Escola em casa?

O tema da educação escolar em casa é muito polêmico entre educadores, pedagogos e pais de família. Há os que concordam e acham que estamos atrasados em relação a outros países (alguns da Europa e também nos Estados Unidos) onde esta prática já é possível. Entretanto, há os que discordam radicalmente, alegando que a dimensão do relacionamento social da criança, entre outros efeitos, fica muito prejudicada.

Um artigo publicado recentemente no jornal “O Estado de São Paulo”, edição de 29/01/2011, despertou-me a atenção para o assunto e então resolvi partilhá-lo com os leitores do site Casa de Família. O título do artigo era “Justiça autoriza família a educar filhos em casa”. Abordava o caso de uma família de Maringá (PR) que conseguiu autorização judicial para educar seus dois filhos em casa. Com apoio do Ministério Público, os pais conseguiram convencer o juiz da Vara da Infância e da Juventude de que a educação domiciliar é possível teoricamente e não traz prejuízos às crianças. Uma família de Serra Negra (SP), que também tirou os filhos da escola, ainda tenta provar na justiça que tem condições de educá-los em casa. Em Minas, um casal foi condenado pelo crime de abandono intelectual, uma vez que no Brasil, a legislação vigente determina que as crianças sejam matriculadas em escola de ensino regular. Caso os pais não matriculem os filhos na escola, podem ser processados. As penas podem ser multa ou detenção de 15 a 30 dias ou até mesmo a perda da guarda da criança.

No caso de Maringá, as crianças são avaliadas pelo Núcleo Regional de Educação, órgão vinculado à Secretaria de Educação, que lhes avalia mediante a aplicação de provas das variadas matérias do período em que a criança estiver cursando, além de uma avaliação psicossocial.

Sabe-se que a educação escolar regular no Brasil passa por uma intensa e prolongada crise, tanto no âmbito das instituições públicas como das privadas. A cada ciclo de gestão governamental, novos índices de avaliação do aprendizado são criados, porém sempre com resultados considerados insuficientes pelas instituições internacionais da área da educação. Nas escolas públicas também se depara com o problema da baixa remuneração dos professores, ocasionando cada vez mais a desqualificação dos docentes nestas instituições. Nas escolas particulares, por outro lado, as famílias enfrentam dificuldades com as mensalidades nas melhores instituições e acabam por matricular os filhos em instituições nem sempre eficientes. Diante desses problemas, surge o questionamento por pare de alguns pais se não devem assumir para si mais esta responsabilidade na formação de seus próprios filhos.

Deve ficar claro, entretanto, que enquanto a legislação brasileira não for alterada para permitir tal prática, os pais que pensarem nesta possibilidade de educação escolar para seus filhos, devem sempre fazê-lo mediante autorização judicial, que julgará entre vários critérios, principalmente o da capacidade e competência dos pais para isso, como também a forma pela qual as crianças serão avaliadas periodicamente.

Não se pretende aqui defender um ou outro caso da educação escolar, mas sim propor questionamentos e possibilidades que cada vez mais vão se tornar realidade em nossa sociedade. Que acima de tudo continuemos firmes na esperança de que um dia teremos melhores índices nos resultados das pesquisas sobre a educação em nosso país, principalmente nas escolas públicas, de forma que todos possam ter direito a uma educação escolar de qualidade.

Abraços e até a semana que vem

Heraldo

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7 respostas para Escola em casa?

  1. Luiz Coelho disse:

    Bom dia….

    Como de costume uma ótima leitura !!

    Uma palavra que me chamou a atenção no último Parágrafo foi…….Esperança !!

    Sonhar, ter fé, rezar, imaginar…..é de extrema importância ! Nos dá ânimo, nos inspira a prosseguir…nos motiva ! Mas só a parte platônica, não basta…ela deve sim permear e envolver todo o período de trabalho, esforço e dedicação; para que mais adiante alcancemos nossas metas e objetivos !

    Somos um pais em desenvolvimento, bastante adiantado em certos setores em comparação com a maioria; mas possuímos vícios e defeitos que beiram a de países subdesenvolvidos. Apenas para citar um exemplo, temos um dos melhores níveis de equipamentos, pesquisas e profissionais na área odontológica; entretanto somos o pais com o maior numero de pessoas com problemas bucais !

    São diversas as situações emplemáticas da nossa cultura como a dita por vários educadores que lamentaram a escolha de Francisco Everardo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, que teve de passar um teste de alfabetização para ser deputado, para membro titular da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

    Infelizmente, a educação está se tornando uma “palhaçada”, como outros setores; mas o que podemos fazer reverter essa situação ? Alguns pais optaram pelo ensino domiciliar como uma forma paliativa de resolver o problema, mas tenho certeza de que nossos filhos merecem muito mais do que isso !

    Estamos ainda no primeiro passo : ESPERANÇA !…..Precisamos urgentemente dar o segundo, o terceiro passo…e começarmos a “correr” em direção a uma melhor qualidade na educação escolar de nossos filhos. Antes que sejamuito tarde, pois isso depende, também, de nós !

    Abraço.

  2. vreginato disse:

    Heraldo

    A este respeito gostaria de falar de um artigo que saiu recentemente no “Estadão “, onde o ex- ministro do STF Eros G. analisa a questão do ensino religioso. Existe tramitando uma proposta para que se retire das escolas o ensino religioso. A velha história do Estado laico. O ex-ministro defende que isto não deveria ser feito, e muito menos se basear no princípio da anticonstitucionalidade. Para ele é fundamental que se respeite o acordo realizado ainda no governo Lula entre o Brasil e o Vaticano, de modo a assegurar o ensino religioso nas escola, respeitadas as crenças de cada um. Para ele a formação religiosa deve fazer parte da educação da pessoa enquanto sua atenção global.

    O processo está em andamento, mas desde já, aproveitando o seu artigo Heraldo, devemos estar alerta para a formação religiosa de nossos filhos, que deve ser antes de mais nada ( inclusive em relação ao Estado, princiopalmente), um dever dos pais. Sabemos que existe uma tendência de uma “educação religiosa ecumênica” nas escolas, ou mesmo “ecológica”. Ora, respeita-se o ecumenismo, assim como a ecologia; mas a educação dos filhos deve corresponder em princípio com a crença dos pais, por uma questão de coerência. Se posteriormente, quando crescidos, desejarem migrar para outras crenças ou ficar sem nenhuma, isto é consequência da liberdade. Contudo, o que não se deve é esperar crescer para ver no que irão acreditar, assim como não se espera crescer a criança para perguntar o que ele deseja comer.

    Valdir

  3. Cristiane disse:

    Prezado Heraldo,

    A Educação de uma criança é dever e direito dos pais, assistida pelo Estado e pela sociedade (aqui incluem-se comunidade, escola, meios de comunicação, Igreja). Tenho uma amiga aqui nos EUA que faz “homeschooling”. Tem 3 filhos e a casa cheia de livros. Todo ano ela participa de um congresso sobre homeschooling onde adquire material adequado para continuar sua opção de educar os filhos em casa. Algumas de suas atividades são feitas em conjunto com outras mães que também são professoras de seus filhos. Ou seja, há toda uma infraestrutura que suporta este tipo de opção. Ressalto ainda que se trata de uma opção também política da parte dessas mães: ela sempre afirma que, prioritariamente, a educação é responsabilidade dela e de seu esposo. Por conta disso, ela não trabalha fora, apesar de ter graduação em Ciência da Computação pela Unicamp – é dessa época a nossa amizade. Se no Brasil começam a aparecer alguns pioneiros nesse campo, pode ser que, num futuro não muito distante, tenhamos uma estrutura de apoio para esses pais. Vou falar para ela dessa discussão aqui, quem sabe ela apresenta o ponto de vista dela…
    abraço,
    Cristiane

    • sheila disse:

      Boa tarde Cristiane, estou a procura de base para fazer aqui no Brasil. Estou passando por tantas dificuldades com meu filho tem 8 anos e não aprendeu a ler, repetiu de ano e as crianças começas a debochar dele, não importando as turmas…Hoje uma professora mãe me contou que meu filho não pôde participar de uma comemoração pq não tinha terminado a tarefa, a professora mãe de um colega questionou então a professora dele permitiu que ele comesse…É mole? Estou arrasada, magoada e sem forças. Minha cidade é pequena e as duas escolas particulares tratam as crianças dessa forma e a pública está entregue ao desmando….O que faço? Peça ajuda a sua amiga por mim…Grata

      • Cristiane disse:

        Olá, Sheila,
        Acho que ainda estamos longe de, aqui no Brasil, termos Homeschooling. As alternativas são escolas pequenas, comunitárias que têm uma postura alternativa em relação às grandes e numerosas salas dos colégios tradicionais… Não sei se você encontraria alguma escola desse tipo em sua cidade… Se quiser, lhe passo o contato da minha amiga brasileira que mora nos EUA e fez homeschooling com os filhos. Lá existe uma boa estrutura para isso. Quem sabe ela conheça, mais do que eu, e até possa lhe orientar a respeito do tema aqui no Brasil. O nome dela é Lea Chiquito (lea.chiquito@gmail.com).
        abraço e boa sorte!
        Cristiane

  4. FÁBIO RUBENS AVELAR disse:

    ACHO UM ABSURDO,ESSA DE PROIBIR,OS PAIS DE PRODEGER,EDUCAR,SEUS FILHOS
    ISSO TEM QUE PARAR, E URGENTE,POIS PRECIZAMOS DE SERES HUMANOS,MELHORES
    EDUCADOS,PARA MELHORAR ESSE NOSSO MUNDO,COMO PAI DURANTE O TEMPO
    QUE MEU FILHO ESTA PARA ESCOLA FICO EM ALERTA VERMELHO O TEMPO TODO
    POIS NAO EXISTE NENHUMA SEGURANÇA,TANTO DENTRO COMO FORA AO REDOR DA ESCOLA,TINHA QUE PEGAR OS FILHOS DESSES JUIZES E POR NA ESCOLA DO
    POVO PARA VER SE ELES VAO NEGAR,ESSA DO CASAL NUNES DE TIMOTEO M.G
    E UM AFRONTO A TODOS NOS BRASILEIROS DE VERGONHA NA CARA.

    • Cristine Silva disse:

      Sr. Fabio, o problema nao esta somente no ensino das escolas publicas mas tambem nas particulares. Os conteudos programaticos estao cada vez mais deficientes e os professores influenciados por ideias propagadas socialmente para deturpar a verdade. Apenas podemos dizer que nas escolas particulares seria mais dificil o trafico de drogas devido aos segurancas contratados por essas instituicoes.

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