O alimento da Palavra de Deus

Meus caros leitores

Este mês reveste-se de nova festividade para a Igreja: comemorar, de modo especial, a Palavra de Deus, ou seja, estamos no mês da Bíblia !

Não há em toda a história da humanidade um livro que tenha provocado, e ainda provoque, maior impacto do que aquele que contém as Sagradas Escrituras do Senhor. Não foi o primeiro livro escrito, mas sim o primeiro a ser editado quando da invenção da imprensa. Certamente o Cristianismo influenciou para que assim o fosse, visto toda a sua importância histórica e política na época de então. Contudo , que outro livro mereceria tamanho destaque senão aquele que acreditamos não conter uma história escrita pelos homens, mas sim a própria revelação feita por Deus?

Com aproximados 1000 anos, e a participação de muitos escritores, a fé nos conduz a acretitar que a Bíblia apresenta a própria linguagem de Deus, escrita por mãos humanas conforme a inspiração do Espírito Santo. Assim o é quando apreciamos ao longo de sua hiostória a coerência de uma história única, que narra do início dos tempos até a proclamação do seu término numa visão apocalíptica da humanidade.

Tendo como personagem central a pessoa do próprio Cristo, dedica-se na primeira parte , ou seja, no  Antigo Testamento, a anunciá-Lo como o Salvador em função do afastamento do homem, pelo pecado, de Deus. O esperado Messias. Na segunda parte, Novo Testamento, narra a Boa Nova anunciada por Cristo nos seus quatro evangelistas (Mateus, Marcos, Lucas e João), além da vida dos primeiros cristãos  e da doutrina nos deixada por Paulo, Apóstolo, em suas cartas e de outros apóstolos. Termina na inigmática narrativa de São João no anuncio do fim dos tempos, onde a Igreja de Cristo deve reinar pela eternidade com a reunião dos santos.

O que mais cativa neste livro é a sua permanente atualização. De modo particular, o Novo Testamento, é uma leitura que se renova nas suas frases diante das diferentes circunstâncias pelas quais se encontra o leitor. De modo “milagroso” apresenta-se como uma nova proposta na dependência das condições que vivencia o leitor. É surpreendente, enquanto obra da literatura, que não se consiga concluir as inúmeras oportunidades que o homem de sempre continua a aprender das lições da Bíblia, de modo particular dos relatos da vida de Cristo.

Associa-se as Sagradas Escrituras, de modo muito oportuno, a imagem de um alimento. Assim como o alimento ingerido pelo corpo, transforma-se na estrutura física na qual se incorporou, a Palavra de Deus alimenta a alma daquele que dela se aproxima e se nutre com fé. Se é fato que comemos todos os dias alimentos semelhantes e mesmo iguais, que uma vez no corpo, constituem um homem novo, da mesma forma, as mesmas palavras escritas nas mesmas páginas, transformam-se no homem novo que deixa para trás o homem velho de pouca fé.

De fato, a Palavra é o pão que alimenta a Vida! E como nos sustentaremos sem este pão descido do céu? Não mais como o maná do deserto que nossos irmãos hebreus comeram e morreram, mas como o Pão Vivo, que quem come, não morre jamais! Neste aspecto, a Palavra torna-se Eucaristia, enquanto presença viva e atual de Deus na revelação da Verdade que se apresenta como alimento ao homem de fé.

Não se pode “engolir” as palavras de Deus de modo rápido. É preciso saboreá-las. Retirar de cada uma o seu sentido para nossas vidas. Não se pode ter pressa, e querer ingeri-las de modo a perder o delicioso sabor que diferencia cada colocação naquele momento em nossas vidas.

Deve-se fazer da leitura da Bíblia, um verdadeiro encontro com Cristo, com Deus, pedindo a luz do Espírito Santo para que seja  melhor o nosso aproveitamento na sua compreensão. Para tanto, escolher um local adequado, sempre que possível de modo mais silencioso e íntimo. Que se faça num tempo onde os nossos sentidos estejam vivos e não sonolentos ou pesados pelo cansaço. Que não seja interrompido por solicitações de terceiros. Colocar-se diante da Palavra é o esforço de nos emprenharmos cada vez mais de nos colocarmos diante do próprio Deus.

Desta forma, cada vez mais nos familiarizamos com o que Deus nos indica nas difeentes circunstâncias da vida cotidiana. Nada fica sem resposta. Tudo pode ser encontrado nas páginas da Bíblia. E sem que se perceba, estaremos encontrando no nosso dia a dia, fatos semelhantes as narrações das Sagradas Escrituras, e indicações para o nosso agir adaptado as circunstâncias presentes.

Levar este encontro cada vez mais cedo aos filhos, mediante a narração de suas histórias. Crianças gostam de ouvir histórias, e pouco a pouco vão se tornando íntimas da revelação do Senhor que se cumprirá ao longo da vida inteira. Quantos relatos de heróis e manifestações de virtudes encontramos na Bíblia para oferecer aos nossos filhos pequenos! São sementes plantadas, ao exemplo de outros contos da literatura, que jamais serão esquecidas.

Hoje existem ainda aqueles que querem ver “erros” científicos nas narrações bíblicas, levando a sua superação à luz da nova ciência. É preciso ler a Bíblia como gente grande, e compreender que em nenhum lugar se conta as verdades da natureza e do homem, com maior simplicidade, ou seja, com maior naturalidade e com fácil compreenção do que as páginas das Sagradas Escrituras. Não busquemos leis da Física, Química ou Biologia, mas as orientações para as “leis do comportamento humano”, da vida em plenitude! De uma ciência que nos afastamos pelos emaranhados de teorias e fómulas que se reestruturam com os tempos na tentativa de alcançar o que em Deus se torna revelação de quem é o homem, seu sentido de vida e existência, e sua salvação.

Que neste mes de setembro possamos nos propor este grande passo, de todos os dias nos dedicarmos uns minutos a esta leitura, e que isto se torne um hábito na construção de um homem novo ou o fortalecimento daqueles que já se alimentam dia a dia da Palavra do Senhor.

Até a semana.

Valdir

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Sobre vreginato

Casado e tem três filhos. Médico e Terapêuta de Família. Professor de Bioética, Históra da Medicina e Espiritualidade e Mediicna na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp, Coordenador da Pastoral da Família da Paróquia Nossa Senhora do Brasil
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