Quantos filhos?

Hoje em dia no Brasil, quando se ouve esta pergunta, a resposta mais imediata é: 2 e, não raro, 1. O número de membros de uma família foi decrescendo ao longo das últimas décadas em nosso país. Muitos foram os fatores. Penso que um dos principais foi a questão econômica que obrigou a mulher a entrar no mercado de trabalho e, por conta disso, criar filhos foi ficando cada vez mais complicado para quem tem uma carga horária de trabalho tão cheia. Não quero, porém, entrar na discussão das causas aqui. Gostaria de encaminhar a reflexão de hoje para outro ponto: por que será que existe praticamente uma unanimidade entre as brasileiras quanto ao número de filhos?

A mentalidade de que ter filho é dispendioso, é trabalhoso, exige tempo e esforço, se espalhou entre as brasileiras. Não nego que seja verdade! Todos bem sabemos quanto “custa” um filho… Mas por que 2? De preferência, um casal? Será que a televisão, com suas telenovelas, foi desenvolvendo um “modelo” de família com pai, mãe e dois filhos? De onde vem este “modelo”? Mesmo casais mais abastados, cuja renda familiar certamente sustentaria uma família numerosa, insistem em que 2 filhos é o ideal para a família de hoje.

Onde está a generosidade e a abertura à vida, tão preciosa e vivida não muito tempo atrás por nossos pais e avós? Quem tem 3 filhos é visto como “corajoso”! 4 ou 5 filhos, então, é considerado “maluco”.

Confesso que fiquei muito feliz, nos últimos 4 anos em que vivi nos Estados Unidos, ao conhecer muitas famílias numerosas. É muito comum encontrar famílias com 4 ou 5 filhos nas missas dominicais. Às vezes, até mais numerosas do que isso. É claro que as facilidades que existem naquele país proporcionam condições favoráveis para isso, mas sem dúvida há uma abertura maior à vida por parte dos casais, especialmente, os católicos, para a bênção de ter vários filhos. Não existe um padrão, como aqui. E as famílias são muito felizes; as crianças maiores ajudam a olhar as menores e as mulheres são assumidamente mães! Muitas se afastam temporariamente do trabalho, ou diminuem a carga horária para se dedicaram aos filhos.

O comentário do Valdir no post da semana passada também aponta um outro lado desta questão: “É necessária uma nova onda de motivação à maternidade. A Europa, após décadas de afastar a ideia da maternidade da mulher, colhe frutos amargos agora com uma população bastante envelhecida, além de todos os problemas a ele relacionados.” Fico aqui a pensar se, no Brasil, não estaríamos caminhando para algo parecido ao que aconteceu na Europa… Precisamos resgatar nossas famílias! Precisamos resgatar o direito a ter filhos, com dignidade, e denunciar essa mentalidade fechada, muitas vezes mesquinha, de filho único! A Igreja ensina que o casal deve ter autonomia para decidir quantos filhos terá. Entretanto, até que ponto a mentalidade da família com 4 membros engessou a liberdade de decisão dos casais de hoje?

Não tenhamos medo! Os jovens precisam de novos modelos de famílias estruturadas e felizes.

Termino, anunciando a vocês, queridos leitores e amigos, que estou esperando um bebê, o terceiro em nossa família. Meus dois filhos, de 9 e 6 anos, estão contentíssimos com a expectativa de ter um irmãozinho/a. E eu e meu esposo estamos muito felizes com mais este presente de Deus para nós!

Cristiane

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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7 respostas para Quantos filhos?

  1. vreginato disse:

    Cris

    Antes de mais nada PARABÉNS! Nada pode superar a alegria de esperar por um filho num lar com amor e carinho, esta confiança que deus nos dá!

    Concordo com o que disse quanto ao “padrão” dois filhos, que parecem se “adequar” a modelos que possam dar segurança para uma “boa educação”. São limites que se encontram, na mairoria das vezes, muito mais no comodismo e egoísmo, do que na alegria em servir.

    Pode-se sim, ter um ou dois filhos, de maneira responsável e agradecido a Deus por isto. Nunca a Igreja disse que temos que ter dez filhos! O importante é a condição de coração que se estabelece no casal para que possa estar a serviço das suas promessas no altar, confiantes na assistência de Deus.Sem dúvida tudo é uma condição da nossa confiança em Deus.

    É triste vermos mulheres com muitos filhos, de pais tão diversos, onde não houve a constituição prévia de uma família. Contudo, este não pode ser o motivo de fecharmos as portas da vida daqueles que se comprometeram com o matrimônio cristão.

    Obrigado pela sua coragem em escrever e felicidades com o crescimento da família!

    Valdir

    • Cristiane disse:

      Obrigada, Valdir.
      Que nossa confiança em Deus cresça cada vez mais, sabendo que Ele proverá nosso futuro. Permitir que a família cresça é, sem dúvida, confiar na assistência divina…
      Cristiane

  2. Luiz Coelho disse:

    Bom dia..

    Primeiramente gostaria de desejar toda a saúde e felicidade para você e sua família e que Deus ilumine-os mais ainda com a chegada de mais um ente querido !!!

    Quanto ao seu texto gostaria, se me permitir, de fazer algumas observações que acredito possam ser apreciadas, ou não; mas certamente irão enriquecer o assunto e trazer mais pontos de reflexão e até, quem sabe, dúvidas !

    Não pretendo entrar no mérito econômico, da perda do poder aquisitivo familiar, e da necessidade da entrada da esposa no mercado de trabalho para compor a renda do lar; mas com certeza isso é um fato importante para entender o porque da diminuição do número de filhos dos casais atuais !

    http://economia.ig.com.br/criseeconomica/crise-faz-pais-abandonarem-filhos-na-grecia/n1597566041414.html

    Tão pouco vou tecer comentários a favor ou contra as diversas técnicas de fertilização e as sutilezas morais em cada uma delas, se são ou não fiéis aos preceitos cristãos para promoverem a gestação.

    A maternidade, e como você mesma disse “..a generosidade e a abertura à vida..”, devem necessariamente passarem pela gestação da mãe, seja ela natural ou provocada pela medicina moderna da mãe ?

    Tinha como amigos um casal de senhores ( na casa dos seus sessenta anos ), que tinham uma filha única e infelizmente foi ao encontro de Deus por um acidente. O desespero do casal na missa de sétimo dia da filha foi uma das coisas mais tocantes que já presenciei…e agora como irão viver sem a tão amada filha ?

    Após alguns meses notava-se um certo grau de conformismo por parte do esposo sobre o ocorrido; entretanto o sentimento de revolta, injustiça, descrença da esposa só pareciam aumentar; até que o marido sugeriu a adoção de uma criança para preencher o vazio deixado em sua família. A ideia foi recusada e ridicularizada pela esposa, familiares e amigos.

    Ocorre que passado um tempo, a ideia foi aceita e o casal de senhores era agora pais de uma linda menina…tudo parecia bem, até que se descobrisse que o marido era portador de câncer já em um estágio avançado….e veio a falecer em poucos meses !

    Toda essa história serviu apenas para eu poder relatar que o sentimento desta senhora de quase setenta anos, a sua felicidade em doar-se incondicionalmente em todas as circunstâncias, em abdicar-se, em ter força de vontade e determinação para cuidar de sua filha pequena é realmente a demonstração mais pura da maternidade

    Quando converso com ela sinto a crença em Deus crescer cada vez mais quando a escuto dizer..: “Sou grata por Deus ter me dado a maternidade novamente” .

    Maternidade não se regra pela necessidade da gestação, significa muito amor, felicidade, alegria, muitos momentos agradáveis e a certeza da continuação da vida; com ou sem o nosso DNA. Quando temos a chance de ainda observar casos como esse narrado, que tudo deu certo, apesar das incertezas iniciais, isso é algo que nos dá a certeza de que a vida, qualquer que seja, é uma dádiva divina

    Por isso, eu concordo quando diz : “. É necessária uma nova onda de motivação à maternidade..”, não apenas a maternidade uterina, mas a maternidade do coração !

    O escritor Monteiro Lobato escreveu um conto cujo título é “Negrinha”. Narra a história de uma menina de 7 anos, negra e órfã, vítima do preconceito, tratada como coisa. A história se passa alguns anos depois da abolição da escravidão no Brasil.
    No dia em que Negrinha segurou uma boneca nos braços pela 1ª vez, seu instinto materno foi despertado e ela, que sempre fora tratada como coisa, descobriu-se como um ser humano:

    “Dá a natureza dois momentos divinos à vida da mulher: o momento da boneca, preparatório, e o momento dos filhos – definitivo. (…) Negrinha, coisa humana, percebeu nesse dia da boneca que tinha uma alma. Divina eclosão! Surpresa maravilhosa do mundo que trazia em si e que desabrochava afinal como fulgurante flor de luz. Sentiu-se elevada à altura de ente humano. Cessara de ser coisa e doravante ser-lhe-ia impossível viver a vida de coisa.”

    Essa é a missão da maternidade: Conduzir a vida, toda a vida, na busca da verdade, do amor. Sem isso é como se deixássemos de existir. Como se não tivéssemos alma.

    Para encerrar, penso ter sido sua conclusão : “…Precisamos resgatar nossas famílias! Precisamos resgatar o direito a ter filhos, com dignidade, e denunciar essa mentalidade fechada, muitas vezes mesquinha, de filho único! “…desproporcional, digna de soberba e fora da assertiva sobre o tema maternidade.

    Entretanto acertou ao dizer : “..Não tenhamos medo! Os jovens precisam de novos modelos de famílias estruturadas e felizes.”.. modelos de amor ao próximo, modelos altruístas, modelos de compaixão e solidariedade !

    “O obstáculo para as descobertas não é a ignorância, mas a ilusão do conhecimento” !

    Abs.

  3. Cristiane disse:

    Obrigada, Luiz Coelho.
    A história que você contou é realmente emocionante e marcante. Exemplo concreto de doação através da maternidade.
    Gostaria apenas de tentar esclarecer que minha conclusão diz respeito àqueles casais que, tendo um único filho e podendo ter 2 ou 3, se fecham e não são generosos. Sou ciente de que vários casais podem apenas ter 1 filho e, para eles, a medida é esta.
    Cristiane

    • Luiz Coelho disse:

      Bom dia….eu havia entendido o seu ponto de vista anteriormente, mas acredito que você não tenha percebido o meu !

      “..àqueles casais…PODENDO ter 2 ou 3, se fecham e não são generosos .Sou ciente de que vários casais PODEM apenas ter 1 filho..”

      O fato de poder ter ou fazer algo, não implica em ter de fazê-lo ou obtê-lo; tão pouco significa falta de generosidade ou mesquinhez !

      Dezenas de famílias com pouca ou nenhuma instrução de planejamento familiar, principalmente as de baixa renda na região nordeste do país possuem uma média acima de 05 filhos…..se eles PODEM ter essa quantidade de filhos, então você ainda teria passar por mais algumas gestações ou adoções para não ser mesquinha ou “avarenta”, segundo o seu raciocínio! –rs-

      Abs.

  4. Cristiane,

    Eu me interesso por essa questão de filhos há muito tempo. Sou Economista por formação e ainda farei um estudo a fim de demonstrar se as mulheres entraram no mercado do trabalho por necessidade ou por desejo. Penso que a pílula anticoncepcional tem um forte impulso neste sentido e também a mudança no comportamento sexual. O questão é complexa. Já escrevi sobre o tema em duas ocasiões no meu Blog. Veja o que acha:

    http://algosolido.wordpress.com/2010/12/12/mais-filhos-para-o-mundo/

    http://algosolido.wordpress.com/2011/05/08/a-dona-de-casa/

    http://algosolido.wordpress.com/2011/05/08/a-dona-de-casa-o-bolo-e-o-calculo-do-pib-%E2%80%93-parte-2/

    Na verdade, o Blog tem somente dois artigos e uma introdução. Não consegui levar adiante, mas agora retornei e neste final de semana da Carnaval, devo publicar algo novo e no máximo na semana que vem.

    No momento, estou escrevendo um livro. Um romance de ficção que tem por finalidade mostrar a mudanças nas família através dos anos.

    Abraço,

    Eduardo Pereira.
    Santo André-SP

    • Cristiane disse:

      Eduardo, que bom receber seu comentário. Li seus textos e gostei de seu ponto de vista. É interessante perceber os argumentos de quem é economista. Por exemplo, gostei da distinção que você aponta entre “consumo” e “consumismo”. Também concordo com você sobre a infelicidade de algumas mulheres que abdicaram da maternidade. Existem ainda aquelas que deixaram para ter filhos mais tarde e não conseguiram – a frustração é grande. Também acho que precisamos revalorizar o trabalho da Dona de Casa, tirando o caráter depreciativo a que está vinculado! Toda uma nova mentalidade precisa ser construída resgatando a verdadeira dignidade da mulher. Além disso, esposo e esposa precisam viver uma vida de equilíbrio entre trabalho fora de casa e dentro de casa. Felizmente muitos maridos já perceberam isso. E é de exemplos como o de novas famílias que estão aprendendo a ser família de novo que, na minha opinião, se encontra a nossa esperança.
      Espero continuar dialogando com você!
      abraço,
      Cristiane

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