No sofá da sala para acompanhar o Oscar!!! – O Discurso do Rei – Tom Hooper

Olá amigos do Casa de Família, bem-vindos a mais um No Sofá da Sala!!!

Vocês sabem quem ganhou o Óscar de melhor filme, lá nos EUA?

O DISCURSO DO REI

Pelo trailer e pelos comentários abaixo o filme mostra a importância do “coaching”, um verdadeiro técnico que todos podemos ter para ser melhores na vida. Experimentem!!!

Comentários adaptado de: Educar no Humanismo

O Discurso do Rei estreou na Europa um mês antes do que no Brasil. […]

Uma história real, muito elegante, muito britânica. Á morte do rei Jorge V, corresponde a David, o filho mais velho, Príncipe de Gales, assumir o trono. Mas uma mulher se coloca entre o novo rei e o Império Britânico, complicando a sucessão natural. Wallis Simpson, uma americana divorciada, já tinha conquistado o coração do jovem herdeiro que agora se transforma em rei. Tal casamento não poderá ser aceito pela constituição britânica. Eduardo VIII, entendendo que não conseguiria cumprir os seus deveres como soberano sem ter do seu lado a mulher que ama, abdica do trono a favor do seu irmão mais novo, Albert, que se torna o novo rei: Jorge VI, pai da atual rainha Elizabeth II. David, destronado e casado com Wallis, passará a ostentar até sua morte o título de Duque de Windsor.

[…]David fica com Wallis –que parece que o colocou na linha, pelo […] e Albert, Jorge VI, ficou com o trono, e com a sua gagueira. E essa é a história que o filme conta.

[Comentário do autor do Blog:] Vivemos tempos onde a vida dos homens públicos é escancarada, e nutre-se na sociedade um gosto macabro para encontrar os podres das pessoas famosas, e ventilar suas misérias. É um esporte estimulado pela cultura do big brother que, vazio de si mesmo, parasita a vida dos outros para encontrar ainda algum estímulo para viver, quer dizer, para tocar a vida. Vivos e mortos, se famosos, são passados pelo crivo da curiosidade, do voyeurismo doentio, dos paparazzi, das hipóteses gestadas nas colunas sociais. É o mesmo que acontece em alguns congestionamentos do trânsito provocados pela curiosidade doentia, onde todo cidadão que passa pelo lugar do desastre, sente-se impelido a apreciar os estragos causados no carro –e no corpo- de terceiros. Vive-se da vida dos outros, dos erros e desgraças alheias, porque talvez a vida própria careça de sustância e não se tenha a coragem de reconhecer e enfrentar as próprias misérias. Tudo isso, claro está, maquiado de práticas investigativas, necessidade de estar informado até a saciedade, sentir que se está por dentro de tudo, multiconectado em toda e qualquer variedade de redes sociais, ou nos assim chamados canais de relacionamento. Já dizia um pensador brasileiro que a novidade é o bálsamo das vidas vazias; e se a novidade são os infortúnios alheios, pode se ter uma ideia da lamentável qualidade dessas vidas epidérmicas sobre as quais se aplica o tal bálsamo para alimentá-las.

Diante deste panorama, este filme é uma lufada de ar fresco, de esperança. A elegância, o bom gosto, e a naturalidade com que se incluem os detalhes familiares, as dúvidas e as crises dessas pessoas que são convocadas –mesmo contra a sua vontade- a reger os destinos de um Império, são também um ponto alto da produção. É possível sentar-se do começo ao fim diante da tela, com a garantia de assistir uma atuação impecável dos atores –um teatro filmado da melhor qualidade- e acabar com um excelente sabor de boca. Duas horas, de suculento bom paladar, com material de primeira, sem ter de se alimentar, como as aves de rapina, da carniça alheia. Penso que a monarquia britânica –tão desprestigiada- terá agradecido o filme. A figura da rainha – a esposa de Jorge VI, que muitos de nós chegamos a conhecer como a Rainha Mãe- é uma personagem que mereceria todo um tratado. Se por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher, neste caso essa mulher é um monumento. Mas, devo confessar que o que me intriga –e penso que não terei resposta- é conhecer a opinião da Rainha Elizabeth acerca deste filme que é, afinal, sobre o pai dela. Dizem que não assistiu, mas eu não acredito. As mulheres, mesmo as rainhas, têm suas artimanhas para conseguir o que desejam. E o prato aqui é apetitoso.

Esta história pontual de 70 anos atrás encerra ensinamentos preciosos, aplicáveis ao nosso quotidiano. Hoje está na moda o coaching, entendendo-se como tal a preceptoria que nos guia nas decisões profissionais para melhorar nosso desempenho e plano de carreira. Executivo que se preze, submete-se a um coaching no seu ofício. Mas, como tudo o que é moda, se produz o desgaste que sofrem os termos importados do repertório da ética e das virtudes quando se enxertam no mercado corporativo. Estremeço quando ouço falar de liderança, de missão, de visão e, e de coaching. A intenção é boa, mas a versão que se utiliza é descompromissada: atenta à conduta externa, preferentemente no âmbito profissional, sem atrever-se a penetrar nas raízes da pessoa que é onde realmente mora o perigo. Assim, temos um coaching de horário comercial, asséptico, que jamais se atreveria a invadir a privacidade –os defeitos de carácter que são patentes- do seu cliente. É uma preceptoria com anestesia que raramente atinge o miolo do problema. A postura de Lionel Logue, o coach do rei gago, não admite negociação: “My castle, my rules“. Quer dizer, é pegar ou largar, dito de um modo muito mais britânico e elegante.

E as coisas funcionam. Aliás, é isso o que funciona sempre. Todos guardamos a lembrança de intervenções dolorosas, que vão ao fundo da questão, de quem alguma vez nos ajudou de verdade na vida a superar nossos defeitos, e nos empurrou atrás das metas e dos sonhos. Na hora doeu; muito. Mas hoje só temos a agradecer. O coaching não é invento moderno; já o praticavam os místicos do século XVI. Teresa de Ávila ou Íñigo de Loyola, por dar um exemplo, tem páginas antológicas sobre o coaching que, naturalmente, chamavam de outro modo: orientação espiritual que alavancava os exercícios de perfeição, nos desafios ascéticos. Askesis que, como bem lembra Ortega, foi termo que importaram do treino que os atletas gregos praticavam para conquistar a vitória olímpica. Quer dizer, que se apurarmos os termos, coaching para valer era o antigo: o dos místicos e o dos gregos. E parece-me que ambos dariam risada dessa versão light do coaching que hoje se exercita, incapaz de penetrar nos poros da alma, restrita muitas vezes a melhorar um visual externo ou adquirir algumas habilidades na gestão da agenda de trabalho.

O Discurso do Rei, como não poderia deixar de ser, tem o seu ponto culminante: o momento em que Jorge VI anuncia o estado de guerra com Alemanha, em 1939. Envolvida no som das notas do segundo movimento da Sétima de Beethoven, Lionel Logue rege simultaneamente as palavras de Jorge VI e os compassos da sinfonia. Nos bastidores, como bom professor que sabe retirar-se a tempo para que o aluno intervenha. O coach que teve a coragem de ir fundo na sua missão, está lá, apoiando, promovendo, fazendo com que o discípulo dê o seu melhor. Nunca me pareceu mais apropriado este trecho da Sinfonia de Beethoven do que nessa cena inesquecível, uma lição para qualquer professor. […]

Trailer:

Link no IMDB: www.imdb.com/title/tt1504320/

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Sobre Familia Guarita

Zé (José Armando - engenheiro civil) e Malu (Maria Lucia - médica fisiatra) se casaram em junho de 2009 na igreja Nossa Senhora do Brasil. Ao se inscreverem para casar nesta igreja, conheceram o pároco Pe Michelino, que os chamou para participar da Pastoral da Família. Durante seus 1 ano e 9 meses de noivado, e atuais 2 anos de casados, eles vem participando das palestras quinzenalmente, tal como de sua organização. "Estes 4 anos de participação na Pastoral da Família fizeram com que aprendêssemos muito e esperamos agora poder contribuir bastante com esse novo meio de aprendizado que é o blog Casa de Família"
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Uma resposta para No sofá da sala para acompanhar o Oscar!!! – O Discurso do Rei – Tom Hooper

  1. Eliana Goffi Costacurta disse:

    Muito bom Zé Armando! Ontem fomos assistir o filme; além da importante necessidade de um coaching, chamou-me a atenção a atitude da esposa de George VI com seu apoio permanente e sereno; o carinho do rei por suas filhas; a luta e consequente superação pessoal do rei. Um filme sem apelações “violentas”, com forte contribuição à dignidade humana. Um abraço, Eliana.

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