Um só coração, um só bolso

Olá pessoal

Depois do post1 e do post2 sobre o tema, terminamos hoje a “trilogia” do Trabalho e Temperança. Vamos abordar o último tema deste post.

Olhem o famoso trecho de Gênesis 2,24, conhecido por todos os noivos no dia do casamento:

Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne.

E reforçado em mais dois trechos:

  • Matheus 19,5:E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?  Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
  • Efésios 5,28-31: ” Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne.

Com o advento do trabalho da mulher, criou-se nesta nossa geração, o que chamamos de segunda fonte de renda da família, que nada mais é do que o salário da esposa.

Não há dúvidas da evolução e conquista das mulheres neste caso. Muito merecida do ponto de vista do talento e  competência  delas porém, aqui pode nascer um grande problema dos casais e famílias atuais. O famigerado “o meu e o seu….”

Na ocasião do casamento, os noivos  celebram a mudança de uma vida independente para o início de uma vida em comum. O ser “uma só carne” representa exatamente isso, ser um só.

Porém juntando as duas realidades, muitos casais tem vivido uma “união de corações e uma separação de sonhos”, onde cada um financia com seu sálario seus sonhos, suas necessidades ou vontades, sem uma harmonia como casal.

Já ouvi casos como estes:

  • “O dever de manter a casa é do meu marido… ele põe todo o salário dele pra pagar as contas. Eu uso o meu pra gastar com minhas coisas, tipo salão de beleza, bolsas, etc…”
  • “Eu gasto meu salário com o que eu quero e ela gasta com que ela quer. Eu não me intrometo nos gastos dela e ela não se intromete nos meus…”

Casos como estes merecem muita atenção. Apesar serem casados, cada um vive seu “mundo”, completamente separado um do outro, não cumprindo totalmente o que foi prometido no altar.

Nas famílias em que ambos estão empregados e tem os seus próprios sálarios, uma experiência em que estas rendas fundem-se em uma única renda familiar sem barreiras,  imposições ou restrições, pode ser bastante enriquecedora do ponto de vista do senso comum do casal. Este dinheiro pode ser colocado em comum, em que todas as contas da família são pagas e o restante, empregado para toda a família (um vestido para filha, relógio para o marido, bolsa ou sapato para a esposa …). Além de projetarem um futuro juntos (compra do apartamento, troca do carro ou até uma viagem de férias em familia).

A união financeira do casal é tão importante quanto a união dos corações, esta proferida em juramento no altar. Os casais que optem por  fazê-lo podem colher grandes frutos no que se diz a partilha e despreendimento. Pontos estes abordados nos posts anteriores.

Usando o texto bíblico como base, gostaria de propôr:  “E sereis uma só carne … com o coração e sonhos…”

até semana que vem !

 

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Sobre Marco

Marco é casado com Mariana e tem os pequenos Carol e Rafael. Ele é formado em Tecnologia da Informação, pós graduado em administração e trabalha há 14 anos no mercado corporativo de TI. Atua na Igreja Católica desde a adolescência, participando de grupo de jovens, ministérios de música e equipes de evangelização. Está na pastoral da familia da paróquia Nossa Senhora do Brasil desde 2007, atuando junto às familias e aos casais que buscam o matrimônio.
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11 respostas para Um só coração, um só bolso

  1. Luiz Coelho disse:

    Boa tarde a todos….realmente estou muito contente por fazer parte da lista deste blog. Obrigado.
    Nunca havia me manifestado antes, mas isso não significa que não esteja lendo todas as mensagens e comentário; apenas não achei, até o momento, razão para fazê-lo.
    O título “Um só coração, um só bolso”…não me parece, ao meu ver, muito apropriado…e explico.

    Vivemos sim, divididos em dois mundos : O atemporal e o temporal, ou seja, o mundo Espiritual e o Material. Do mesmo modo que temos o casamento religioso e o casamento civil.

    “Então, retirando-se os fariseus, projetaram entre si comprometê-lo no que falasse. E enviaram-lhe seus discípulos, juntamente com os herodianos, que lhe disseram: Mestre, sabemos que és verdadeiro, e não se te dá de ninguém, porque não levas em conta a pessoa dos homens; dize-nos, pois, qual é o teu parecer: é lícito dar tributo a César ou não? Porém Jesus, conhecendo a sua malícia, disse-lhes: Por que me tentais, hipócritas? Mostrai-me cá a moeda do censo. E eles lhes apresentaram um dinheiro. E Jesus lhes disse: De quem é esta imagem e inscrição? Responderam-lhe eles: De César. Então lhes disse Jesus: Pois daí a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E quando ouviram isto, admiraram-se, e deixando-o se retiraram.” (Mateus, XXII: 15-22; Marcos, XII: 13-17)

    Celebrado o casamento civil, portanto, os bens pertencentes a cada um dos cônjuges e também aqueles por eles adquiridos na constância da vida matrimonial, se submeterão a um regime patrimonial que tenha sido escolhido por eles, antes das núpcias, ou, no silêncio quanto a esta assunção voluntária de um regime, àquele que a lei disser, ou, em alguns casos, impuser., ou seja :1) o da comunhão parcial de bens, 2) o da comunhão universal de bens, 3) regime de participação final nos aqüestos, e 4) o da separação de bens.

    Esta máxima: “Daí a César o que é de César”, condena todo prejuízo moral e material causado aos outros, toda violação dos seus interesses, e prescreve o respeito aos direitos de cada um, como cada um deseja ver os seus respeitados. Estende-se ao cumprimento dos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, bem como para os indivíduos.

    Não é porque o casal opte entre separação ou comunhão de bens que estão “planejando” se divorciar. Apenas estão decidindo uma parte material do relacionamento. Pense da seguinte forma: é só mais um papel, uma escritura pública, que será necessária na hora de comprar aquele apartamento maravilhoso ou aquela casa de praia que você sempre sonhou. Quanto mais cedo conversarem como irão reger os bens do casal, bem como outros assuntos relevantes, será melhor para os dois. Os casais que não conversam a respeito destes e de ourtos assuntos, podem ter sérios problemas de entendimento no futuro ( como disse o Marco ).

    E não será a forma como o dinheiro ( material ) do casal será administrado que o amor ( espiritual ) será maior ou menor. Lembrem-se: estipular “o que é de quem” não deve ser encarado como uma situação constrangedora, e sim, só mais uma decisão, de tantas, que vocês tomarão juntos como um casal.

    Um grande abraço a todos.

  2. Marco disse:

    Oi Luiz

    Obrigado pelo seu comentário.

    Entendo o ponto colocado sobre o visão da legalidade e da espontaneidade que cada família deve conduzir sua vida financeira bem como qualquer outro ponto da vida em família. Concordo com você neste ponto não há diferença de visão.

    O que proponho , baseado no texto bíblico, é levar a uma reflexão sobre uma união do casal também no ponto de vista financeiro, o que não acontece em muitos casos, levando a muitas discordâncias e problemas na familia. Veja isto é uma sugestão do site, baseado na vivência dos casais que adotam essa idéia e não uma imposição.

    Não entendo este ponto como tão radical. Note, depois do casamento, muitas outras coisas além do coração do casal, se tornam comuns. EX:

    * os amigos que antes eram de um ou de outro, passam a ser comuns;
    * os hobbies: ele gosta de pescar e ela vai com ele pra que ele nao precise abrir mão e nem ela ficar sozinha.
    * Os carros, cada um tinha o seu mas agora cada um pega o que está na frente o mais fácil. (ou o que não é rodizio)
    * a moradia. Muitas vezes um ou outro ja tem moradia e compartilha este teto depois do casamento.
    * As comemorações: quando o casal tem seus aniversários próximos, muitas vezes o casal opta por uma comemoração comum, ao inves de cada um ter a sua.

    Enfim, ao meu ver, a união financeira é somente mais um item agregado aos de cima. Ele só fica mais em evidencia pois o momento que a sociedade vive, dá mais importância a este ponto financeiro.

    Porém, analisando seu ponto de vista, entendi e alterei parte do texto, onde mostra o lado ruim da moeda para mostrar o lado bom desta abordagem.

    mais uma vez obrigado, a debate nos leva ao crescimento

  3. Valdir Reginato disse:

    Caro Marco

    Li atentamente os dois artigos, (porque o Luiz Coelho escreveu outro artigo, e muito bem), e penso que isto foi ótimo. O debate é o duelo da idéias, onde não temos mortos e feridos mas todos saem enriquecidos.

    Gostaria de colocar a colher e falar um ponto de vista que parece oportuno que diz respeito a AUTONOMIA, ou seja a capacidade de poder decidir por conhecimento e conta própria o que é o melhor para si.

    Quando casamos uma das grandes questões é como fica a AUTONOMIA, tema “top de linha” nas discussões de bioética. Não faremos um tratado, mas lembramos que ao casar não perdemos a autonomia, mas sem dúvida ganhamos mais um referencial para as nossas decisões.

    Existem decisões que a AUTONOMIA é intimamente pessoal. Exemplo típico: a religião. Não tenho que mudar a minha fé com o casamento, ou a maneira como aplico as minhas orações de vida interior. Contudo para outras decisões é razoável que eu consulte a esposa. Resolvo comprar um novo e sofisticado computador porque acredito que ele seria melhor, embora o antigo dê conta do recado, e para isto posso comprometer naqueles meses o orçamento. Ou talvez, posso comprá-lo muito bem sozinho e deixo de perceber que a minha esposa estava precisando de algo com mais urgência, mas não pode comprar sozinha. É razoável consultar a esposa, que talvez estivesse contando com o marido para outra decisão. Agora, se pretendo trocar de apartamento, aí é necessário consultar a esposa de qualquer jeito, ainda que eu possa comprar o novo sozinho, financeiramente falando.

    O que quero dizer é que a união plena de bolsos, parece permitir uma certa flexibilidade que a união de corações para uma fidelidade até que a morte os separe não permite.

    A resposta não é certamente uma regra, mas uma opção para os casais pensarem. Existem casais que fazem a opção do bolso único e vão muito bem. Casais de bolsos totalmente separados adquirem maiores dificuldades quando ocorrem adversidades pessoais, como por exemplo o desemprego, ou doença. Não podemos esquecer que a gravidez é uma condição feminina, exigente, e que ainda hoje muitas mulheres optam, pelo menos na infância, em sacrificar parte da vida profissional para estar mais com os filhos. Deveriam receber reembolso do marido!!!??? Em quanto isto é avaliado??!!

    Particularmente compartilho da idéia de que casais que tenham uma grande bolsa em comum para a família, e um carteirinha de moedas para o pessoal, tendem a ter menos problemas.

    Quanto a dar a Deus o que é de Deus e a Cesar o que é de Cesar, prefiro pensar que Deus e Cesar não representam o marido e a mulher respectivamente, nem as condições de amor e patrimônio pessoal. Vejo dar a Deus o que o casal unido se comprometeu no amor, e a Cesar o que o casal unido deve gastar com as necessidades da vida cotidiana da família.

    Abraço

    Valdir Reginato

  4. Marco disse:

    Ola Valdir

    obrigado tbem pela sua contribuição.

    O ponto é exatamente este. O que fazer se uma das fontes seca ? Não tenho duvidas de que enquanto a ambos vão bem, não haverá discussoes mas até o conhecido autor de livros para finanças de casais, Gustavo Cerbasi, diz em suas entrevistas que o momento de escassez pode levar um casamento a ter sérios problemas.

    A proposta do post de hoje é esta. Todos estão no mesmo barco. Indo na mesma direção. Perceba que eu não desvinculo o bolso do coração. Pois sem isso, um bolso comum se tornaria um desastre. A proposta é dar uma passo a mais na partilha comum. Nao somente juntar as contas nos bancos. Isto seria somente um ato operacional.

    Pode parecer utopia mas quando vc abre mão do SEU para dar lugar ao NOSSO, a moedinhas (do seu exemplo) sempre existirão, mesmo que ainda tenhamos a grande bolsa. Isso, ao meu ver, é um só coração e um só bolso

  5. Lutfe disse:

    Marco, Dr. Valdir e Luiz Coelho:

    Muito interessante os comentários de vocês. Gostaria de falar um pouco sobre a minha experiência e o que acharia legal. A linha de raciocínio do Marco é interessante, porque além de ser mais cristã e mais romântica. Acredito que se existe a união do coração e do bolso, com certeza os dois viverão a mesma realidade de vida, o que pode não acontecer no caso de pessoas terem a individualidade do dinheiro sobreposta na forma com que compartilham a sua vida. Para o cristo a divisão será sempre o ponto principal, desta forma, a realidade que deve prevalecer é a realidade de quem tem menos possibilidades, podendo-se abrir exceções, para algumas extravagâncias para quem tem mais possibilidades. Com respeito a compra de um computador, este também deve entrar na discussão com a mulher, data maxima venia, doutor Valdir (risos). Muito instigador o texto do Luiz Coelho e confesso que esses comentários são enriquecedores de conhecimento. Quero continuar aprendendo a viver de forma cristã… Grande desafio da vida e com a ajuda de Deus, Jesus Cristo, Espirito Santo e Nossa Senhora, teremos sucesso. Abraços a todos, Fiquem com Deus

  6. Juliane disse:

    Olá Marco, sempre recebo e leio suas mensagens, apesar de não responde-las (o que peço desculpas… mas a correria da vida moderna nos obriga a algumas escolhas…).
    Gostei particularmente desse seu último post, afinal comentários como esse são sempre realizados entre nossos amigos que não entendem como eu e o Geraldo temos uma única conta bancária e decidimos juntos o que fazer de nossas finanças. Alguns casais nos dizem não entender como conseguimos equilibrar bem as coisas, ou melhor, contas, mas a verdade é que não consigo imaginar outra forma de manifestação de vida de um casal, se estamos juntos, estamos juntos em tudo, não apenas nas partes!
    Fico feliz em receber post como esse que demonstram que estamos no caminho certo, moldando nossa família no convívio cristão.
    Obrigada por suas mensagens e por me incluir em seus contatos.
    Um grande abraço
    Que Deus continue abençoando essa família maravilhosa que você construiu!

  7. Joao Carlos disse:

    Olá Marco, excelente esse seu ultimo post: “Um só coração, um só bolso”.
    Vivo exatamente desta forma com a Erica desde que nos casamos a quase 8 anos, sempre deu certo, colocamos tudo em uma conta única, administramos juntos, conversamos, fazemos planos, sinceramente não sei como poderia dar errado a nossa união onde sempre colocamos em primeiro plano o diálogo entre o casal.
    Como disse a própria Juliane acima, se estamos juntos, estamos juntos em tudo, nos corações, nas finanças, na educação dos filhos, nas escolhas do que é melhor para a família naquele momento, etc.. tudo sempre através do diálogo que a meu ponto de vista sempre deve existir na vida matrimonial, através dele, chegamos ao entendimento e como diz o ditado, o que é combinado não é caro…
    Muito obrigado e parabéns por este blog.

  8. Cristiana disse:

    Fiquei realmente tocada com o texto e com os comentários sobre o mesmo.
    Há algum tempo venho pensando sobre a “união financeira” do casal . Tenho casais amigos que por falta de orientação, acredito, vivem verdadeiras crises quando a questão é o que fazer com o dinheiro.
    Um exemplo disso aconteceu com uma amiga minha, quando o marido perdeu o emprego ela literalmente “emprestou” o dinheiro necessária para o pagamento do condomínio. Depois ele iria devolver a quantia. Quando ouvi isso pensei ” Mas não estão casados?” . Aquela situação não fazia o menor sentido para mim.
    Creio que uma conversa que não pode faltar entre os casais seria definir o porquê e para que se trabalha e se ganha dinheiro dentro da família. O dinheiro é para que a família se desenvolva como um todo ou para que cada uma realize todos os seus sonhos de consumo?
    Definir as prioridades nos gastos sem anular as necessidades individuais de cada um, priorizando a família e a união do casal, acho que isso seria o ideal.
    Gostei do comentário do João Carlos “o que é combinado não é caro”.
    Obrigada pela oportunidade e parabéns pelo blog e por mais esse debate !!

    Cristiana

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