A cada dia basta o seu cuidado

É muito comum em nossos ambientes de vida, seja no trabalho, na comunidade de igreja ou mesmo com os vizinhos, encontrarmos pessoas demasiadamente preocupadas com o futuro. Quando se tratam de pais, a situação tende a se agravar ainda mais. São muitos os jovens que se casam atualmente e que não querem nem ter filhos, pensando em todas as despesas que terão com os mesmos ao longo da vida. Outros, mais abertos ao dom da vida, até aceitam ter um ou dois filhos, mas acima desse número nem pensar. É certo que, mesmo em termos doutrinários, a Igreja recomenda a paternidade responsável, permitindo aos cônjuges a liberdade de espaçar o tempo entre a concepção de um e outro filho, agindo sempre dentro de critérios objetivos da moral católica. Entretanto, o que assistimos em nossa sociedade é uma situação bem diferente. Divulga-se cada vez mais uma mentalidade anti-natalista em função das dificuldades econômicas para se manter um bom padrão de vida. E essa mentalidade é aceita até mesmo nos lares e famílias tradicionalmente católicas. Sabemos e admitimos que hoje em dia não seja muito fácil manter uma família mais numerosa. E se pensarmos bem, nunca deve ter sido fácil. Pode ter sido menos difícil economicamente, pois, em tempos passados, exigia-se menos de uma família para que ela tivesse um bom padrão de vida. Mas, por outro lado, é inegável que nossos pais e antepassados eram mais corajosos do que somos hoje. A revolução tecnológica deslumbra o ser humano, mas ao mesmo tempo o amedronta, a ponto de não sentir mais segurança na vida, mesmo estando bem financeiramente. Vemos muitos pais aflitos com preocupações exageradas sobre o futuro de seus filhos. Devemos sim planejar a vida e pensar nas melhores possibilidades de estudo para nossos filhos, mas não fazendo disso um problema que até atrapalhe o andamento normal dos dias. Também devemos lutar contra a mentalidade de termos menos filhos para poder dar tudo de ouro para eles, pois caso contrário ficarão para trás na disputa por uma oportunidade ou lugar na sociedade. As Sagradas Escrituras nos revelam que “não devemos nos preocupar com nossa vida, pelo que comeremos, nem por nosso corpo, como nos vestiremos. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Olhemos as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e nosso pai celeste as alimenta. Não valemos nós muito mais do que elas? Não nos preocupemos, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta os eu cuidado” (Mt 6, 25-26.34).

A Campanha da Fraternidade desse ano na Igreja Católica do Brasil tem como tema “Economia e Vida”. Uma das linhas de ação da campanha é nos fazer refletir sobre o consumismo a que estamos sujeitos em nossa sociedade do início do século XXI. Precisamos lutar contra o apego a essa tendência e confiarmos que não nos faltará o necessário para vivermos em conformidade com os desígnios de Deus, revelados nas Sagradas Escrituras e na doutrina da santa Igreja. Encontraremos sim muitas dificuldades nesse caminho, mas certamente seremos felizes.

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4 respostas para A cada dia basta o seu cuidado

  1. Valdir Reginato disse:

    Heraldo

    Certamente a cada dia encontram maiores dificuldades aquels que querem estar abertos aos filhos que Deus lhe confiar.
    O resultado disto já se observa em países do primeiro mundo (assim chamados pela sua tecnologia e educação), uma preocupação crescente com a própria extinção do país, visto que a taxa de natalidade já se encontra abaixo de 1,5; o mínimo necessário para a reposição da população.
    Problemas de ordem previdenciária, econômica e de sustentabilidade para os idosos que crescem nestes países, faz com que agore, depois de mais de quarenta anos de “proibição” para gerar filhos, estes governos estejam estimulando a maternidade.
    Como diz o ditado, “se não vai pelo coração vai pelo bolso.”
    Seguir os designos de Deus estão sempre de acordo com a natureza humana e o seu afastamento acarreta mais cedo ou mais terde a revelação da verdade.

    Abraço

    Valdir

  2. Cristiane disse:

    Generosidade! Como é difícil praticá-la nos dias de hoje.
    Sabe, por estar morando aqui nos EUA, tenho tido oportunidade de conhecer famílias católicas na Igreja, muito generosas no número de filhos: 4, 5 é o comum! Às vezes, encontramos algumas ainda mais numerosas.
    E a gente percebe que algumas são pessoas com boas condições financeiras, mas outras nem tanto (aqui existem várias facilidades que ajudam nesse sentido) e que, sendo assim, são generosas quanto à abertura à vida! Um pouco diferente do que acontece no Brasil: mesmo as famílias mais abastadas têm no máximo 2 filhos, com raras exceções.
    Que essas famílias americanas nos ensinem a confiar na providência divina!

  3. Sofia Pacheco disse:

    Heraldo
    Posso falar desse tema com tranquilidade, posto que sou a sétima de uma família de onze, casada com o sétimo de uma família de oito e mãe de quatro amadas e (modestamente) lindas filhas.
    O maior legado que tive de meus pais foi a fé em Deus. Não digo que foi fácil para eles nos criarmos os onze, nem que seja fácil criarmos nossas quatro. Peço a Deus toda noite muita PACIÊNCIA, pois hoje este é o maior dom que Deus pode me dar.
    Dinheiro, Deus provem. quem disse que as ciranças têm que ter tudo desde a mais tenra infância. As crianças de hoje perderam a noção de como é bom ganhar uma boneca, pois tem quatrocentas na estante. É somente mais uma!
    Meu marido sempre diz que os casais que evitam ter filhos esquecem que vão ficar velhos e sozinhos. E é a mais pura realidade. Nada mais triste que uma velhice solitária.
    os filhos são a alegria de nossa velhice. A certeza que teremos companhia e amparo nos nossos últimos dias.
    O que falta aos casais de hoje é a Fé em Deus de que eles sempre nos proverá.

  4. Cristiana disse:

    Heraldo, muito obrigada pelo excelente texto!! É sempre bom ter quem nos lembre o que realmente importa…

    Cristiana

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