maria. Gosto de imaginar a dor que passou ao precisar acomodar o filho numa manjedoura, quando certamente deveria ter feito um berço para o filho que não pode levar a Belém no lombo de um burrico. Imagino a pobreza de José, apesar da dedicação ao trabalho, podendo oferecer somente um par de rolas (oferta dos mais pobres)  ao templo pela ocasião da apresentação do filho. Penso em José como ele “desaparece” dos relatos evangélicos, como alguém que já cumpriu o seu dever, mas não tem qualquer detalhe em relação a sua importância pessoal.

José e a personificação da modéstia que é conduzida à glória pela admiração que provoca a sua simplicidade. O seu carisma sem “estrelismo”. A sua forte personalidade sem truculência. A sua mensagem transmitida pelo silêncio.

Que estejamos nesta semana, muito próximos a José. Olhando para ele durante o nosso trabalho. Aprendendo com ele a sermos santos na realização de nosso trabalho e ajudando aos demais a santificarem os seus trabalhos no exemplo de José.

São José, rogai por nós.

Valdir

 

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Sobre vreginato

Casado e tem três filhos. Médico e Terapêuta de Família. Professor de Bioética, Históra da Medicina e Espiritualidade e Mediicna na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp, Coordenador da Pastoral da Família da Paróquia Nossa Senhora do Brasil
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2 respostas para São José: pai e trabalhador

  1. Lutfe Yunes disse:

    Valdir, muito obrigado pelas suas palavras e reflexão. Que sejamos como São José!!!

    Abs,

    Lutfe

  2. Cristiane disse:

    Gosto muito das imagens de S. José carregando Jesus no colo. Fico a imaginar que ele estava ajudando Maria que naquele momento deveria estar fazendo outra coisa ou estava simplesmente descansando…
    Cris

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