Viver a Semana Santa

Iniciamos no Domingo passado com a festa de Ramos a Semana Santa. Para os católicos, sem dúvida, a época maior de todo calendário liturgico. Se no Natal nos alegramos com a chegada do Menino Deus, e toda festividade que envolve o clima natalino, com uma atmosfera infantil cativante e atraente pela própria história da família de Belém, é na Semana Santa que vamos encontrar a realização e o porque deste nascimento.

O próprio Deus, Cristo, que veio para ser humano, sem deixar de ser divino, cumpre a sua missão mediante uma entrega de Amor pleno com sua morte na cruz. Duro é para muitos, ainda, compreender porque esta necessidade de Deus morrer na cruz para remissão de todo pecado, e acolher novamente ao homem, expulso do paraíso, para retornar a casa paterna.

O volume de autores que já escreveram e continuam refletindo sobre este tema central de toda história da humanidade não se esgota. O mistério do sofrimento de Cristo, sem culpa e sem mancha, deixa estarrecido até hoje aos crentes e não crentes. É a história da misericórdia de Deus que penetra o coração do homem e foge a sua capacidade de compreensão.

Preparar-se para a Semana Santa e buscar uma e outra vez este caminho seguido por Cristo, tomando sua cruz e seguindo-O, conforme Ele mesmo pediu deve ser o nosso desejo. É o paradoxo da alegria cristã daqueles que assumem com Cristo as dores pela humanidade. Evidentemente, de modo incomparável a Cristo, cada um de nós pode colocar seus ombros ao lado do DEle para juntos caminharmos.

Vivemos atualmente muito distante desta necessidade real em se viver semelhante a Ele. O hedonismo, o ateísmo, crescem no seu proselitismo fazendo com que tudo isto pareça sem sentido ao homem. No entanto, é exatamente aí que está todo o sentido da existência humana para uma nova vida, e Vida em plenitude.

Levar a oração diária desta semana o tema da Paixão do Senhor é uma dever para todo cristão que quer se aproximar da esperança que alimenta a sua Fé. Participar ativamente das celebrações, não fazendo com que estas sejam substituídas por passeios na praia, hotéis de campo, é um dever dos pais para que seus filhos compreendam o porque do “feriado”. Grave responsabilidade aos pais cristãos conduzirem seus filhos a estas celebrações, que permitem a criança ir conhecendo melhor a este amigo que fez tudo por nós.

É fato que muitas pessoas, famílias, se ocupem nestes dias de visitar parentes no interior, ou mesmo se afastar dos grandes centros; mas que estejam em lugares que possam fazer cumprir os preceitos da Semana Santa.

E após a Paixão do Senhor a maior alegria da Ressurreição de Cristo glorioso. Não podemos permitir que o Domingo de Páscoa passe a ser mais um feriado comercial de chocolates e presentes, como muitos se esforçam em transformar. A nossa alegria está no fato de termos a certeza da ressurreição do Senhor que não permiti qualquer dúvida da sua vitória sobre a morte e o pecado. Assim como os judeus passaram pelo deserto deixando a escravidão egipcia e chegaram a terra prometida, deixamos morte do pecado pela vida em Deus.

Que em todos os lares se viva esta Semana a dor do Senhor, transformada na alegria gloriosa da sua  Ressurreição. Feliz Páscoa a todos e que definitivamente tenhamos dentro de nós este desejo de morrer ao pecado e dizer sim à vida que nos foi presenteada por Deus.

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Sobre vreginato

Casado e tem três filhos. Médico e Terapêuta de Família. Professor de Bioética, Históra da Medicina e Espiritualidade e Mediicna na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp, Coordenador da Pastoral da Família da Paróquia Nossa Senhora do Brasil
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2 respostas para Viver a Semana Santa

  1. lutfe disse:

    Valdir, bem vindo de volta… Você fez uma grande falta mas conseguimos nos virar…
    Parabéns pelas palavras e por nos mostrar a necessidade de conscientização de viver intensamente a semana santa. Fique com Deus, Lutfe

  2. Manu disse:

    Jesus morreu. É um cadáver. Aquelas mulheres santas não esperavam nada. Tinham visto como o tinham maltratado e como o tinham crucificado: presente tinham a violência daquela Paixão sofredora!

    Sabiam também que os soldados guardavam o lugar, sabiam que o sepulcro estava completamente cerrado: “quem nos tirará a pedra da entrada?”, perguntavam-se, porque era uma lousa enorme. No entanto…, apesar de tudo, elas vão estar com Ele.

    – Olha, as dificuldades – grandes e pequenas – vêem-se imediatamente…, mas, se há amor, não se repara nesses obstáculos e procede-se com audácia, com decisão, com valentia; confessa que sentes vergonha ao contemplar a vibração, a intrepidez e a valentia dessas mulheres.
    Forja-676

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