Um peso, duas medidas

Olá

Hoje vou contar a história de dois profissionais e também pais de família, que conheci ao longo da minha vida. Eles não se conheceram entre si e viviam em cidades e realidades diferentes. O fato deles estarem aqui hoje é que ambos foram acometidos por um mesmo problema mas tomaram decisões diferentes e levando cada um a um caminho distinto. Narro aqui a história de cada um:

Nossa primeira história é de um gerente de produção de uma multinacional de implementos agrícolas. Vamos chamá-lo de José.  José entrou na empresa com aprendiz de torneiro (ou como chamamos hoje: trainne). Aprendendo e crescendo na empresa, se tornou encarregado de seção, responsável pelos turnos e em seguida gerente de produção. Tinha uma vida tranquila pois tinha um bom cargo (e consequentemente um bom salário) e morava em uma cidade do interior. Estava tudo indo muito bem… Porém, durante um período de crise dentro da empresa, houve a necessidade de corte de funcionários e José foi um dos que foram demitidos. Ele viu-se com 40 anos, uma única especialização e sem perspectiva de voltar ao mercado de trabalho.

A segunda história é de um gerente geral de unidade de uma rede de hipermercados. Vamos chamá-lo de Antônio. Antônio já era gerente de lojas há bastante tempo, sendo responsável por várias unidades e portanto morou em boa parte do país por causa do trabalho. Gozava de empatia pelos sócios da empresa e exercia papel de destaque junto conselho. Acontece que esta rede de hipermercados veio a decretar falência em determinado momento e todos os funcionários foram demitidos, incluindo o Antonio. Enfim ele viu-se também com mais de 40 anos, única especialização e sem emprego em vista.

Assim que foi demitido, José saiu a busca de um emprego, não importava qual era pois ele sabia que tinha uma missão a cumprir, como ele mesmo dizia: “minha missão é cuidar da minha família. Vou cumpri-la até o fim…”. O primeiro emprego que conseguiu foi de motorista de um padaria… Imaginem para um gerente de produção da praticamente única grande fabrica da cidade, aparecer na frente de todos os conhecidos como um motorista de padaria… Acordava as 4 da manhã, carregava os pães e saía ao trabalho. Ele fez isso por um tempo

Antônio também começou a fazer entrevistas. “Anda difícil arrumar emprego de gerente”, dizia ele. Em sua primeira entrevista Antônio até fez exigências ao empregador, fechando as portas naquele momento.  Ele fez várias entrevistas mas como ele dizia: “Demorei muito para ser gerente.  Não aceito cargo menor…”.

Pois bem, José logo conseguiu outros empregos e foi migrando de um para o outro até conseguir como encarregado em uma pequena empresa de torno e solda. Até onde tive notícias dele, ele não havia conseguido nenhum emprego como o que ele tinha antes mas estava lutando pela sua família.

Antônio não aceitou trabalhos que ele entendia como “inferiores” ao que ele exercera. Depois de um tempo sua esposa teve que começar a trabalhar e mais um tempo depois a filha também. Até onde tive noticias, Antônio não havia conseguido mais emprego, estava parado a mais de 4 anos, fortemente acometido de depressão.

Qual a lição que estes 2 profissionais nos dão hoje ?  Fica a reflexão…

Boa semana a todos !!

[Republicado de 12/04/2010]

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Sobre Marco

Marco é casado com Mariana e tem os pequenos Carol e Rafael. Ele é formado em Tecnologia da Informação, pós graduado em administração e trabalha há 14 anos no mercado corporativo de TI. Atua na Igreja Católica desde a adolescência, participando de grupo de jovens, ministérios de música e equipes de evangelização. Está na pastoral da familia da paróquia Nossa Senhora do Brasil desde 2007, atuando junto às familias e aos casais que buscam o matrimônio.
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Uma resposta para Um peso, duas medidas

  1. Marco

    O tema é muito oportuno. Recordo-me de um cliente de consultório que comentei exatamente isto. As vezes é necessário mudar o “estilo”, desde que se preserve as condições de dignidade para a família. O que vem na frente do trabalho é manter a família. Não é demais lembrar que o que vem na frente de tudo é a fé em Deus, que eu acredito que José deveria ter. O que muito colaborou para conseguir muitos empregos.

    Abraço

    Valdir

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