Encontrar com José

Neste período do Advento gostaria de dedicar o dia de hoje a pessoa de São José. A Igreja desde muito cedo na sua história passou a venerar a figura de São José. São muitos os santos que dedicaram uma devoção especial a este santo que passa pelos séculos silencioso nas suas plavras, mas muito ativo pelas suas atitudes descritas no evangelho.

De fato, pouco se fala do “homem justo” que recebeu a incumbência de ser o pai adotivo do Filho de Deus. Nenhuma palavra está dita pela sua boca. Seu lugar é sempre reservado, vinculado aos personagens centrais de Maria e do Menino Jesus. Mas quem foi São José?

Nenhum filho escolhe o seu pai, mas Deus assim o podia e o fez. Um pai escolhido pelo Filho. E não poderia fazê-Lo de modo diferente, escolhendo dentre todos aqueles que teria maior dignidade para colocar-se como esposo da mais formosa dentre as mulheres, e protetor do próprio Deus aqui na Terra, na sua coondição de criança, frágil, e indefesa.

É preciso conhecer a São José no silêncio de suas passagens e jamais confundi-lo como alguém que não tinha personalidade própria. José estava desposado de Maria que já se sabia ser mulher exemplar. A gravidez de Maria, totalmente inesperada, deve ter sido um verdadeiro susto para José. No entanto, sem compreender o que teria acontecido, opta por afastar-se de modo a sugerir ter sido ele culpado, para que não recaísse para Maria a desonra e apedrejamento, próprio para as circunstâncias da época. Ele não a acusa, mas coloca-se na suposta siuação de culpado. São os planos de Deus em ação.

O esclarecimento do anjo faz com que José receba a Maria como esposa, e com ela permanece em relação imaculada por toda a vida, conforme os planos de Deus. Não houve falta de amor conjugal, mas a plena realização do amor onde a vontade de Deus deve sempre dominar. Um amor para muitos incompreensível no plano humano, mas pleno, pois estava no próprio Deus encarnado.

Querem muitas vezes pintar a José como um velho para justificar a castidade conjugal. Mas com certeza não poderia ser velho para suportar os caminhos difíceis que anda, descritos nos evangelhos, inclusive  a fuga para o Egito. Era homem viril, jovem e com pleno amor. Não é preciso esperar a velhice para a castidade.

Demosntra uma fé e confiança inabalável quando vai para o Egito a pedido do Anjo, logo após o nascimento de Jesus. Sem recursos outros senão as suas mãos e um coração cheio de vontade para trabalhar para Deus. Trabalho que fazia com esmero e santidade. Não é fato que o Menino Jesus o ajudava no trabalho com “pequenos milagres” para arrumar o que não dava certo. José é padroeiro dos trabalhadores e modelo para os que querem trabalhar com santidade.

Era determinado e ao mesmo tempo que obediente  pensava.  Por isto ao retornar do Egito não vai para a cidade onde está o filho de Herodes, para proteger o Menino. Observa o diálogo de Maria e de Jesus quando Este fora encontrado no templo.

José não assistiu a milagres, como os apóstolos.  Desaparece das páginas do Evangelho sem ser menciada a sua morte. Fez o que devia, sentindo-se  como um servo inútil ao término da jornada, vai embora, sem que seja notado. Esteve presente no necessário, sem querer aparecer. Seu Filho, o Mestre é Quem deve ir à frente.

Deixa um exemplo de santidade para todos, especialmente para os chefes de família. Recorrer a São José, diária e constantemente. Conviver com ele, como amigo, conselheiro, pai. Com ele nos aproximaremos da gruta de Belém, e lá encontraremos Maria e o Menino.

Que nesta semana aumentemos a nossa devoção a São José no presépio!

Na próxima semana vamos encontrar sua esposa, nossa Mãe.

Abraços

Valdir

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Sobre vreginato

Casado e tem três filhos. Médico e Terapêuta de Família. Professor de Bioética, Históra da Medicina e Espiritualidade e Mediicna na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp, Coordenador da Pastoral da Família da Paróquia Nossa Senhora do Brasil
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3 respostas para Encontrar com José

  1. Alessandra de Angelis disse:

    Valdir,
    Belíssima história. Faz com que as pessoas se emocionem.

    Parabéns!!
    Alessandra de Angelis

  2. Cristiane disse:

    Vadir,
    Obrigada pelo belo texto! Gosto muito das imagens de São José carregando o menino Jesus em seu colo. Onde estava Maria nesta hora? Talvez fazendo alguma outra coisa na casa, talvez descansando, talvez rezando… O fato é que José dividia com ela a tarefa de cuidar do pequeno menino. E nós mães bem sabemos o quanto vale essa ajuda!!!
    Uma vez, meu esposo ficou por 8 dias cuidando de nosso filho mais velho – na época com 2 anos – para que eu fizesse um retiro espiritual de silêncio em Itaici, na região de Campinas. E lá em Itaici eu gostava de me aproximar de uma imagem de São José todas as noites, na hora do chá. E numa dessas noites me dei conta disso: também eu tinha um “José”! Foi uma experiência muito especial, que encheu meu coração de gratidão.
    abraço,
    Cristiane

  3. lutfeyunes disse:

    Valdir, que texto lindo, fez-me refletir muito e amar José!!!
    Fique com Deus, do amigo, Lutfe

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