Convivendo com os maus

A Liturgia da Igreja nas últimas semanas tem nos levado a refletir sobre algumas parábolas que retratam realidades do reino de Deus. Neste último domingo, tivemos três parábolas a este respeito, sendo duas delas relacionadas com o valor das coisas do reino de Deus em nossa vida e outra sobre a rede lançada ao mar que apanha peixes de toda espécie, bons e ruins. E é sobre esta última que centro nossa reflexão aqui neste artigo. Esta parábola nos remete novamente á idéia da parábola do joio e do trigo, também meditada na liturgia dominical de semanas anteriores. Ambas nos levam a refletir sobre a existência do mal no mundo e de nossa convivência com pessoas sujeitas a ele, em meio à liberdade dada pelo Criador a toda criatura.

Nossa tendência mais comum diante do mal ou das pessoas que o praticam, é a de querer eliminá-las. Não nos cabe muito na mente a idéia de esperar, de não julgar, de dar uma chance ao que errou para que se arrependa e volte ao bom caminho. Queremos ir logo fazendo justiça à nossa maneira e sentenciando tais pessoas. Ainda mais quando ouvimos ou assistimos as tamanhas atrocidades e violências que são praticadas cotidianamente em nossa sociedade. Como trabalhar com nossos sentimentos e também como educar nossos filhos para viverem e aceitarem tal realidade?

Somente pessoas que vivem uma verdadeira experiência com Jesus Cristo morto e ressuscitado são capazes de ministrar o perdão de forma heróica como muitas vezes ele é exigido. Não adiantam muitas palavras e nem muitos discursos, mas sim experiências de Deus. Isto pode até parecer uma teoria, mas não o é. Precisamos sim de momentos fortes de evangelização que nos proporcionem tais experiências, como também aos nossos filhos. Caso contrário, não conseguiremos nunca oferecer a outra face diante de uma agressão, a não pagar o mal com o mal, a amar um inimigo e rezar por ele, conforme ensinado no Evangelho pelo próprio Cristo.

Temos presenciado em nossa sociedade muitos casos de intolerância dos mais variados tipos, seja religiosa, por preconceito contra opções afetivas / sexuais assumidas por alguns, de ordem política, entre outras. Há que se lembrar ainda, no caso das crianças, das práticas de “bullying” nas escolas que também se constituem num tipo de intolerância entre elas.

Somos chamados enquanto cristãos, mediante a força que recebemos nos Sacramentos, principalmente no da Eucaristia, a irmos nos exercitando para esta luta constante de exercer o perdão e a misericórdia para com o próximo, à semelhança do que fomos e ainda somos tratados por Deus quando caímos em nossas fraquezas. E que nossos filhos possam ir aprendendo conosco, desde sua mais tenra idade, este caminho de perdão e de tolerância para com quem quer que seja.

 

Abraços e até a próxima semana.

 

Heraldo

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Uma resposta para Convivendo com os maus

  1. Luiz Coelho disse:

    Bom dia….apenas complementando :

    “Por que olhas o cisco no olho de teu irmão e não vês a trave no teu? Como ousas dizer a teu irmão: deixa-me tirar o cisco de teu olho, pois sei corrigir o teu erro de visão? Hipócrita, tira primeiro o engano da tua visão, e só então poderás tirar o cisco do teu companheiro”

    “Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como um homem que construiu uma casa sobre a rocha. Caiu a chuva, uma torrente se abateu sobre a casa, mas ela não caiu, pois estava fundada sobre a rocha. Mas aquele que ouve as minhas palavras mas não as pratica é semelhante a um homem que construiu sua casa na areia. Veio a chuva, a torrente se abateu sobre ela, e ela desabou. E foi grande a sua ruína”

    Abraço

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