Samuel, Samuel

Samuel era criança ainda e não percebia que, durante a noite, quem lhe chamava era o Senhor. Duas vezes acordou e foi ter com Elias para saber o que ele queria. Foi então que Elias se deu conta de que quem chamava Samuel era o Senhor. Ensinou-lhe a responder: “Fala, Senhor, que teu servo escuta.” E assim Samuel o fez.

No último domingo, enquanto meditávamos esta leitura do livro de Samuel (I Sam 3) , fiquei a pensar que nós, pais, somos de certa forma chamados a desempenhar o papel de Elias na vida espiritual de nossos filhos. Precisamos ensiná-los a reconhecer e a responder aos chamados do Senhor. Uma criança vai crescendo e aprendendo muitas coisas na vida do dia-a-dia e não pode ser diferente quando pensamos na vida espiritual.

E o que seria um chamado do Senhor para uma criança? Todas as vezes que temos a chance de escolher fazer o bem estamos respondendo ao chamado do Senhor. Todas as vezes que evitamos fazer o mal estamos respondendo ao chamado do Senhor. Ser cordial, ser legal com os amigos, reponder com educação, ajudar quem estiver precisando e uma série de atitudes simples e diárias que podemos desempenhar são resposta ao chamado do Senhor. Nossos filhos precisam ter consciência disso. O Senhor os chama a viver bem as pequenas escolhas diárias.

É claro que este exercício diário de escolhas corretas vai ajudá-los no futuro nas escolhas maiores: que vocação seguir? Vou servir mais ao Senhor seguindo o sacerdócio, a vida religiosa, a vida matrimonial? Que profissão me permitirá trabalhar com alegria, melhorando o mundo e o espaço a minha volta, de forma a colaborar com o crescimento do Reino de Deus? Quem exercitou fazer boas escolhas ao longo da infância e adolescência vai ter discernimento de responder ao chamado do Senhor para a vida adulta.

Para finalizar, deixo um pequeno exemplo que ocorreu no mesmo domingo passado, um pouco antes de irmos para a missa. Meu filho de 6 anos começou a dizer que não queria ir à missa, que queria jogar video-game naquele horário e começou a choramingar e a repetir incansavelmente que preferia o video-game a cada vez que eu lhe dizia que iríamos à missa. Foi então que tive uma inspiração. Disse a ele que eu, seu pai, seu irmão mais velho já tínhamos feito nossa escolha; que era a vez dele de fazer a escolha dele; que ninguém poderia fazer por ele. Ele deveria pensar qual era a melhor escolha naquele momento: um domingo, dia de ir à missa! Ele ficou pensativo e parou de reclamar… Fomos todos à missa e, quando voltamos, ele pôde jogar video-game.

Boa semana a todos!

Cristiane

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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2 respostas para Samuel, Samuel

  1. vreginato disse:

    Cris

    Uma colocação inesperada para uma criança de seis anos, onde teve sua liberdade avaliada sem muita consciência. É o caminhar “inseguro” dos pais que educam seus filhos para a liberdade e não para simplesmente repeti-los. É preciso arriscar muitas vezes sem a certeza da resposta, mas sempre com esperança na ação do Espírito Santo.
    Mais uma vez tenho certeza que Ele não faltou nesta hora e o garoto decidiu pela missa, talvez pelo receio de ficar sozinho em casa, e não por devoção. Mas é necessário contar com a ajuda de Deus sempre e confiar. Certamente o video game, naquela hora, faria mais sentido para ele do que a Missa, mas a vida é assim, precisamos nos acostumar a ouvir o chamado do Senhor, ainda que não o compreendamos totalmente. Assim fizeram muitos santos que hoje se encontram em Deus.
    Uma atitude de uma mãe de coragem e com fé. Como Deus havia de não assisti-la?
    Parabéns!

    Valdir

    • Cristiane disse:

      Talvez o que tenha acontecido, Valdir, foi ele ter pensado “vou perder essa briga”… Já percebi em outras situações que, quando paro de confrontar, paro de oferecer argumentos etc etc, e deixo “você decide” acontecer, reforçando que ele é inteligente, que ele sabe o que é certo, o que é bom, ele “perde a força de reclamar” – afinal de contas reclamar é bom quando há discussão/confronto.
      Mas você tem toda a razão. Ainda falta muito para que ele vá à missa por devoção… Vai porque nós dizemos que tem que ir.
      abraço,
      Cristiane

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