A importância dos avós

Antigamente nem existia avô ou avó, pois as pessoas morriam muito cedo. Essa figura é uma novidade do ponto de vista evolutivo e cultural. Mas, mesmo de duas gerações para cá, as coisas mudaram muito. Hoje aquela figura da avó de cabelos brancos, fazendo tricô na cadeira de balanço é coisa do passado. Com o aumento da expectativa de vida, os avós hoje têm muito mais energia e vitalidade para acompanhar as brincadeiras dos netos” (Lidia Rosenberg Aratangy).*

E como faz bem para um criança poder conviver com seus avós. O tipo de carinho é diferente daquele recebido dos pais, até porque os avós, muitas vezes, curtem mais as crianças e são mais flexíveis do que os pais. Muito provavelmente porque já educaram os seus filhos e sabem, com tranquilidade, que demonstrar amor é mais importante, e – arriscaria dizer – eles têm mais paciência do que nós pais. Eu mesma vi muitas vezes meu pai brincar de futebol com os netos; vi minha mãe contando histórias na hora de dormir, com um carisma que só mesmo sendo avó!

Por conta da carga de trabalho fora de casa, muitos pais precisam contar com o apoio do avós para cuidarem dos filhos. Aposentados, ainda jovens e com bastante energia, muitos avós cuidam de seus netos enquanto os filhos trabalham fora. Para as crianças, ficar com os avós, em vez de ficar na escola ou creche o dia inteiro, pode ser muito benéfico emocionalmente.

Alguém poderia argumentar: “mas a interferência dos avós não atrapalha a educação que os pais estão desenvolvendo?” Diria que, como em tudo na vida, também neste aspecto, devemos ter a sabedoria de acolher os bons conselhos que os avós podem nos oferecer, sem deixar de lado nossa responsabilidade de educar nossos filhos no dia-a-dia. Muitas vezes, como pais, temos uma visão do contexto de certos comportamentos de nossos filhos e isso nos dá a clareza de agir/falar de determinada maneira. Nestas horas, os avós devem saber respeitar e manter a devida distância. Por outro lado, os avós, por estarem do “lado de lá”, podem perceber equívocos que os pais, tão envolvidos na situação, não percebem. Neste caso, nós pais temos que ter a humildade de escutar e acatar os bons conselhos que eles podem nos dar.

A verdade é que cada situação vai nos dizer como agir. E o mais importante: devemos ter a liberdade e o interesse de perguntar: “Estou agindo certo?” “O que devo fazer quando meu filho faz isso ou aquilo?” Como é bom saber que não precisamos estar sozinhos na árdua tarefa da educação! Com certeza, na sabedoria da própria experiência de vida que os avós têm, poderão nos responder e ajudar. Tenho um exemplo claro.

Minha sogra estava nos visitando por uns dias (devo esclarecer que moramos fora do país há 4 anos; portanto, estamos longe da família e quase não temos “interferências”, mas às vezes sinto falta delas). Minha insegurança diante do temperamento de um dos meus filhos – o que fazer diante das manhas? Estou cedendo? Estou sendo dura demais? – me fez perguntar para ela se via alguma coisa no meu comportamento de mãe que não estava correto. Isso ocorreu depois de uma missa dominical. Senti que deveria perguntar… obra do Espírito Santo, com certeza! E ela me mostrou que eu estava cedendo às manhas do pequeno. Na véspera, num restaurante, ele não tinha terminado a refeição e quis sobremesa. Meu esposo alertou que, se não comesse tudo, não teria direito ao doce… Passados uns segundos de muita manha, eu acabei cedendo e pedindo o sorvete pra ele. Confessando agora parece horrível o meu comportamento, não  é mesmo? Mas o fato é que fiz tudo isso por um mecanismo de “barganha” com meu filho, sem me dar conta de que estava sendo vencida. Minha sogra na hora não falou nada, mas, quando lhe perguntei, teve a oportunidade de me mostrar.

A partir daquele dia, passei a ser mais firme. Para o bem de meu filho!

Possamos agradecer a Deus a oportunidade de sermos a geração que está experimentando, com tanta proximidade, a presença dos avós de nossos filhos em nossa vida familar. A família, hoje, com certeza é mais rica sendo assim…

* Psicóloga e terapeuta familiar.

Fonte: http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/ligia-aratangy-486953.shtml

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Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
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4 respostas para A importância dos avós

  1. Lutfe Mohamed Yunes disse:

    Cris, valeu pela sinceridade. A todo momento pergunto a Deus quais as reações melhores com o meu filho, as vezes cedo as vezes sou duro e vou deixando que ele entenda que somos sim responsáveis pela educação dele. abs, Lutfe

  2. Luiz Coelho disse:

    Boa tarde..

    “..os avós hoje têm muito mais energia e vitalidade para acompanhar as brincadeiras dos netos.”….é muito diferente de….”…Por conta da carga de trabalho fora de casa, muitos pais precisam contar com o apoio do avós para cuidarem dos filhos..”

    Não há dúvida de que se não fosse pelo “apoio” dos avós, muitos casais deixariam seus filhos em creches, nas escolsa em período integral, com babás, etc ( o que seria um custo a mais para o casal, que muitas vezes não querem ou não podem pagar ).

    A psicóloga está correta quando diz que os avós devem acompanhar as BRINCADEIRAS dos netos…..Os avós já fizeram a parte deles ( cuidaram dos pais ! )…Como são, hoje, cheios de vitalidade podem muito bem querer viajar e aproveitar, novamente, a vida de “casal sem filhos”…

    Os pais precisam entender que a responsabilidade de cuidar dos filhos não é dos avós, mas deles !….Com a “desculpa” de que :
    a) os netos irão passar mais tempo com os avós, ou
    b) os avós “gostam” de ficar com eles….
    Quando na verdade é um alívio, conforto e comodidade poder “abusar” dos avós !!

    Estes pais delegam o ônus do cuidado dos filhos para quem, em alguns casos, gostaria de estar, merecidamente, descansando, viajando ou simplesmente vivendo a suas vidas sem as obrigações paternas e maternas; ao invés de ter de se deslocar para levar netos em escolas, aulas, trocar fraldas, tomar conta, etc.

    O apoio, significa uma ajuda ocasional….e isso é ótimo e muitas vezes necessário; entretanto quando se torna constante, vira obrigação e muitas vezes deixa de ser prazeroso, e se torna trabalhoso e desgastante para os avós, já na terceira idade.

    Os pais precisam ter consciência REAL das consequências de seus atos… Ter filhos implica em obrigações contínuas e permanentes. Filhos não são “projetos” de conveniência, ocasionais ou sazonais; se o casal não está preparado para essa “empreitada” sem onerar os avós; é melhor não assumirem essa maravilhosa, porém muitas vezes difícil responsabilidade.

    Abraços

  3. Rogerio disse:

    Estou de volta !
    Muito boa abordagem mas temos o outro lado. O fato de avós que poderiam ajudar pelos mesmos motivos acima mas que optam por usar esta energia citada para eles mesmos e temos casos de netos que mal veêm os avós. Sempre que questionados sobre uma ajuda, já colocam vários impecílios e ficam devendo. Queria que estes pudessem ler este post.

  4. Joao Carlos disse:

    Muito legal e oportuno este tema !

    Como bem colocado pelo Luiz Coelho, os pais precisam entender que a responsabilidade de cuidar e educar os filhos são deles e não dos avós. Estes são já tiveram seus filhos, já cuidaram dos seus filhos e podem apenas “auxiliar” os pais cuidando dos netos “ocasionalmente”, muito de vez em quando e não se tornando rotina, obrigação….

    Abraços
    Juninho

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