Cinedebate – O Visitante – Thomas McCarthy

Olá leitores do Casa de Familia!!! Bem vindos a mais um No Sofá da Sala!!!

O VISITANTE

Fonte: Educar no humanismo

Uma circunstância fortuita cria o cenário. Um professor encerrado na sua solidão e um casal de emigrantes. A juventude e os sonhos topam com o ceticismo de quem vive acidamente, faz de conta que trabalha, vive “porque a vida dura”, no dizer de Fernando Pessoa, e não escapa às tristes consequências que adverte o poeta português: tem por vida a sepultura. As dificuldades são a faísca que desperta o professor do marasmo, obrigando-o a abrir-se aos outros. Atitude perigosa, esta que permite que os outros entrem na nossa vida –naturalmente carregando seus problemas- complicando-a, e tornando-a nova, maravilhosa, colorida. É nas aventuras onde se encontra o amor perdido, aquele que foi se esvaindo sem repararmos, nos meandros das rotinas diárias, das adversidades mal digeridas, dos desenganos que o mundo – somos todos imigrantes!- nos proporciona em cada esquina.

Conforme o filme corria, uma sensação de déjà-vu cutucava minha memória. Onde vi isto antes? Não o argumento, nem as personagens, mas a atmosfera que envolve a trama? E, de repente, enquanto surge aquela mulher atinada, de olhar cálido, discretamente distante, a lembrança golpeia a memória: Casablanca! Sim, é isso. Isto é Casablanca revisitada.

O professor entocado na sua docência, que no fundo despreza; faz de conta que trabalha e se engana a si mesmo no fingimento. Magoado pela vida, busca nas lembranças musicais, sem sucesso, o calor da mulher que amava e admirava. Tudo é falso, carece de talento para a música, é um fracassado querendo enganar o mundo com alguma conquista acadêmica. E nesse clima, acabando o filme, pareceu-me ver Rick –Bogart em Casablanca- comandando o cassino, alheio a tramas políticas e a qualquer mulher, conversando com o professor, solidário no desprezo global pela raça humana, e por eles mesmos.

Aqui é a batucada que abre a brecha no afeto impermeável do professor, lá é Sam que toca, mesmo proibido, “As times goes by”. A música é o preludio que se atreve a soltar as amarras de um coração que, sendo grande, hibernava golpeado pelo desengano. As cartas de trânsito que permitiriam voar até Lisboa, os papeis do imigrante ilegal que a polícia não admite, são o momento de envolver ambos –Rick e o professor- numa briga que nunca quiseram comprar, que não lhes diz respeito. E, depois, a presença de uma mulher que inunda a tela, uma dama com tremenda classe, que resgata a dignidade de quem tinha desistido de amar.

(…)

Nesse cenário cultural da elite universitária, creio que posso me permitir sonhar com os filmes, e viajar de um a outro, e invocar livros, pensadores, filósofos e poetas, como fazia o velho sábio, Boécio, quando escreveu “A consolação da filosofia”, intuindo a barbárie que lhe rodeava. Sim, senti Casablanca em “O Visitante”, e vivi de novo a aventura de Rick e Ilse, e lamento que outros não alcancem a viver esta experiência. A atmosfera de Casablanca envolvida em outro papel de embrulho. E isso, por não falar da cena do aeroporto, que até nisso guardam sintonia.

A abertura para os outros, romper a crosta do egoísmo, disfarçado de indiferença que protege de futuros desenganos. Esse é o recado do filme – de ambos os filmes-, esse é o desafio. Um desafio que custa, porque o eu puxa muito, demais. E nos leva a um isolamento enorme, que se engana a si mesmo com uma avalanche de comunicação fácil, rápida, através de redes sócias, mensagens eletrônicas, repletas de abreviatura e lugares comuns, e saturadas de vazio, porque espremidas, não rendem duas gotas de conteúdo.

(…)

Para ler mais: Educar no humanismo

Trailer do filme:


Link no IMDB: www.imdb.com/title/tt0857191

Bom final de semana!!!

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Sobre Familia Guarita

Zé (José Armando - engenheiro civil) e Malu (Maria Lucia - médica fisiatra) se casaram em junho de 2009 na igreja Nossa Senhora do Brasil. Ao se inscreverem para casar nesta igreja, conheceram o pároco Pe Michelino, que os chamou para participar da Pastoral da Família. Durante seus 1 ano e 9 meses de noivado, e atuais 2 anos de casados, eles vem participando das palestras quinzenalmente, tal como de sua organização. "Estes 4 anos de participação na Pastoral da Família fizeram com que aprendêssemos muito e esperamos agora poder contribuir bastante com esse novo meio de aprendizado que é o blog Casa de Família"
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