Impondo limites

Queridos leitores do Casa de Família:

Foi com grande alegria que aceitei o convite/desafio de escrever semanalmente nesta coluna que vinha sendo tão bem conduzida pelo Heraldo. Com a graça de Deus e o apoio de vocês, meus leitores, vou procurar apresentar temas que nos abordam, a nós pais e mães – mas especialmente a mim, mãe de dois filhos –, de maneira direta nos dias de hoje.

Certamente algo que nos toca e muito é saber colocar os devidos limites a nossos filhos. Hoje em dia, por conta das muitas horas de trabalho fora de casa – e depois dentro de casa – os pais acabam tendo pouco tempo de convivência com os filhos e correm o risco de cair na permissividade diante das demandas do dia-a-dia. Saber dizer “chega” ou saber dizer “não” passa a ser uma tarefa de sabedoria, que precisamos exercitar.

Reportagem de Renata Losso do IG de São Paulo (http://delas.ig.com.br/filhos/educacao/o-mito-dos-pais-perfeitos/n1597352188850.html), sugerida pelo leitor Luiz Coelho, aborda esta questão apontando que os pais “deixam de estabelecer limites como uma forma de barganha”. É como se os pais tivessem que negociar com os filhos o que pode e o que não pode, esquivando-se da responsabilidade lhes dada de educar com retidão, mostrando as boas razões de seguir regras e limites. O que parece estar em jogo é a própria identidade de ser pai ou ser mãe hoje em dia. Antigamente não se questionava que os pais deveriam dizer não e colocar limites. Hoje a insegurança que “assombra” a paternidade/maternidade nos faz temer que magoemos nossas crianças e – pior – nos faz inseguros diante do possibilidade de não sermos amados e de não estar amando quando os conflitos aparecem.

Um exemplo bem claro ocorreu no domingo passado. Meu filho de 6 anos já havia jogado um bom tempo  video-game. Era a hora do irmão mais velho jogar. Então ele veio me pedir para jogar no computador. Ao ouvir minha resposta negativa, começou a fazer certa manha, choramingando e dando-me razões para deixá-lo jogar “só um pouquinho”. Expliquei que faz mal aos olhos ficar tanto tempo diante de TV/computador e que era hora de brincar de outra coisa. Ele contra-argumentou dizendo que colocaria olhos escuros (imaginem! quase ri) e que ele não estavam cansado e insistiu e insitiu e insistiu. Se tem uma coisa que ele sabe fazer é perseverar. E confesso que às vezes me canso da lenga-la-lenga e acabo permitindo algo que claramente está fora dos limites…  Mas neste domingo respirei fundo e disse não! Não pode mais video-game, nem computador, nem TV. Vá brincar de outra coisa… Passados uns minutos, parecia outra criança, completamente distraída com legos e feliz!

Que Deus nos ilumine a saber dizer sim – quando for sim – e não, quando for não (cf. Mt. 5, 37).

Boa semana a todos!

Cristiane

Anúncios

Sobre Cristiane

Cristiane é casada há 12 anos, tem 2 filhos e 1 filha. Atuante na Igreja desde sua juventude, participou de grupos de jovens (em Marília e Campinas, SP), Pastoral Universitária (em Campinas, SP) e Pastoral Familiar (em Niterói, RJ). Formada em Letras e Linguística, no momento trabalha como revisora de livros e artigos e como professora de redação.
Esse post foi publicado em Pais+Filhos. Bookmark o link permanente.

5 respostas para Impondo limites

  1. Marco disse:

    Cristiane

    Seja bem vinda ao site !! Como aprendi uma vez “é o não que educa…”

    ate

  2. vreginato disse:

    Cristiane

    Bem-vinda a casadefamilia!

    Sempre é bom crescer a família. Você começou muito bem com o tema de limites, fundamental para os dias de hoje.
    Certamente não é a primeira e nem será a última que se falará sobre isto. O processo de educação é um recomeçar continuado, mesmo porque conforme as idades os temas se adaptam de maneiras diferentes. De outra forma, jamais esgotaremos um tema na educação, pois cada filho é único e isto é que faz a educação um desafio continuado e maravilhoso.
    Tenho certeza que sua contribuição, assim como do nosso querido Heraldo, será fonte de inspiração e reflexão para os nossos leitores.

    A casa é sua!

    Valdir

  3. Marco e Valdir,

    Obrigada pela acolhida. Sinto-me em casa… Na verdade, eu vinha acompanhando o blog de vocês há algum tempo já e gostava muito de ler os diferentes posts. Vai ser uma experiência de crescimento para mim partilhar minha vida como mãe num ambiente familiar católico. Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja, nos ampare.
    abraços,
    Cristiane

  4. João Carlos disse:

    Olá Cristiane,

    Muito legal e oportuno este tema. Sugiro o livro “Quem AMA Educa” do médico Içami Tiba para auxiliar no processo de educação dos filhos impondo limites. Como bem disse o Marco, “é o não que educa…”

    Abraços
    Juninho

  5. Familia Guarita disse:

    Parabéns pelo post, Cristiane! Bem vinda!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s