Mesada: como usá-la.

Bom dia!

Conforme conversamos na última segunda, vamos continuar falando sobre “salário” em casa para os filhos. Hoje com o assunto da mesada.

Esta pode ser um bom instrumento de educação quando bem aplicado aos filhos. Conhecer que as coisas materiais tem valor, que o trabalho tem um certo significado de ganho financeiro, e ensinar a planejar os gastos, faz parte da educação. Afinal, não somos anjos, e não vivemos nas nuvens.

As técnicas de inserir a mesada são variadas, e os modelos se adaptam a cada família conforme as características próprias. Contudo, em todas elas deve existir um denominador comum: O DINHEIRO NAS MÃOS DOS FILHOS DEVE SER “CURTO”.

Vejamos. A idade opara se iniciar isto deve estar no mínimo quando a criança sabe fazer as operações matemáticas simples, a fim de conferir troco e saber o que está pagando. É recomendável que não se inicie com MESADA, mas com SEMANADA, ou mesmo o dinheiro para um dia. As crianças menores não tem como planejar um mes inteiro.

É conveniente que os primeirops gastos que os filhos farão sejam orientados pelos pais, ou seja, o dinheiro é oferecido não para fazer o que quiser, mas para comprar determinada coisa. Exemplo: o lanche da escola, ou do passeio. É bom que se pense que embora o dinheiro saia com um objetivo educacional para que a criança entenda o valor das coisas, ela pode NÃO comprar o combinado e ficar com o dinheiro para outros fins.

A medida que os filhos crescem, cresce a responsabilidade e a capacidade de gerenciamento. Da semana passamos a mesada e perdemos um pouco a noção do que estarão fazendo com o dinheiro. Nesta fase, em que estarão na puberdade ou adolescência, já não se tem controle somente da compra do lanche. Poderá ser utilizado para uma condução, um livro, ou até mesmo a entrada de cinema ou um sorvete com amigos.

O dinheiro da mesada é para ser administrado pelos filhos nesta etapa, e portanto, a cobrança direta sobre o que fez com o dinheiro não cabe. É preciso se dar um voto de confiança aos filhos. Porém, não é demais uma certa vigilância a distância. Reparar se não está aparecendo com coisas “extras” em casa. Ou se está deixando de comprar o que estava no orçamento como o lanche, e o livro que disse que compraria. Observar se no fim de semana pede uma “ajuda” porque a mesada já acabou no meio do mes. Lembrar que a rédea para o dinheiro, principalmente nos anos de puberdade e adolescência deve ser curtas.

No entanto, conforme crescem  a liberdade no uso do dinheiro vai se tornando cada vez mais pessaol. Pouco a pouco a mesada pode demosntrar o perfil do filho. Verificaremos que alguns são “mão fechada” e guardam tudo. Outros são “generosos” demais e estão sempre sem nada. Alguns chegam a começar a emprestar dinheiro e tem aqueles que já fazem dívidas com os amigos. É preciso estar atento para conversar.

Lembrem que nesta idade, uma vez dada a mesada, o dinheiro é do filho e não mais dos pais. Se ele desejar juntar a quantia para comprar um blusão diferente, ou o presente especial do namorado é uma questão pessoal. Por isto enfatizamos que não podemos deixar o dinheiro solto. Ele – o dinheiro –  pode levar os filhos a caminhos que não desejamos. O assunto das drogas aqui é inevitável de ser lembrado!

Incentivar os filhos que demosntram iniciativar de empreendedorismo nesta fase, ainda que com seus poucos recursos é elogiável. Conheci um pai que ao perceber o esforço do filho em guardar uma parte da mesada para comprar um violão no fim do ano, e não conseguindo chegar ao valor total, recebeu o violão do pai completando o que faltava.

Um outro caso foi interessante, embora esta conduta não seja unânime. Da mesada se pedia aos filhos que deixassem uma pequena percentagem para “ajuda” da casa. Porcurando fazer com que os filhos compreendessem que todos deveriam ajudar. Com o passar dos anos, na formatura do filho, este que guardara uma parte da mesada para comprar um pequeno carrro para si, se percebeu na falta de dinheiro para completar o valor. Comentando com o pai, este lhe perguntou o que faltava. Diante da informação o pai comprou o carro ao filho, e disse que com o que havia colaborado na casa naqueles anos pode agora ajudar o filho a completar o custo do veículo.

Interessante é observar se os filhos utilizam espontaneamente uma parte da mesada para “doações” ou esmolas. A generosidade com o dinheiro demonstra um crescimento do coração. Neste aspecto, não esquecer que quando compramos coisas novas podemos estar doando aquilo que não usamos mais, a quem não tem.

O assunto vai longe, mas podemos perceber que falar de dinheiro não pode ser visto como um tema de “utilitarismo” materialista em família. O dinheiro quando empregado de modo adequado, torna-se instrumento de educação de virtudes, crescimento do coração, e um vínculo de amizade entre pais e filhos.

Até a semana.

Valdir

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Sobre vreginato

Casado e tem três filhos. Médico e Terapêuta de Família. Professor de Bioética, Históra da Medicina e Espiritualidade e Mediicna na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp, Coordenador da Pastoral da Família da Paróquia Nossa Senhora do Brasil
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Uma resposta para Mesada: como usá-la.

  1. Lutfe Yunes disse:

    Muito legal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Parabéns e obrigado!!!!

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