Aborto de anencéfalos?

O jornal “O Estado de São Paulo” publicou nesta quarta-feira (16/06/10) uma reportagem sobre a tentativa de um casal mineiro de interromper com autorização judicial a gravidez, sob a alegação de anencefalia do feto. O juiz que respondia pelo caso, Marco Antônio Feital Leite, da 1ª Vara Cível de Belo Horizonte, indeferiu o pedido, esclarecendo que o direito à vida é garantido pela Constituição do país e que não há permissivo legal para se interromper uma gestação no caso de má formação. Mesmo analisando os laudos médicos que acompanharam o processo, indicando a inviabilidade de sobrevida do feto após o nascimento, ele argumentou que este fato não comprovava um perigo iminente de morte da mãe, ou seja, o aborto não seria o único meio de salvar a vida da gestante.

Sabemos que este é um assunto delicado de ser abordado e gera polêmica quando se defende um ou outro ponto de vista das partes. Não queremos com esta reflexão gerar polêmica com nosso ponto de vista de cristãos, mas ressaltar a coragem e o exemplo deste juiz diante de um caso assim. Uma grande maioria de juristas e até mesmo a Advocacia Geral da União (AGU) defendem a liberação do aborto em casos de anencefalia do feto. E remando contra toda uma corrente de pensamentos comuns em seu ambiente profissional, este juiz teve a coragem de se manifestar em defesa da vida. Além de ser um direito constitucional, para nós cristãos, a vida é um dom de Deus e só a Ele cabe decidir o momento em que ela possa ou deva ser interrompida.

Todas as questões relacionadas com a moral católica (ou cristã) e com assuntos da área de bioética, geram polêmicas até mesmo entre os que se dizem católicos. É certo, porém, que todo assunto relacionado com questões morais, deve sempre ser tratado posteriormente à evangelização da pessoa, ou seja, é preciso em primeiro lugar que a pessoa tenha uma experiência de Deus em sua vida, para então poder com liberdade e consciência escolher o caminho mais difícil indicado pela doutrina católica.

Há alguns anos atrás a imprensa publicou o caso de um bebê anencéfalo que nasceu no interior do Estado de São Paulo e viveu 1 ano e oito meses, a menina Marcela de Jesus Ferreira, filha de Cacilda Galante Ferreira que declarou quando ela nasceu: “Em nenhum momento pensei em abortar este presente de Deus. Quando ela nasceu eu a consagrei a Deus e enquanto ela estiver comigo, vou cuidar bem dela, aliás, muito bem”. Este foi um caso raríssimo de anencéfalos, pois a grande maioria não sobrevive sequer por algumas horas. Entretanto, a pequena Marcela acabou se tornando um ícone do movimento anti-aborto.

Mais uma vez ressalto que a intenção dessa reflexão não é polemizar ainda mais um assunto tão delicado em nossa sociedade, mas sim a de promover a valorização de vida em todas as suas etapas, mesmo que as condições para isso sejam, em alguns casos, muito difíceis de serem enfrentadas.

Abraços e até a semana que vem.

Heraldo

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9 respostas para Aborto de anencéfalos?

  1. Mari disse:

    Muito bom Heraldo !
    Como cristã e médica, somente com a graça da fé, temos força e coragem de nos posicionarmos dia-a-dia quanto a questões como esta, que por incrível que pareça, são tão “sutis” e mais frequentes que imaginamos !!!
    Forte abraço !

  2. Valdir Reginato disse:

    Caro Heraldo

    Realmente o tema da anencefalia é delicado e sem dúvida bastante sofrido. No entanto, é válido dizer que a medicina avança em resposta ao sofrimento procurando sempre minimizá-lo, preservando a vida do sofredor e não matando-o.

    Imagine que desde o princípio, quando não tínhamos praticamente recursos médicos, se ao invés de tentar tratar as pessoas, nós a matássemos! Não teríamos avançado nada!

    Caso se abra esta brecha, tenha a certeza que por aí começaram a entrar uma série de outras condições, não tão graves e polêmicas como a anencefalia. Foi o que ocorreu com a eutanási na Holanda, que há 20 anos autorizou para casos de extremo sofrimento, e hoje os idosos fogem de lá para não serem “eutanasiados” contra a vontade.

    É preciso buscar na pesquisa uma resposta. O sofrimento acompanha e acompanhará a humanidade, enquanto existir. O número de situações assim são incontáveis, e não se restringem a anencefalia.

    A ciência quando bem intencionada pode ajudar muito. Deixe que conte uma história. Sabe como se conseguiu diminuir drasticamente o número de crianças nascidas com problemas neurólógicos severos? Há muitos anos um pesquisador queria fazer um anticoncepcional, e ao invés disso, o que conseguiu foi uma droga que não só não evitava a gravidez, como as mulheres além de engravidar, tinham um elevado percentual de filhos com sequelas neurológicas gravíssimas. Ele abandonou o projeto. Posteriormente, outros pesquisadores retomaram a pesquisa com outro enfoque. Descobriram que aquela droga evitava a ação de uma vitamina chamada ácido fólico, fundamental para o desenvolvimento neurológico. Passaram a oferecer acido fólico a todas as gestantes, e com isto se verificou uma queda fantástica nos casos de crianças com má formação neurológica. E até hoje as gestantes consomem ácido fólico, e se introduz acido fólico nos alimentos mais comuns nos países subdesenvolvidos para que não ocorra mais carência desta substância.

    Abandonar o problema e deixar de preocupar-se com ele não é a solução. A convivência com a dor, sem dúvida é difícil, mas mais difícil é passarmos a matar a vida pensando que estaremos sendo mais felizes por isto.

    Vladir

  3. Fabiano São Pedro disse:

    Diante de uma cultura de morte, a posição de desse Juiz nos faz perceber que com a graça de Deus temos homens e mulheres que buscam a defesa da vida, nós como Cristãos devemos ir sempre além. Tempos dificieis estamos vivendo, e temos que sair de nós mesmos e viver a Kenosis de maneira de sermos verdadeiros Cristãos para que todos tenham vida e vida em abundância!!!!
    Parabéns!!! Heraldo

  4. Luiz Coelho disse:

    O tema aborto já é bem polêmico por si só….sendo de uma criança com anecefalia é ainda mais delicado……Este tema ( aborto ) me lembrou uma estória que narro a seguir :

    Uma mulher chega apavorada no consultório de seu ginecologista e diz:

    Doutor, o senhor terá que me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e já estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro…

    O médico então perguntou:

    Muito bem. O que a senhora quer que eu faça?

    A mulher respondeu:

    Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.

    O médico então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para a mulher:

    Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

    A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido. Ele então completou:

    Veja bem minha senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco…

    A mulher apavorou-se e disse:

    Não doutor! Que horror! Matar um criança é um crime.

    O médico então diz :

    Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la.

    O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no seio materno.

    O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!!!!!

    Luiz

  5. Marcelo disse:

    É um assunto bastante polemico.
    Porém eu acho que vai além do tema aborto.
    Eu sou totalmente contra o aborto. Mas, num caso de anencefalia, me ponho a pensar como é que esse ser humano irá viver.
    Suponhamos que por um milagre, este ser sobreviva por dezenas de anos.
    Enquanto estiver sob os cuidados dos pais, terá casa, comida, carinho.
    Mas e depois que os pais falecerem?
    Quem é que vai cuidar deste deficiente? O governo? A igreja?

  6. Luiz Coelho disse:

    A posição do Marcelo é “correta”…..Realmente….ninguém mais tem problemas apenas as pessoas com anecefalia !!

    Pessoas sem os quatro membros, pessoas com problemas mentais, pessoas com degeneração dos órgãos, pessoas tetraplégicas, pessoas em coma; ou qualquer tipo de ser humano que por algum motivo dependerá a sua vida inteira de outra pessoa para poder sobreviver……por essa “lógica” também seria duvidosa a sua permanência aqui na Terra !!

    Não fomos feitos fortes e saudáveis para sobrepujarmos sobre os demais; mas para que pudéssemos carregá-los em nossos braços !!!! Não é por que a vida de alguém despenda mais cuidados que ela não tem o direito a uma vida dígna…….Pense nisso….e se fosse com você ??? Gostaria de ter o mesmo tratamento ?

    Luiz

    • claudiane disse:

      Luiz venho aqui falar como mãe e mulher, já tenho um filho e na segunda gravidez, desejada eu tive um bebê/ menina com anencefalia, é com muita tristeza que falo sobre o assunto ois acho que principalmente só quem vive esse sofrimento é quem deveria falar sobre ele, homens então não sabem nem o mínimo a reseito deste sofrimento, na minha primeira getação tive eclâmpsia, e na segunda gravidez mesmo antes de saber que o bebê tinha anencefalia minha pressão aumentou muito, a ponto de no primeiro mês eu entrar com medicação, passei mal várias vezes, fui internada pela pressão alta e quando recebi o diagnóstico meu deus eu não gosto nem de lembrar deste dia, fui ao médico, aliás 3 médicos e todos 3 me falaram que a opção da interrupção terapêutica do parto seria uma decisão minha e da minha família é claro pois a pressão não controlava nem com remédio, a falta de ar quem sentia era eu, a minha barriga com 4 meses parecia já de uns 7 meses pois aumentou muito o líquido amniótico, então eu e meu marido decidimos pedir o alvará judicial, fiz para acreditar neste problema da criança mais de 12 ultrassonografias com médicos diferentes e o meu medo de morrer falou mais alto fora a condição psicológica que eu fiquei abaladíssima meu deus não conseguia mais trabalhar e só chorava, então fiz a interrupção sim primeiramente por mim, me sinto egoísta sim, sou á favor da vida sim, acho que uma pessoa engravidar e não quere um bebê é muito triste como a gente mesmo vê ciranças em sacolas de lixo na rua, então Sr. Luiz acho que a decisão é difícil sim, é triste sim e quem deve falar sobre ela é somente quem já passou por isso, quem nunca passou que me desculpe não falem pois vcs não tem noção nenhuma de nada…….

  7. claudiane disse:

    Luiz venho aqui falar como mãe e mulher, já tenho um filho e na segunda gravidez, desejada eu tive um bebê/ menina com anencefalia, é com muita tristeza que falo sobre o assunto ois acho que principalmente só quem vive esse sofrimento é quem deveria falar sobre ele, homens então não sabem nem o mínimo a reseito deste sofrimento, na minha primeira getação tive eclâmpsia, e na segunda gravidez mesmo antes de saber que o bebê tinha anencefalia minha pressão aumentou muito, a ponto de no primeiro mês eu entrar com medicação, passei mal várias vezes, fui internada pela pressão alta e quando recebi o diagnóstico meu deus eu não gosto nem de lembrar deste dia, fui ao médico, aliás 3 médicos e todos 3 me falaram que a opção da interrupção terapêutica do parto seria uma decisão minha e da minha família é claro pois a pressão não controlava nem com remédio, a falta de ar quem sentia era eu, a minha barriga com 4 meses parecia já de uns 7 meses pois aumentou muito o líquido amniótico, então eu e meu marido decidimos pedir o alvará judicial, fiz para acreditar neste problema da criança mais de 12 ultrassonografias com médicos diferentes e o meu medo de morrer falou mais alto fora a condição psicológica que eu fiquei abaladíssima meu deus não conseguia mais trabalhar e só chorava, então fiz a interrupção sim primeiramente por mim, me sinto egoísta sim, sou á favor da vida sim, acho que uma pessoa engravidar e não quere um bebê é muito triste como a gente mesmo vê ciranças em sacolas de lixo na rua, então Sr. Luiz acho que a decisão é difícil sim, é triste sim e quem deve falar sobre ela é somente quem já passou por isso, quem nunca passou que me desculpe não falem pois vcs não tem noção nenhuma de nada…….

  8. Luiz Coelho disse:

    Minha querida amiga Claudiane….já havia me policiado a não mais comentar qualquer assunto no blog……leio-o quando posso…e me coloquei na postura apenas de platéia não participativa; mas pelo seu comentário resolvi fazer algumas colocações….

    Primeiramente meus mais profundos sentimentos pela sua dor e por tudo o que passou…..Quanto a dar opinião sobre um assunto, apenas quando se passou por ele como agente e não como expectador acho meio equivocado de sua parte…

    Conheci uma família que passou por tudo o que você relata…mas optaram em ter a criança… é lógico que passaram por diversas privações, frustrações, discriminações, etc… e aos 03 anos e pouco ( se não me engano )…a criança foi ao encontro do Pai celestial…..TODOS naquela família, tiveram aprendizados morais e espirituais ( depois da natural revolta inicial ); que só quem as ouve falando podem entender como essa família se tornou mais cristã com a vinha desta criança.

    O pouco tempo de convivência que essa família teve com esse “anjinho”…unio-a de forma inimaginável….a mãe diz com saudades, mas com muita alegria que sua vida se tornou uma felicidade por ter tido essa criança, mesmo por pouco tempo. Se emociona ao lembrar que ela entendia e sorria; e alegrava toda a famlia, quando lhe era mostrado um bichinho de pelúcia do Piu-Piu…

    Cada um sabe o peso da cruz que Deus lhe deu para carregar…..Eu acredito que tudo o que acontece em nossas vidas segue um propósito que muitas vezes não entendemos em princípio. No colégio em que meu filho estuda…existem crianças excepcionais, com hidrocefalia, com limitações motoras….e posso lhe garantir… que é a escola mais alegre do bairro…Muitas outras escolas disseram que não matriculariam tais crianças…..Eu pergunto quem será o ser humano com maior deficiência ?…Aquele com a deficiência física ou a deficiência moral ?

    As pessoas com necessidades especiais; aparecem em nossas vidas, eu acredito, para que paremos TUDO em nossas vidas e vejamos o que realmente é importante para a nossa elevação… A vida na Terra é somente uma passagem… No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e se esquecem de serem felizes, e fazem o que está ao seu alcance para tornar os outros infelizes.

    Cada pessoa reage a uma mesma situação de forma diferente…a família que relatei; sofreu uma transformação positiva por ter passado por uma experiência que muitos diriam que as fariam sofrer ( você assistia aos finais dos capítulos da novela Páginas da Vida ? )…enquanto que outras lamentam pelo fato….e não vêem qualquer forma de elevação, mudança de atitudes quem podem vivenciar com o ocorrido.

    Acredito que não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual…mas somos seres espirituais passando por uma experiência humana….a questão está em seremos mais humanos nas nossas escolhas, pois elas farão parte de nós….e suas conseqüências serão o nosso aprendizado….

    Que Deus abençoe a todos
    Luiz Coelho

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