Abortar ou adotar: eis a questão!

Frequentemente me espanta a reação de certas pessoas que, no afã de defender seus ideais a favor do aborto, ou então preguiçosas em procurar soluções úteis para crianças indesejadas, se lançam em uma luta na defesa daquilo que chamam “pró escolha” (do inglês pro-choise).

A solução mais simplista para os pais de uma criança rejeitada seria abortá-la, ou até matá-la logo após o nascimento. Porque, se é verdade que há alguns casos de gravidez de risco que atentam contra a morte da mãe, muito mais verdade ainda é o fato de que o aborto é uma operação de altíssimo risco em todos os casos, que além de colocar a perigo a vida da mãe, pode trazer consequências físicas lastimáveis e problemas psicológicos enormes.

Na contramão desse pensamento insensato e inumano encontramos uma solução ordenada e baseada em princípios da caridade cristã e do bom convívio social: a adoção.

Recentemente boa parte dos brasileiros que acompanhou os últimos Jogos Olímpicos de Inverno no Canadá torceu por um jovem mulato nascido no Brasil, abandonado por seus pais de nascimento e adotado por uma família italiana. Ao entrar no mundo do esporte o atleta adotou a nacionalidade brasileira para competir debaixo das cores verde-amarela, enchendo de orgulho a todos nós. Seu caso é típico de uma família sem recursos que não ousou tirar uma vida no útero materno e preferiu entregar à adoção, muito embora uma grande parte da sociedade pressione famílias desse tipo a fazerem abortos e livrarem-se do “problema” que é uma “criança sem esperança de um futuro feliz”.

Muito embora tivesse todos os motivos para abandonar o país que não lhe dera abrigo, o jovem fez questão de representar suas origens, ainda que aquilo remetesse a lembranças difíceis. A família italiana aceitou o desejo do filho, que garantiu o amor incondicional àqueles que o receberam com carinho, respeito e amor.

No ano passado, na França, um filme sobre o mesmo tema foi motivo de muita reflexão. A associação “Filhos da Rainha da Misericórdia” difundiu um relato que conta a história de alguns jovens abandonados da Etiópia que, após serem adotados por famílias francesas, voltaram a seus países de origem para conhecer suas raízes. É emocionante ver o amor que os pais adotivos ofereciam a seus filhos, independente de suas raças. Também é tocante o interesse e a vontade de querer saber de onde vieram por parte dos jovens. O filme “Retour en Ethiopie” reacendeu esse tema muito importante e cada vez mais esquecido.

A adoção é um ato extremo de caridade que deveria receber uma atenção especial de todos os órgãos governamentais, bem como da ONU. Entretanto o que se vê no mais das vezes é uma luta constante para a liberação do aborto. Uma solução simplista, que faz lembrar a bacia com água pedida por Pilatos para lavar as mãos, como forma de isentar-se de um crime do qual no mínimo ele foi conivente.

Ao invés de lavar suas mãos em bacias cheias de sangue de mártires indefesos, nossos políticos deveriam se preocupar em estruturar leis onde crianças desfavorecidas ou repudiadas pelos pais possam crescer em lares onde receberiam educação e formação religiosa e moral.

Anúncios

Sobre Miguel

Empresário, estudou letras em Paris e cursa Direito na Faculdade de Direito Mackenzie. Atua desde muito jovem em diversas associações católicas e movimentos em defesa da vida e pela família.
Esse post foi publicado em Geral e marcado . Guardar link permanente.

5 respostas para Abortar ou adotar: eis a questão!

  1. Familia Guarita disse:

    Grande tema, Miguel, para o dia de hoje em que ocorrerá a:

    4º Ato Público em Defesa da Vida:

    http://www.emdefesadavida.com.br/

    Estarei lá! Convido a todos que participem!!!

    Contarei aqui no blog na semana que vem!!!

  2. Valdir Reginato disse:

    Miguel

    Grande artigo! Maravilhoso!

    Esta é uma bandeira que levo também aos cursos e palestras que tenho oportunidade de dar , assim como em sala de aula.
    Uma sociedade que mata seus descendentes, e deixa abandonada outros necessitados está doente.
    Da mesma forma fazer bebe de proveta, ao custo de milhares de mortes embrionárias (seres humanos) , além dos que ficam congelados, ao invés de adotar um nascido também é um absurdo.
    Parabéns!

    Valdir

  3. Luiz Coelho disse:

    Uma mulher chega apavorada no consultório de seu ginecologista e diz:

    – Doutor, o senhor terá que me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e já estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e
    outro…

    O médico então perguntou:

    – Muito bem. O que a senhora quer que eu faça?

    A mulher respondeu:

    – Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.

    O médico então pensou um pouco e depois de algum tempo em silêncio disse para a mulher:

    – Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.

    A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.

    Ele então completou:

    – Veja bem minha senhora, para não ter que ficar com dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços.

    Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil,
    pois a senhora não correrá nenhum risco…

    A mulher apavorou-se e disse:

    – Não doutor! Que horror! Matar um criança é um crime.

    – Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la..

    O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no seio materno.

    O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!!!!!

  4. Familia Guarita disse:

    Pois é, Luis… não sei como tem gente que enxerga diferente…

    É miopia ou falta de óculos???

  5. marilia de siqueira disse:

    Muito bem esclarecido, Miguel! Vou usar seus argumentos para pacientes. Obrigada Marilia

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s