Dependência do computador

É crescente o número de casos de adolescentes e jovens que se perdem no controle do uso do computador em seu cotidiano. Não há dúvida que todos os recursos que a tecnologia proporciona ao jovem são muito importantes para sua formação e desenvolvimento. Mas é preciso estar de olho nos exageros.

O jornal “O Estado de São Paulo”, de 10/05/10, publicou uma matéria intitulada “Dependência do computador afasta crianças e adolescentes do mundo real”, mostrando alguns dados desse problema que tem afetado nossa sociedade nesse início de século XXI. Comentou sobre o caso de alguns adolescentes que passam oito horas diárias ou mais diante do computador, sem se dar conta de que estão numa relação de dependência com a máquina. Quando estão diante da tela, não querem ser incomodados por ninguém e por vezes não querem nem parar para comer. Citou alguns núcleos de atendimento que procuram tratar do problema, em especial a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, que montou o primeiro serviço do país especialmente voltado para crianças e adolescentes viciados em jogos e internet. No primeiro mês de funcionamento do serviço, foram inscritas 50 pessoas, das quais 10 foram diagnosticadas como dependentes e passaram a fazer sessões de terapia para controlar e reverter o problema.

A situação pode ser pior nos casos das famílias em que ambos os pais trabalham fora, deixando os filhos em casa por algum período, sem a devida assistência de um adulto. As crianças e adolescentes não têm noção do tempo correto que podem permanecer diante de uma computador, e acabam se iludindo naquele mundo virtual de jogos e outras coisas ainda mais inconvenientes.

Temos experimentado em nossa família o caso de 2 sobrinhos com situação semelhante à aqui descrita, vivenciando hoje um quadro grave dessa dependência do computador e fuga do mundo real, configurando até um quadro depressivo, pois mesmo sendo maiores de 18 anos, não querem estudar e nem trabalhar. Passam todo dia trancados num quarto diante de um computador. Não queremos apontar culpados por uma ou outra situação, mas o fato é que este tipo de problema tem preocupado especialistas no mundo todo.

Na reportagem acima citada, são apresentadas estatísticas de que entre 5% e 8% dos usuários tendem a desenvolver dependência do computador, o que no Brasil significa um número da ordem de 4 milhões de pessoas.

Quando se trata de crianças, algumas formas de prevenção são: não deixar o computador no quarto e sim num ambiente de uso comum da casa, oferecer jogos reais e não virtuais, além das atividades de lazer fora de casa, como passeios ao ar livre e idas ao cinema.

Que possamos estar atentos com o comportamento de nossos filhos diante do computador, permitindo sim seu crescimento através de tudo o que ele pode proporcionar, mas zelando para evitar exageros que venham a causar sérios problemas para sua vida.

Abraços e até a semana que vem.

Heraldo

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3 respostas para Dependência do computador

  1. Valdir Reginato disse:

    Heraldo

    Muito oportuno o tema. Como médico e terapêuta já tenho atendido no consultório jovens com este tipo de problema, cujo tratamento se assemelha a dependência de drogas. O jovem já não se imagina ficar nem sequer um dia sem o computador.

    A consequência da substituição da vida real pela virtual, está também na valorização da vida, principalmente quando sem perceber, as pessoas acabam “morrendo” e voltando a viver centenas de vezes, como se estivessem numa eternidade aqui na terra.

    O seu alerta é importantíssimo, assim como as sugestões de “terapia”, ou seja, não adianta falar para sair do computador, é necessário que os pais criem alternativas sadias que naturalmente ocupem os filhos.

    Mais uma bola dentro do “Grande Heraldo”.

    Valdir

  2. Cristiane disse:

    Oi, Hera,

    Gostei muito de seu texto. E concordo com o Valdir quando enfatiza a importância de atividades alternativas. É muito tentador para as crianças – e vamos admitir – para nós adultos também, ficar diante da Internet, com a infinidade de coisas para ler, ver, interagir etc etc.

    Mas, para a saúde mental e espiritual de todos nós, é preciso limite! Como tudo o que é exagero não faz bem, também a vida virtual deve apenas fazer parte de nossa vida real, e nunca substituí-la.

    E a melhor forma de limitá-la é organizar atividades que não necessitem do computador, tanto para as crianças, como pra nós.

    Tenho um amigo, cujo diretor espiriual o proibiu de usar o computador/a Internet depois das 6h da tarde. É um bom exemplo, não?

    beijos,
    Cris

  3. Pingback: No Sofá da Sala… para repassar 2010!!! | Casa de Familia

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