ZILDA ARNS: EXEMPLO DE AMOR

 Desde que o mundo tomou conhecimento do trágico falecimento da Dra Zilda Arns, o número de notícias e de documentários a respeito desta missionária da caridade não param de chegar aos nossos olhos e ouvidos. Assim não é nosso intuito falar alguma novidade sobre esta personagem que não seja do conhecimento do nosso leitor. No entanto , seria uma grande omissão não comentarmos o seu falecimento sem procurar levar uma breve reflexão, não tanto sobre a sua obra maravilhosa e gigante, mas principalmente a respeito da  pessoa de Zilda Arns, que se “esconde” por trás desta tarefa que abraçou com o coração. O que aprender de Zilda Arns? Isto, tenho certeza,  é o mais importante. Frequentemente  enaltecemos a obra mas esquecemos de aprender com a vida do autor da obra.

O espaço é pequeno para uma reflexão mais profunda e tão extensa quanto merece a figura de Zilda. Buscaremos salientar três pontos, que se encontram sempre presente nas vidas dos santos: Fé, perseverança e humildade.

Zilda Arns não foi política, não iniciou um programa social com interesse de eleições, não estava a serviço de mais um programa social simplesmente, mas trabalhava, antes de mais nada, porque tinha fé. Lembrando madre Teresa de Calcutá, quando lhe afirmaram que não fariam aquele trabalho nem por um milhão de dólares, ela respondeu com sinceridade: “- Por um milhão de dólares eu também não faria, faço por amor a Cristo!” O mesmo fazia Zilda. Em cada criança salva da desnutrição, o rosto de Cristo. Não há outra maneira de tanta dedicação aqueles que mais padecem miseravelmente, abandonados pelos que de direito e em melhores condições financeiras e responsabilidades governamentais abandonam.  Fé de que o seu trabalho está sendo realizado em Cristo, por Cristo !

Perseverança. Uma senhora viúva com cinco filhos, com condição social tranqüila e dever cumprido de uma pediatra com mais de trinta anos de dedicação social, não precisaria entrar nesta nova estrada da Pastoral da Criança com todas as dificuldades que conscientemente sabia que enfrentaria. Não se acomodou, e viu as dificuldades como degraus para o que se devia alcançar em benefício do próximo mais carente. A perseverança se registra em números estatísticos fantásticos, que somam as milhões de mães e crianças em mais de vinte países. Isto que nada representa para a sua fundadora que olha para cada criança como sendo única. Uma criança que merece atenção, carinho, acolhimento e  alimento. Melhorando as condições da família, para que as crianças e suas mães pudessem ser vistas com dignidade de filhos de Deus. É impressionante ler que ela alcançou, com  seu programa de voluntariado,  índices de mortalidade infantil comparados ao de primeiro mundo, enquanto no resto do país aonde seus agentes ainda não conseguiram chegar, o governo com todos os seus recursos  mantém um índice duas vezes maior.

Humildade. Como todos que fazem sem olhar para si mesmo, quando apontados como merecedores da glória são os primeiros a dirigir os agradecimentos a todos que estão comprometidos  com o trabalho, indiferentemente da recepcionista a médica, passando por todos da equipe onde ela se coloca apenas como mais uma. Zilda torna-se o sal evangélico, o fermento da massa, que desaparece na multidão de milhares de agentes da Pastoral da Criança, mas todos sabem que é ela quem dá o sabor e faz crescer.

O que lamentamos é que foi preciso esperar morrer para que se falasse tanto da obra desta missionária da caridade, que com espírito cristão levava o seu trabalho dentro do que a Igreja há tantos séculos vem fazendo pela saúde de modo geral na história da humanidade. È seguir a parábola do Bom Samaritano não em palavras, mas em atitudes concretas. Assim nasceram os primeiros hospitais na história. Assim se desenvolveram universidades católicas para a pesquisa em saúde. Assim a Igreja sempre se preocupou com os que são mais doentes e abandonados. Zilda é mais um grande exemplo, com a felicidade para nós de podermos tê-la conhecida, convivido e aprendido.

Fé, perseverança e humildade, numa única palavra: Amor. Esta é a grande lição, o grande remédio, que a Dra Zilda Arns nos deixa. Os seus títulos de renome internacional, as suas indicações para Nobel da Paz, se perdem diante da grandiosidade da herança de maior valor que ela nos deixa: Zilda Arns, uma mulher que viveu o Amor.  Na certeza de estar acolhida pelo Pai , nos despedimos agora para nos encontrarmos na próxima terça.

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Sobre vreginato

Casado e tem três filhos. Médico e Terapêuta de Família. Professor de Bioética, Históra da Medicina e Espiritualidade e Mediicna na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), membro do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde da Unifesp, Coordenador da Pastoral da Família da Paróquia Nossa Senhora do Brasil
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2 respostas para ZILDA ARNS: EXEMPLO DE AMOR

  1. Heraldo disse:

    Prezado Valdir,

    Obrigado por tão rica meditação sobre a pessoa de Zilda Arns. Confesso que não a conhecia da maneira como você relatou, enquanto mãe de 5 filhos, viúva, médica pediatra e com toda a humildade que desenvolveu o seu trabalho. Mais uma vez muito obrigado! Deus o abençoe e até o próximo artigo.

    Heraldo

  2. Lutfe disse:

    O que será que devemos fazer para ser como ela? Um abraço, obrigado pelo artigo muito bem escrito. Lutfe

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