A reprodução assistida e suas implicações

Um caso de reprodução assistida ocorrido em Curitiba ganhou repercussão nacional após divulgação do mesmo pela mídia na última semana. Após o nascimento de trigêmeas no mês de janeiro, os pais manifestaram a intenção de ficarem com somente dois dos bebês, o que lhes acabou causando a perda da guarda das três filhas. Agora tentam recuperar a guarda das três filhas na Justiça. Mas não se sabe qual será o desfecho do caso, uma vez que o processo tramita sob sigilo na Comarca local. Entretanto, não se quer aqui entrar no mérito de julgamento das atitudes de ninguém, mas aproveitar o momento do ocorrido para rever alguns posicionamentos da Igreja Católica sobre as formas de reprodução assistida.

A “Instrução sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação”, publicada pelo Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger (hoje Papa Bento XVI), em 1987, traz importantes esclarecimentos sobre o assunto em questão. As fertilizações in vitro, tanto a homóloga (gametas de um casal unidos por matrimônio), quanto a heteróloga (gametas de pelo menos um doador diverso dos esposos), não são vistas como lícitas pela Igreja, tendo em vista a relação entre as mesmas e a eliminação voluntária de embriões humanos.

“A inseminação artificial homóloga, dentro do matrimônio, não pode ser admitida, com exceção do caso em que o meio técnico resulte não substitutivo do ato conjugal, mas se configure como uma facilitação e um auxílio para que aquele atinja a sua finalidade natural.”

“Por parte dos esposos, o desejo de um filho é natural: exprime a vocação à paternidade e à maternidade, inscrita no amor conjugal. Este desejo pode ser ainda mais forte se o casal é atingido por uma esterilidade que pareça incurável. Todavia, o matrimônio não confere aos esposos um direito a ter um filho, mas tão somente o direito a realizar aqueles atos naturais que, de per si, são ordenados à procriação.”

“Um verdadeiro e próprio direito ao filho seria contrário à sua dignidade e à sua natureza. O filho não é algo devido e não pode ser considerado como objeto de propriedade; ele é um dom, o maior e o mais gratuito dom do matrimônio, e é testemunho vivo da doação recíproca dos seus pais. A este título, o filho tem direito a ser fruto do ato específico do amor conjugal dos seus pais e tem também o direito de ser respeitado como pessoa desde o momento da sua concepção.”

“Os casais estéreis não devem esquecer que mesmo quando a procriação não é possível, nem por isso a vida conjugal perde o seu valor. Com efeito, a esterilidade física pode ser ocasião, para os esposos, de prestar outros importantes serviços à vida das pessoas humanas, tais como a adoção, as várias formas de obras educativas, a auxílio a outras famílias, às crianças pobres e excepcionais.” (também citada na Exortação Apostólica Familiaris Consortio, item 14, de 1981)

 

Abraços e até a próxima semana.

 

Heraldo

 

 

Anúncios
Esse post foi publicado em Pais+Filhos. Bookmark o link permanente.

6 respostas para A reprodução assistida e suas implicações

  1. Fabiana Massad disse:

    Discordo completamente do texto acima.
    Acho que o caso desta mãe, que queria ficar com dois dos três filhos mostra apenas a falta de amor no coração dela. Assim como existem mães que dão a luz e colocam seus filhos em sacos de lixo e os descartam existem mães que querem ficar com dois e deixar um pra trás.
    Acredito que se exitem recursos para possibilitar a gravidez a um casal infértil este deve ser usado sim. Pois não há plenitude maior para nós mulhers do que gerar um filho em nosso ventre.
    Sempre digo que é muito fácil julgar o difícil é viver no sapato do outro.
    Acredito que um filho gerado “in vitro” é tão filho, tão desejado e amado quanto o gerado pela conjunção carnal.
    A adoção pode e deve ser realizada não apenas aos inférteis mas também pode e deve ser uma opção aos que podem ter filhos concebidos “naturalmente”
    Todos merecem a chance de buscar seus sonhos sem serem julgados.
    Mais uma vez, para saber a dor do outro, o que o outro vive só calçando os seus sapatos e vivendo sua vida. Olhando de fora NUNCA saberemos ou sentiremos o que o outro está vivendo e sentindo
    abraços a todos

  2. Heraldo disse:

    Prezada Fabiana,

    Ao escrever sobre este tema, sabia que obteria opiniões das mais diversas, uma vez que o assunto é realmente delicado. No início do artigo, ficou claro que a intenção não era a de julgar ninguém. Talvez você tenha julgado aquela mãe ao comentar que faltou amor no coração dela. Não conhecemos a história do casal e portanto não podemos nos manifestar sobre tal.
    Com relação aos textos citados, são trechos de documentos da Igreja. Eles inclusive nos esclarecem que quando uma inseminação artificial é feita após fertilização in vitro homóloga, sendo esta o único meio de conceber um filho, sem entretanto anular vida conjugal do casal, mas complementando sua finalidade natural, é tida como lícita pela Igreja. E um filho concebido nesta condição será sim tão amado como outro concebido em condições naturais.
    Com relação à adoção, concordo plenamente que ela não deva estar reservada somente a casais inférteis, pois se assim o fosse, muitas crianças que hoje vivem em famílias numerosas, mediante uma adoção, continuariam em orfanatos.
    A Igreja é Mãe e Mestra e ensina caminhos que devem ser seguidos por seus filhos. Mais uma vez reforço que a intenção não é a de julgar ninguém, pois nunca teremos este direito.
    Abs.
    Heraldo

  3. Luiz Coelho disse:

    Não entendi ( entre muitas coisas ) o relato do texto da igreja e do Heraldo que afirmam ser “válido” a inseminação homóloga, desde que “não se anule a vida conjugal” ou ” que não seja substituto do ato conjugal”…

    Se entendi direito….o casal, mesmo estéril pode ter um filho “in vitro”, desde que continuem a manter relações sexuais ! É isso ?.. Qual o sentido disso ?

    • Heraldo disse:

      Prezado Luiz,

      Não se trata de casal totalmente estéril, mas daqueles casos em que não se consegue engravidar naturalmente. Então precisam de um auxílio da medicina para tal. E a inseminação vem pois complementar aquilo que não conseguem. Quanto à vida conjugal, ela tida como necessária, ou seja, o casal vive normalmente sua sexualidade e afetividade.
      Abs.
      Heraldo

  4. Cristiana disse:

    O tipo de inseminação artificial a qual o Heraldo se refere no post, é a GIFT
    (Gametes Intrafallopiam Transfer).

    Trata-se da transferência dos gametas masculinos e femininos para uma das tubas uterina facilitando o encontro dos mesmos.

    Nesta técnica, tanto os gametas femininos como os masculinos são colhidos a partir do sistema reprodutor feminino, o que só é possível após a realização do ato sexual.

    Desta forma, a concepção não acontece “in vitro”, mas no interior do ventre materno.

    Cristiana

  5. Luiz Coelho disse:

    Me parece, no mínimo, estranho. Que para se MANTER a vida seja ” licíto ” utizar métodos como doação de sangue, cirurgias das mais diversas, transplantes de quaisquer órgão, remédios diversos, métodos com radiação, etc; não existindo praticamente limites para tal; até em um feto………..mas para se PROCRIAR e ter o sonho de construir uma familia, existem “normas”!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s