A vida familiar como experiência de comunhão

Vivemos nos tempos atuais em ritmos de constantes maratonas para conquistar espaços onde possamos crescer intelectualmente e profissionalmente. E passamos este tipo de comportamento, ainda que involuntariamente, para os nossos filhos, impondo-lhes critérios e valores que nem sempre prezam pela consciência da coletividade, da vida de doação e serviço na sociedade. Acabamos por educá-los mais para receber do que para dar, em função do interesse num determinado objetivo. Sem desmerecer todas as lutas e esforços para se adquirir uma boa formação, é preciso recobrar as dimensões da solidariedade na educação de nossos filhos. Eles precisam aprender as práticas de uma ajuda desinteressada a outrem, do respeito a toda e qualquer pessoa, independentemente de sua condição social e da valorização do outro como semelhante a si próprio. E isto só é possível de acontecer no seio da própria família.

“As relações entre os membros da comunidade familiar são inspiradas e guiadas pela lei da gratuidade que, respeitando e favorecendo em todos e em cada um a dignidade pessoal como único título de valor, se torna acolhimento cordial, encontro e diálogo, disponibilidade desinteressada, serviço generoso, solidariedade profunda.

A promoção de uma autêntica e madura comunhão de pessoas na família torna-se a primeira e insubstituível escola de sociabilidade, exemplo e estímulo para as mais amplas relações comunitárias na mira do respeito, da justiça, do diálogo, do amor.” (FC 43)

A família é, portanto, o lugar e o instrumento mais eficaz de humanização da sociedade, colaborando de modo singular para a construção do mundo, guardando e transmitindo virtudes e valores.

Que nossas famílias possam ser verdadeiros ninhos de amor, onde nossos filhos possam fazer a experiência da comunhão e transmiti-la onde estiverem.

 

Abraços e até a próxima semana.

 

Heraldo

 

FC = Exortação Apostólica Familiaris Consortio, Papa João Paulo II, 1981.

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3 respostas para A vida familiar como experiência de comunhão

  1. Heraldo

    É necessário que o homem volte a refletir que a “sociedade” não existe. O que existe são pessoas que constituem a sociedade, e as pessoas em convivência familiar representam o modelo a ser replicado na sociedade.
    É comum culpar a “sociedade”, mas é mais raro verificarmos o que cada um está fazendo para melhorar a condição da sua família.
    Abraço
    Valdir

  2. Luiz Coelho disse:

    Bom dia..
    Acompanhem o meu raciocínio…
    No texto, como podemos entender a amplitude do sentido do “modelo de família” ?
    1-) Meu cônjuge e filhos ?
    2-) Meus pais, irmãos ?
    3-) Meus tios, primos, avós ?
    4-) Os membros da minha comunidade ?
    5-) Meus amigos ?

    Observem que devido a (N) fatores, já amplamente discutidos aqui, ambos os cônjuges se vêem obrigados a trabalhar e a deixar a prole ou com parentes ( quanto os tem ou quando estes também podem cuidar ) ou já prematuramente em berçários e escolas infantis….

    Vejamos…Essas crianças passaram a maior parte do dia com seus amigos de escola, babás/professoras; e não com seus familiares….qual será então a verdadeira “…a primeira e insubstituível escola de sociabilidade, exemplo e estímulo para as mais amplas relações comunitárias na mira do respeito, da justiça, do diálogo, do amor.” ?

    Hoje as escolas infantis são muito mais do que simples “depósitos” de crianças e/ou núcleos acadêmicos…é preciso, verificar que muito da formação sócio-moral de uma criança pode depender de onde e com quem os pais as deixam a maior parte do dia…

    Ou seja…a escola ( e todos os seus membros ), muitas vezes, acaba fazendo “parte” desse novo modelo familiar…. ☺

    Abraço

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