As correções e arte de educar

A atitude de corrigir um filho sempre gera um momento desagradável para o mesmo, por menor que seja o erro ou a situação que se esteja corrigindo. Ainda que usemos de boas palavras e nem alteremos o tom de voz, as crianças não gostam de serem corrigidas e por vezes querem se esquivar de seus erros. Quando chega a adolescência, a situação fica mais delicada, pois o filho está descobrindo o mundo e pensando que já sabe se cuidar sozinho. Então é preciso muita sabedoria para agir corretamente em cada caso. Recentemente, nosso filho mais velho agiu de maneira que me chateou sobremaneira. Nada de grave, mas agiu mal e ainda tentou jogar o problema para os irmãos menores. Estragou parte de um móvel da casa, alegando que já estava velho e que agora precisava ser trocado pois alguém havia feito aquilo. Naquele momento, apesar da chateação, não me alterei e não o adverti, mas ao rezarmos juntos antes de dormir, levei-o a uma reflexão sobre o ocorrido, de modo que ele mesmo assumiu o que tinha feito e desculpou-se. No dia seguinte, mesmo sem ter sido recomendado, fez um reparo no local onde havia danificado.

Este tipo de situação me fez lembrar de um trecho do livro “Educar pela conquista e pela fé” (Prof. Felipe Aquino, Ed. Cléofas, 2006) onde ele descreve um fato da vida de Michelangelo, transcrito abaixo.

“Um dia ele (Michelangelo) foi com seus alunos às montanhas de pedra da Itália, para escolher as enormes pedras a serem esculpidas no atelier. Aquelas pedras, como que magicamente, se transformavam em santos, anjos, papas … nas mãos do gênio. Eis que ele viu um bloco de pedra na montanha e disse aos alunos: _ aí dentro há um anjo, vou colocá-lo para fora!_ Levaram a pedra para o atelier, e lá, com o seu trabalho o anjo foi surgindo na pedra. Os discípulos ficavam maravilhados com o milagre do gênio, e lhe perguntavam como ele conseguia aquela proeza. Ele respondeu: _ o anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando _”.

Educar é, pois, uma arte que exige paciência, amor e esperança diante dos “excessos” que precisam ser removidos da vida de nossos filhos, até que surjam os “anjos” que estão presentes em cada um deles. Não desanimemos diante das dificuldades que o processo de correção dos filhos exige de nós pais e prossigamos confiantes que, no tempo próprio, tudo vai se tornando mais conforme os desígnios de Deus na vida de todos nós.

Anúncios
Esse post foi publicado em Pais+Filhos. Bookmark o link permanente.

3 respostas para As correções e arte de educar

  1. Valdir Reginato disse:

    Heraldo

    Já não é surpresa as suas brilhantes meditações! Pois surpresa é quilo que não esperamos e de você já ficamos aguardando toda semana o que nos brindará para refletir. E falar de Michelângelo, desta conhecida passagem de sua vida, me toca de modo particular pelo carinho que tenho a este artista.
    Se me permite continuar com mais um fato do fabuloso gênio da arte…

    Conta história que quando pintava o teto da capela Sisitina conforme o pedido do Papa, com a idéia de colocar os apóstolos e não como depois ficou, estava contrariado, não gostava da idéia. Procurou no fim do dia uma taberna para tomar vinho e ao prová-lo verificou que o vinho estava “passado” e reclamou. O taberneiro ao comprovar a queixa foi num golpe e destruiu o barril recém aberto, jogando o vinho fora. Vendo aquilo, Michelangelo voltou a capela e também “destruiu” o que estava pintando, pois não estava contente em seu coração.

    Penso que assim como devemos retirar os “excessos” da mármore de nossos filhos para que fique o “anjo”, não podemos deixar de jogar fora de dentro de nós (pais) aquilo que está estragado, (atrapalhando a percepção da existência dos “anjos”), contra o que nos pede um coração megulhado em Deus.

    Abraços

    Valdir Reginato

  2. Marco disse:

    Ola Heraldo
    Faço as minhas palavras as do Valdir. Todas as semanas já esperamos uma grande reflexão da sua coluna.
    Este é um momento que começo a viver a realidade de educar e realmente não podemos desanimar. Obrigado !

  3. Cristiane disse:

    Obrigada pela mensagem-testemunho que nos deu nesta semana. Às vezes fico mesmo com medo de não encontrar o anjo em meus filhos, ou pior, de atrapalhar que este anjo cresça dentro deles. So mesmo a graça divina!
    Saber calar e deixar a raiva passar para, depois com mais calma, corrigir, sem alterações na voz e no humor, é um exercício para todos os dias.
    beijo,
    Cris

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s