Não à ira e à vingança

É uma importante missão dos pais a educação dos filhos para a prática do perdão, procurando combater desde a primeira infância atitudes de ira que possam brotar nos seus corações. A ira é como um veneno para a alma, chegando a matar primeiro quem a cultiva do que a pessoa a quem ela se destina. Uma pessoa irada sofre alterações em seu sistema nervoso, contraindo gastrites, arritmias cardíacas, elevações de pressão arterial, entre outras. Então é preciso combatê-la e ensinar também aos filhos tal procedimento. Jesus foi incisivo ao falar sobre essa questão no anúncio da Boa Nova: “Tendes ouvido o que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra.” (Mt 5,38-39) O Antigo Testamento até permitia uma forma de vingança, a de agir na mesma proporção do que se recebeu, como se estivesse agindo assim com justiça. Entretanto, bem sabemos que uma pessoa irada tende a ir além da ofensa recebida, tamanho o descontrole emocional gerado pelo sentimento da ira. Então Jesus veio anunciar o caminho do perdão, completando a Lei no que ainda era imperfeita. Sabemos que não é fácil agir assim, porém é necessário ir se educando para a mansidão, para a capacidade de perdoar e para renúncia ao direito de se vingar.

Em seus ambientes de vida, nossos filhos serão interpelados a agirem contrariamente a essa prática, sendo constantemente instigados a se vingarem, pagando o mal com o mal. E mesmo dentro do próprio lar, não poucas vezes veremos os filhos se irando uns com os outros, ainda que por motivos fúteis. É preciso agir com firmeza exigindo que se perdoem e que não cultivem o ódio, chegando a passar longos períodos sem se falarem. As Sagradas Escrituras nos exortam: “Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento. Não deis lugar ao demônio.” (Ef 4,26-27)

Saber passar por cima de uma ofensa recebida não é um ato de fraqueza, de timidez ou de inferioridade e sim de fortaleza, de temperança, digno de pessoas verdadeiramente fortes. Jesus Cristo nos ensinou a perdoar sempre, a ponto de morrer numa cruz, perdoando seus algozes. Que Ele nos fortaleça e nos capacite, pelo dom do Espírito Santo, a imitá-lo na atitude de amar até ao extremo, se preciso for. E que nossos filhos rumem conosco nessa direção.

Abraços e até a próxima semana.

Heraldo

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5 respostas para Não à ira e à vingança

  1. Luiz Coelho disse:

    Bom dia…gosto do texto ( adaptado ) do livro de Daniel Carvalho Luz – Insight, que demonstra bem o tema do dia…

    “A raiva é um vento que apaga a luz da mente.”

    Você tem ferida no coração?

    Talvez a ferida seja antiga. Um genitor violentou você. Um professor o humilhou. Um companheiro o traiu. Um sócio o enganou, deixando você com opção de pagar as dívidas ou ir à falência. E você ficou aborrecido.

    Ou talvez a ferida seja recente. O amigo que lhe deve dinheiro acaba de passar dirigindo um carro novo. O chefe que lhe deu o emprego com promessa de promoção esqueceu a pronúncia de seu nome. (…) Os filhos que criou parecem ter esquecido que você existe. E você ficou magoado. (…)

    E você tem uma decisão a tomar. “Apagarei o fogo, ou o alimentarei? Esqueço ou me vingo? Liberto-me, ou fico ressentido? Permitirei que sejam curadas minhas feridas, ou as transformarei em ódio?”

    Aqui está uma boa definição de ressentimento: é deixar suas feridas se transformarem em ódio. Ressentimento é permitir que aquilo que está matando você o destrua totalmente. Ressentir-se é atiçar, alimentar e abanar o fogo, aumentando as chamas e reavivando a dor.

    Você não gosta de ficar junto das pessoas que nutrem ressentimento? Não é um prazer ouvi-las contar seu conto lamuriento? Elas são tão otimistas! São cheias de esperança! Explodem de alegria com a vida! Você sabe que não é assim. (…)

    Perdoe!E você? Está permitindo que suas feridas se transformem em ódio? (…) O ressentimento é a cocaína das emoções. (…) Uma pessoa inclinada à vingança inconscientemente se afasta mais e mais da capacidade de perdoar, porque sem raiva ela está privada de uma fonte de energia.

    Livre-se do ressentimento porque como a cocaína pode matar o viciado, a raiva também pode matar o raivoso. Pense nisto e comece a perdoar.

    “O ódio não afeta o objeto odiado, mas arrasa o receptáculo que o carrega”. (Tom MacDonald Hill)

    Abraço

  2. Valdir disse:

    Caríssimo Heraldo

    Mais uma vez um grande tema, e muito bem completado pelo Luiz Coelho. Deixo uma breve contribuição “médica”.

    Sem dúvida o perdão é terapêutico, o ódio, a raiva são doenças que arrasam com o corpo e a alma.

    Ensinar aos filhos o caminho do perdão é vaciná-los contra as injustiças, as ameaças, as vinganças, as mágoas, as trapaças, as traições,…. que em maior ou menor grau todos nós enfrentamos o longo da vida. A vacina do perdão, colabora para que estas “doenças” nãos nos afastem do caminho da felicidade, do amor.

    Muito obrigado

    Valdir

  3. Luiz Coelho disse:

    Coincidência ??….texto divulgado hoje na mídia…”Casa de Familia” também é cultura !!!!


    As pessoas de personalidade explosiva ou agressiva podem estar correndo um risco maior de problemas nas coronárias, como infarto e isquemia. A constatação é resultado de uma análise de 44 estudos, divulgada no Journal of the American College of Cardiology. Ela aponta que pessoas que apresentam acessos de raiva e agressividade têm 19% mais chances de sofrer um evento cardiovascular, mesmo quando saudáveis.

    Com base nos dados de cerca de 80 mil pacientes, o estudo mostra ainda que, no caso das pessoas com esse perfil e com doenças cardiovasculares, o perigo de um infarto ou isquemia aumenta em 24%. De acordo com os pesquisadores, a hostilidade estaria ligada também a maus hábitos. De maneira geral, segundo eles, as pessoas mais agressivas dormem mal, exercitam-se pouco, fumam mais e aderem menos aos tratamentos de saúde.

    No caso da relação com a raiva, os especialistas dizem que nos momentos de agressividade o organismo libera adrenalina, hormônio que eleva a frequência e a força dos batimentos cardíacos e causa contração das artérias, dificultando a passagem do sangue. A pressão arterial também aumenta, fazendo com que o coração necessite de mais oxigênio, contribuindo para um quadro perigoso para aquelas pessoas que já sofrem de algum comprometimento das artérias, mesmo que pequeno e não diagnosticado.

    É nesse cenário que pode ocorrer um entupimento dos vasos, levando a um desequilíbrio na oxigenação do coração e contribuindo para a ocorrência de isquemias e infartos. “

  4. Cristiane disse:

    “Mas ele também me empurrou!…” – costumo ouvir de um filho a respeito de outro. Como se o fato de ter sido empurrado justificasse o próprio ato de empurrar.
    Daí me pergunto: quem ensinou a eles tal “senso de justiça”?
    Um tem 7 anos e o outro tem 5! Como já tão pequenos carregam esta necessidade de vingança?!

    Deus nos ajude a ensinar-lhes que o caminho é outro: o caminho do perdão, ensinado por Jesus, e hoje apresentado por Heraldo nesta reflexão.

    Obrigada,
    Cristiane

  5. Maria José disse:

    Heraldo,querido amigo…filho de coração…creia que mais do que palavras,os exemplos arrastam e bons exemplos é que não faltam na sua conduta como pai-ser humano especial que sempre foi.
    Sua fonte ,que é o próprio Deus,tem inspirado gotas de sabedoria que alimentam a muitos,porisso agradeço a Deus por seus ensinamentos,peço que lhe abençõe,com carinho!
    Realmente,um coração que se exercitou no perdão,é repleto de paz e alegria…grande abraço!
    Zezé.

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