São Nicolau de Flüe – Pai de família, juiz e eremita

No dia 21 de março a Igreja venera São Nicolau de Flüe, um eremita reconhecido como “Pai da Pátria Suíça”. Nasceu em e viveu no referido país no final da Idade Média, sendo pai de família, juiz, diplomata e por fim eremita, conforme abordaremos sucintamente neste artigo.

Seus biógrafos afirmam que era um jovem piedoso, casto, virtuoso, bom e sincero, dedicado na oração, mortificado e que cumpria conscienciosamente seus deveres. Casou-se com Dorotéia Wissling, moça muito religiosa e virtuosa, com quem teve dez filhos. Dedicou-se intensamente à educação dos filhos, tanto religiosa quanto civil. Ocupou por muitos anos o cargo de juiz em sua cidade e chegou a ser convidado várias vezes para assumir o governo local, mas declinou dessa missão. Dois de seus filhos chegaram a ser governadores sucessivamente naquela região e um terceiro filho tornou-se piedoso sacerdote, doutor em teologia.

Nicolau tinha uma profunda devoção à Santíssima Virgem, terna e inflamada, e não havia conversa em que ele não entremeasse frases sobre as excelências, o poder e a bondade dessa terníssima Mãe. Peregrinou inúmeros santuários marianos e mesmo no trabalho do campo, não deixava seu rosário que aproveitava para rezar em qualquer tempo livre.

O amor às coisas celestes e algumas visões que teve fizeram reavivar em Nicolau o desejo de se dedicar exclusivamente a Deus. Estava chegando aos 50 anos de idade, os filhos estavam praticamente criados, e então partilhou com sua esposa o chamado que estava a receber. Ela consentiu tranquilamente e comprometeu-se a terminar de educar os filhos mais novos no temor e amor de Deus. Ele então construiu uma pequena cabana perto da localidade onde moravam, para nela viver entregue à oração e à contemplação. Durante os últimos 20 anos de sua vida, ele não comeu e nem bebeu nada, mas viveu alimentando-se somente da Sagrada Eucaristia.

Retirar-se para a vida eremítica para Nicolau não marcou o fim de uma obra histórico-política. Fora juiz e conselheiro por muitos anos em sua cidade e também deputado por um certo período. Evitando a guerra civil, fez renascer a unidade da Suíça, o que lhe valeu o título de “Pai da Pátria”. Em 1481, quando Unterwald estava decidido a separar-se de Lucerna e de Zurique, o que poria fim à existência da Confederação, um emissário da Assembléia, que se dispunha a homologar a ruptura, correu a levar a notícia ao ermitão. Nicolau então passou a noite a redigir um projeto de constituição que, no dia seguinte, foi aprovado por unanimidade pela mesma Assembléia, o que restabeleceu a unidade e a paz.

Faleceu no próprio dia de seu aniversário natalício: 21 de março de 1487, aos setenta anos de idade. Foi canonizado pelo Papa Pio XII em 1947.

Quando falamos em pessoas santas ao longo da história do cristianismo, a maioria das vezes nos referimos a consagrados (as), religiosos (as), sacerdotes, bispos e papas. Entretanto, todos somos chamados a viver em santidade. Hoje partilhamos sobre a história de um pai de dez filhos, profissional e que foi levado à honra dos altares pela Igreja. É certo que sua história teve particularidades próprias da época em que viveu, mas o que deve ficar gravado neste exemplo de São Nicolau, é que é possível viver em santidade em tudo aquilo que se faz, na família, no trabalho e onde quer que estejamos.

 

Abraços e até a próxima semana.

 

Heraldo

 

Referência: Artigo publicado pela Revista “Jesus vive e é o Senhor”, Edições Louva -a-Deus, Ano XXXIII, no 393, Comunidade Emanuel, Rio de Janeiro – RJ, Março de 2011.

 

 

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3 respostas para São Nicolau de Flüe – Pai de família, juiz e eremita

  1. vreginato disse:

    Heraldo

    Quando lemos biografias como estas, confesso eu que me sinto anos-luz da condição de santidade. É verdade que existiram homens como São Nicolau de Flüe, e que seguramente são exemplos virtuosos para encorajar a todos que buscam a santidade.

    Recordo-me que quando li a primeira vez a “Hitória de uma alma” de Santa Terezinha, parecia estar conhecendo um ser sobrenatural, e só retomei a leitura algum tempo depois.
    Penso hoje que na verdade, estes exemplos servem para que nós possamos não esquecer para o que o homem foi criado, e o quanto ele se distanciou de Deus, assim como o que seria o mundo com Nicolaus, Terezinhas, Joãos da Cruz, Vianeys, e assim por diante.

    Gostei do último parágrafo da santidade para todos no meio do mundo, que é a mensagem de São Josemaria Escrivá (fundador do Opus Dei). Um mundo que poderá a vir a ser o de São Nicolau, se nos esforçarmos em crescer no amor a Deus. A distância é grande, mas o importante é estar no caminho.

    Abraço

    Valdir

  2. Lutfe Mohamed Yunes disse:

    Heraldo, que exemplo excelente, uma exemplo de motivação para continuarmos na nossa caminhada. Obrigado pelo texto, fique com Deus, Lutfe

  3. Cristiane disse:

    Heraldo,
    Ainda hoje estava lendo um livro que me chamava a atenção para a devoção da reza do terço e você nos trouxe o exemplo deste santo homem muito devoto de N. Senhora. Que este exemplo nos ajude a redescobrir a importância de rezar o terço, sempre!
    abraços,
    Cristiane

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